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NFL: De astro no College à 'tapa na cara' no draft, Lamar Jackson comanda Ravens e bate recorde

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Quando a bola voar para Baltimore Ravens e Los Angeles Chargers, às 16 horas (de Brasília), com transmissão da ESPN e do WatchESPN, Lamar Jackson irá deixar seu nome na história da NFL naquele que será apenas seu oitavo jogo como titular.

Será justamente na véspera de seu aniversário de 22 anos que o novato se tornará o primeiro quarterback com 21 anos a ser titular em um jogo de playoff, superando a marca de Berni Kosar jogou pelo Cleveland Browns nos playoffs de 1985 com 22 anos e 40 dias.

Este será apenas um feito do quarterback que começou a temporada na reserva de Joe Flacco, mas ganhou a posição na semana de descanso dos Ravens, graças a uma soma de um problema no quadril do titular e uma campanha com quatro vitórias e cinco derrotas.

Se muitos apostariam em uma “reconstrução” em Baltimore, agora com o calouro, o que foi visto foi uma “revolução”, com a consolidação do mais perigoso ataque terrestre da liga, algo que se encaixou muito bem com a melhor defesa da temporada. O resultado foram seis vitórias e uma derrota, e o título da AFC Norte.

Ele também tem outras marcas interessantes como um quarterback calouro: é o primeiro de primeira rodada do draft a ir para os playoffs desde RGIII, em 2012; o primeiro da AFC a ganhar o título de divisão desde T.J. Yates, com os Texans em 2011; e o primeiro a levar o título da AFC Norte desde Ben Roethlisberger em 2004.

Lamar tem motivos demais para comemorar a confiança do técnico John Harbaugh.

UM ASTRO UNIVERSITÁRIO

Lamar Jackson teve uma passagem memorável pelo futebol americano universitário. Em seu segundo ano em Louisville, ele terminou com 3.543 jardas e 30 touchdowns lançados, completando tudo isso com 1.571 jardas e 21 TDs corridos.

Foi o suficiente para sua eleição para o time ideal da temporada ser unânime, e ele levar o Heisman Trophy, de melhor jogador universitário, para casa, deixando para traz Deshaun Watson, Dede Westbrook, Jabrill Peppers e Baker Mayfield.

No terceiro ano, números igualmente bons: 3.660 jardas e 27 touchdowns pelo ar, 1.601 jardas e 18 TDs com as pernas. Desta vez, Mayfield ficou com o Heisman.

A PERGUNTA DO RIVAL DE HOJE

Antes de ser recrutado por Baltimore, Lamar Jackson foi entrevistado pelo Los Angeles Chargers e ouviu uma pergunta que não gostaria: “Você quer tentar jogar como recebedor?”

“Aquilo foi um tapa na cara. Eu nunca tinha ouvido aquilo antes. Mas isso só fez com que eu apresentasse meu melhor jogo, trabalhasse duro no treino e tentasse aprender o máximo possível”, afirmou, em entrevista ao The Undefeated.

Pois se era novidade para Jackson, a proposta do quarterback mudar de posição era muito defendida por alguns antes do draft. Com um currículo tão bom, não era sem motivo que outros tantos vissem o questionamento como algo preconceituoso.

“Nós apenas tomamos a decisão: Ele pode jogar como quarterback para nós? Para mim a resposta era bem fácil. Absolutamente. Você constrói um ataque como você constrói para qualquer quarterback”, disse Harbaugh.

“Eu sei que sou um quarterback, e é isso que eu vou ser, é por isso que vou trabalhar duro. Sempre existirão pessoas que duvidam. Você só tem que provar que eles estão errados”, disse Jackson.

PRÓS E CONTRAS

Lamar Jackson deu uma nova dinâmica para um time que já contava com um jogo corrido eficiente. Nas sete semanas como titular, ele foi o 7º jogador que mais conquistou jardas terrestres na NFL (556), anotando quatro touchdowns (que poderiam ser cinco não fosse a bobeira na partida contra os Browns).

Mas nem tudo são elogios, e a proteção à bola ainda é uma questão importante. No mesmo intervalo de sete jogos, ele sofreu 10 fumbles, a maior marca da liga. Além disso, passando a bola Lamar ainda não convence a todos, com 58,2% dos passes completados (30ª na NFL).

SUPERANDO UM ÍDOLO

Pois uma vitória fará com que ele quebre a marca de Michael Vick, que venceu sua estreia em pós-temporada com 22 anos e 192 dias, no Atlanta Falcons. E esta quebra pode ser especial por outro motivo além de colocar Baltimore na semifinal da Conferência Americana e eliminar que duvidou dele.

“Meu primeiro Madden foi em 2003, mas eu jogava com Michael Vick em 2004, e ele era totalmente incontrolável”, comentou o quarterback após ser escolhido pelos Ravens na 32ª escolha do último draft.

“Eu saia e ia para os jogos do meu time no sábado e tentava fazer as mesmas coisas, copiar o que ele fazia. Ele foi uma grande influência para mim”, completou Jackson, como se fosse necessário muito esforço para notar as semelhanças com o jogador que definiu um gênero de quarterbacks que correm.