<
>

Atletas negros politicamente ativos, as Olimpíadas de 68, o caso Kaepernick e a mídia

A saudação 'black power' dos velocistas americanos Tommie Smith e John Carlos em uma disputa pela medalha nos Jogos Olímpicos de 1968, na Cidade do México, é uma das imagens mais icônicas da história do ativismo esportivo. Mesmo que a maioria dos americanos vivos atualmente ainda não tivesse nascido, isso faz parte da nossa consciência coletiva. Nós nos lembramos disso, mesmo que não tenhamos vivenciado.

Com muitas pessoas comparando a cobertura da mídia em relação à percepção pública de Colin Kaepernick ao precedente estabelecido por Smith e Carlos, é importante perguntar como as coisas realmente aconteceram naquela noite, há 50 anos, e como foi sua cobertura pela mídia americana da época.

As respostas são diferentes do que se pode acreditar.

Primeiramente, não aconteceu no verão, mas no dia 16 de outubro. Os Jogos da Cidade do México haviam começado quatro dias antes. Uma concessão outonal ao calor mexicano e ao público americano, que se preocupava com o World Series até o dia 10 de outubro, quando os Detroit Tigers venceram os St. Louis Cardinals no jogo 7.

A final dos 200 metros poderia, facilmente, ter ocorrido sem nenhum dos famosos protagonistas. Nas semifinais, as câmeras de televisão da ABC capturaram Carlos, que venceu sua etapa, pisando na linha que separava sua pista e a do adversário. Seria uma desqualificação automática, que os juízes simplesmente não viram.

Enquanto isso, Smith machucou a virilha durante a semifinal, mas, ainda assim, ganhou o ouro em um recorde mundial de 19,83 segundos (superando a marca de 20,0 estabelecida dois anos antes).

Foi no dia seguinte, na final dos 200 metros, durante uma transmissão da ABC Evening News realizada pelo âncora Frank Reynolds, que muitos telespectadores americanos viram o protesto de Smith e Carlos. Reynolds, um veterano da Segunda Guerra Mundial e recebedor do Purple Heart, cobriu a história de forma empática, não dando tempo para os críticos do gesto, uma diferença significativa da cobertura dos protestos da NFL de hoje.

Imediatamente depois, os americanos não foram confrontados com a imagem dos corredores para onde quer que eles se voltassem. A foto não apareceu nas edições subsequentes da revista Sports Illustrated, quanto menos na capa, e a Newsweek a enterrou na página 78.

Muitos jornais publicaram a foto, porém, diversas vezes, como uma pequena barra lateral ao lado de imagens de Smith cruzando a linha de chegada dos 200 metros em tempo recorde. Na época, muitos consideraram a façanha atlética de Smith a maior da história. Agora, esforçamo-nos para lembrar se foi Smith ou Carlos quem ganhou a medalha de ouro e, erroneamente, acreditamos que o outro ganhou a prata, não o bronze.

Em seu noticiário de 17 de outubro, a ABC, detentora dos direitos dos Jogos Olímpicos, começou sua cobertura com o casamento de Jackie Kennedy e Aristóteles Onassis, uma atualização sobre as baixas no Vietnã e relatórios da campanha presidencial.

(Em El Paso, Texas, o governador do Alabama, George Wallace, insistiu em dizer que havia duas palavras de quatro letras que não conheciam: trabalho e sabão [work and soap].) No meio do show, Reynolds deu a notícia de forma discreta da Cidade do México.

"Os Estados Unidos lideram as Olimpíadas em medalhas e são quase supremos nas corridas rápidas graças a homens como Tommie Smith e John Carlos", disse ele.

“Ontem, os dois chegaram em primeiro e terceiro na corrida de 200 metros. Depois, ficaram na plataforma da vitória com as cabeças arqueadas, usando meias pretas e luvas em um protesto racial".

A tela, então, cortou para a filmagem da cerimônia da medalha da noite anterior. E não era apenas um videoclipe curto, mas todo o “Star-Spangled Banner”.

Medalhista de ouro, Smith estava no centro da tela, com a cabeça baixa e o braço direito erguido no ar. Carlos apareceu à direita, com o braço esquerdo para cima e ligeiramente dobrado, com o medalhista de prata Peter Norman, da Austrália, à esquerda, olhando para a frente.

Entre os ‘closes’ de Smith e uma imagem ampla de Carlos, a câmera seguiu as bandeiras americanas quando foram içadas para o céu noturno.

Reynolds voltou à tela para fornecer contexto.

“Antes das Olimpíadas, houve um furor neste país por causa de uma ameaça de boicote por atletas negros", disse ele.

“Então, a maioria deles decidiu que a participação nestas Olimpíadas promoveria a causa dos direitos civis neste país e no exterior. Os atletas negros usam ‘bottons’ que dizem: ‘Projeto Olímpico pelos Direitos Humanos’. (Norman também usava, mas Reynolds não mencionou isso.)

Aconteceram algumas vaias no estádio na noite passada. O editor de esportes da ABC, Howard Cosell, falou com Tommie Smith depois que ele aceitou sua medalha de ouro”.

