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NFL: Superar Le'Veon Bell? James Conner bate marcas históricas no Pittsburgh Steelers depois de vencer até o câncer

Nesta quinta-feira, às 23h15 (de Brasília), o Pittsburgh Steelers e Carolina Panthers se enfrentam no Heinz Field, com transmissão da ESPN e dos WatchESPN. Ambas as equipes chegam embaladas pelos resultados recentes, com os Panthers vindo de três vitórias e os Steelers arrancando na NFC Norte com quatro.

A equipe da casa temeu pelo pior ao saber que Le’Veon Bell não se apresentaria tão cedo nesta temporada – e não se apresentou mesmo depois de se despedir de Miami –, mas James Conner está conseguindo fazer algo que parecia improvável: superar os números de Bell.

Le’Veon Bell, eleito três vezes para o Pro Bowl e atualmente insatisfeito por não ter ganhado um novo contrato e sim uma franchise tag pelo segundo ano seguido, somou 1.048 jardas e sete touchdowns, com média de 5,1 jardas por toque na bola em seus últimos oito jogos na liga.

Já Conner, nos oito primeiros jogos de 2018, tem uma média de 5,7 jardas por tentativa, com 1.085 jardas conquistadas e 10 touchdowns, a maior marca de um jogador neste intervalo de tempo na história dos Steelers.

São quatro jogos seguidos com Conner correndo pelo menos 100 jardas, a maior sequência da liga desde 2016, quando Bell conseguiu isso entre as semanas 11 e 14. E o running back só tem menos jardas que Todd Gurley (1.230), apontado como candidato ao prêmio de MVP.

Mas superar números dentro de campo não é nada para quem já teve que superar algo que realmente era uma questão de vida ou morte.

Em dezembro de 2015, enquanto tratava de uma lesão no joelho em sua terceira temporada na universidade, justamente em Pittsburgh, Conner fez um raio-x para ver o que era um “caroço” que havia em seu peito. Tratava-se de um Linfoma de Hodgkin, um câncer originado nos linfonodos do sistema linfático.

Imediatamente ele começou a passar por sessões de quimioterapia e o tratamento por radioterapia também foi cogitado, mas a preocupação era de que isso poderia prejudicar os pulmões de Conner e, consequentemente, a carreira como jogador.

Oncologistas de todo o país foram consultados e a decisão foi por esperar a reação do paciente, que teve que lidar com náuseas e vômito durante o tratamento. Mas isso não mexeu com a confiança dele, que seguia acreditando firmemente que venceria aquela batalha.

Conner rejeitou a oferta do médico para fazer quimioterapia em uma sala privada, preferindo fazer ao lado de todos os outros pacientes, com quem interagia sempre que podia.

A certeza de que voltaria ao campo era tanta que o jogador não deixava nem as sofríveis sessões do tratamento impedirem ele de treinar. Mesmo medicado, ele seguia para a academia para se preparar como todos os outros companheiros de time.

Sua determinação resultou em um exame livre do câncer em maio, após 12 sessões, e também o levou ao campo na partida de estreia do Pittsburgh Panthers, jogando no Heinz Field com todas as atenções voltadas para ele. Conner anotou dois touchdowns contra Villanova, levando a torcida ao delírio em cada toque na bola que deu.

Diversas equipes da NFL ligaram para seu médico, Stanley Marks, para saber se existia a chance da doença voltar. A resposta do médico era que apenas três anos após o tratamento seria possível garantir que Conner estava realmente livre do câncer.

Mas seu destino no draft de 2017 não poderia ser outro que não os Steelers, que o selecionou com a 105ª escolha, na terceira rodada, bem antes da quinta ou sexta como previam os especialistas.

O carinho da cidade pelo jogador ficou claro quando a camisa 30 daquele calouro liderou as vendas de uniformes da NFL em julho, deixando para trás nomes como o de Tom Brady, Aaron Rodgers e do próprio Le’Veon Bell.

O sucesso dentro de campo só reforça o sentimento da cidade, que vê o jogador ainda ser muito atuante em projetos sociais, usando sua história para mostrar que os problemas podem ser superados.

O Carolina Panthers tem feito uma temporada muito boa contra o jogo corrido, mas está claro que se James Conner colocar algo em sua cabeça, vai ser difícil pará-lo.