Cosell, de 50 anos, foi visto sentado ao lado de Smith em um estúdio com as pernas cruzadas e braços descansando confortavelmente ao seu lado. Ele fez uma pergunta simples que deu a Smith uma plataforma para dizer o que quisesse.

"Tommie", perguntou, "você explicaria às pessoas da América exatamente o que você fez e por que você fez isso?"

“Primeiramente, Howard, eu gostaria de dizer que estou muito feliz por ter conquistado a medalha de ouro aqui na Cidade do México", disse Smith.

“A luva que eu usava na mão direita significava o poder na América negra. A luva da esquerda que meu companheiro de equipe John Carlos usava fez um arco, da minha mão direita para a mão esquerda dele, também significando a unidade negra. O lenço que foi usado em volta do meu pescoço significava negritude. John Carlos e eu usamos meias, meias pretas, sem sapatos, para também significar nossa pobreza ”.

Assim como os protestos de Kaepernick, que ocorreram durante um período de tensões raciais, a justificativa que Smith resumiu para Cosell encaixa-se perfeitamente no contexto de eventos contemporâneos nos EUA.

Martin Luther King Jr. havia sido assassinado apenas seis meses antes, no meio da organização de sua Campanha do Povo Pobre. O senador Robert F. Kennedy, candidato a presidente em uma plataforma focada na igualdade racial e na justiça econômica, havia sido baleado e morto cinco meses antes. Candidato presidencial segregacionista, Wallace estava a caminho de ganhar cinco estados do sul. A Sports Illustrated havia dedicado o mês de julho a examinar a situação do atleta negro.

A segunda e última pergunta de Cosell - "Você acha que representou todos os atletas negros ao fazer isso?"

Hoje, provavelmente iria atrair críticas. Pergunta-se aos atletas brancos se suas declarações políticas representam todas as pessoas brancas? Cosell estava jogando para plateias brancas que diferenciavam entre negros ‘bons’ e militantes? Ele estava incentivando Smith a criar uma divisão entre os atletas negros da Cidade do México que não queriam ser atraídos para a controvérsia? Smith parecia desconfortável enquanto respondia, afastando-se de Cosell, cruzando os braços à sua frente. Em sua resposta, ele elevou a discussão para além da pista ou da Vila Olímpica, e explicou que o gesto surgiu de dentro. Foi, ao mesmo tempo, universal e intensamente pessoal.

"Ah, posso dizer que representei a América negra", comentou.

“Tenho muito orgulho de ser negro, como disse antes, e também de ter ganho a medalha de ouro. Com isso, eu pensei que poderia representar o meu povo, deixando-os saber que tenho orgulho de ser um homem negro".

O segmento durou 3 minutos e 40 segundos, uma eternidade para um noticiário nacional. Tudo o que a ABC fez foi mostrar o que aconteceu e pedir a Smith para falar sobre isso. Sem cabeças falantes, sem ‘cortes’ quentes, sem debate artificial.

Na noite seguinte, depois que o Comitê Olímpico dos EUA expulsou Smith e Carlos da Vila Olímpica, e ordenou que saíssem em até 48 horas, a CBS e a NBC finalmente entenderam a história. Porém, apenas com breves relatos, lidos por Walter Cronkite e Chet Huntley, respectivamente, sobre os atletas sendo mandados para casa.

O noticiário da ABC, no entanto, voltou à história por quase cinco minutos, em busca de reações na Vila. Jesse Owens, quatro vezes medalhista de ouro em atletismo, recusou-se a comentar, assim como o velocista Lee Evans e a esposa de Carlos, Kim.

O treinador de boxe dos EUA, Patrick Albert, ficou frustrado com a atenção.

"Não há movimento, não há nada. Nós obedecemos às regras. Eu gostaria que todos fossem para casa”.

Boxeador americano dos pesos médios, Al Jones contornou o assunto com humor. Perguntado como aceitaria uma medalha, caso ganhasse, ele disse: "Acima do meu pescoço, você sabe." (Ele ganhou bronze.)

Carlos, quando encontrado por um grupo de repórteres, deixou com que os espectadores percebessem seu tom voz e projetou atitude diferente de seu companheiro.

“O próximo homem que aparecer e colocar uma câmera na minha cara ou um alto-falante na minha cara, eu vou derrubá-lo e pular nele, ouviu? Acredite em mim, estou lhe dizendo. Se você sabe o que é bom, saia, fale com um dos treinadores e me deixe em paz, está bom?”

(Na coletiva de imprensa da noite anterior, após a apresentação da medalha, Carlos havia usado um tom igualmente forte. “Eu gostaria de dizer aos brancos da América e de todo o mundo que, se eles não se importam com as coisas que os negros fazem, então eles não devem se sentar nas arquibancadas e vê-los se apresentar”.)

Smith, pelo contrário, pareceu calmo e aproveitou a chance de explicar suas ações na entrevista televisionada na noite anterior.

Reynolds, então, passou o noticiário para Cosell na Cidade do México por seus “comentários sobre a controvérsia”, sinalizando para os telespectadores que eles estavam prestes a ouvir uma opinião, não uma reportagem direta.

Em pé, atrás de um pódio, em seu conhecido traje esportivo da ABC Sports, segurando um par de óculos na mão direita e com uma visão ampla da pista olímpica atrás dele, Cosell criticou autoridades olímpicas, expressando simpatia por atletas negros ativistas.

“Sem dúvida, o peso preponderante da opinião pública americana apoiará o comitê, mas, na verdade, nada está resolvido. O Comitê Olímpico dos EUA, à maneira da famosa Vila de Brigadoon, aparece em cena a cada quatro anos.

Na sua maioria, é um grupo de homens pomposos, arrogantes e de mentalidade medieval, que consideram os jogos como uma reserva social privada para sua pequena ‘panelinha’. Eles veem a participação nos jogos como um privilégio, não como um direito ganho pela competição.

Dizem que os jogos são esportes, não política, algo separado e à parte das realidades da vida. O atleta negro diz que está liderando uma revolução na América, uma revolução projetada para produzir dignidade para o homem negro e que ele é um ser humano antes de ser um atleta.

Ele diz que sua vida na América está cheia de injustiça, que ele quer igualdade em todos os lugares, não apenas dentro da arena. Diz que não será usado uma vez a cada quatro anos, em nome de um grupo que ignora o que acontece com ele todos os dias de todos os anos. Ele diz que ganha participação, ganha de maneira justa e que usará sua proeminência conquistada dentro da arena para melhorar sua situação fora dela.

Ele fala ‘não quero ouvir falar de regras, os EUA não mergulham a bandeira na frente do estande de revisão e essa é uma regra que todas as outras nações seguem’. Ele está ciente da reação, mas diz que aguentou por 400 anos. E, assim, os Jogos Olímpicos nos Estados Unidos tornaram-se uma espécie de América em microcosmos, um país dilacerado.

Onde isso tudo irá acabar? Não pergunte ao Comitê Olímpico dos EUA, eles estão muito ocupados preparando-se para um coquetel VIP na próxima segunda-feira à noite, no exuberante Camino Real. Howard Cosell, da Cidade do México”.

Cosell havia previsto uma reação negativa, e estava certo. Mas também recebeu apoio. E, em contraste com hoje, onde o Twitter ficaria cheio de comentários antes do clarão vermelho dos foguetes, na era das revistas semanais e ao editor que chega dias depois, a reação a Smith e Carlos “desdobrou-se muito devagar”, disse A professora da College of New Rochelle, Amy Bass, autora de Not the Triumph but the Struggle: The 1968 Olympics and the Making of the Black Athlete, um livro sobre atletas negros e ativismo.

“É difícil para nossos cérebros modernos se envolverem. Não foi um choque instantâneo, que é o que nós assumimos que era. Além disso, Bass diz que grande parte da imprensa americana cobriu a corrida de 200 metros e o gesto do pódio como eventos separados, muitas vezes com uma história e uma foto sobre o desempenho atlético recordista de Smith e outra sobre os punhos levantados".

O Los Angeles Times tratou o protesto como a maior história; O New York Times fez o oposto.

Na Vila Olímpica, Bob Seagren, 'branco' do salto com vara, disse a repórteres que “se [Smith e Carlos] não gostarem dos Estados Unidos, eles sempre poderão sair.” Mas o decatleta 'branco', Tom Waddell, disse que os norte-americanos negros foram desacreditados pela bandeira norte-americana com mais frequência do que a tinham manchado.

“Veja o que acontece se um russo tentar fazer isso", disse o atirador de martelo Hal Connolly em apoio ao protesto político.

Em contraste com o apoio de muitos atletas olímpicos, a reação dos jornalistas esportivos brancos nas principais agências de notícias foi negativa. A revista Time reclamou que Smith e Carlos haviam transformado o lema olímpico de Mais Rápido, Mais Alto e Mais Forte em Mais Bravo, Mais Perverso, Mais Feio.

No Los Angeles Times, John Hall escreveu que ele estava cansado de pedir desculpas para as pessoas como Smith e Carlos, que ele disse que tinha uma "visão chorosa, mesquinha, superficial do mundo".

Outros foram menos duros. No Los Angeles Times, o colega de Hall, Jim Murray, disse: “Nosso segredo foi exposto. Temos problemas raciais em nosso país”. Na Newsweek, Pete Axthelm escreveu que “em contrapartida a algumas das alternativas que os militantes negros haviam considerado, o quadro silencioso parecia bastante moderado”.

Muitas publicações nacionais deram espaço aos leitores com opiniões variadas.

Na Newsweek, um leitor de Redondo Beach, Califórnia, escreveu que Smith e Carlos deveriam “procurar residência em outro lugar. Ser de ascendência africana não autoriza um americano a agir como um idiota, seja no exterior ou em casa”.

Um autor de cartas de Austin, Texas, perguntou: “O que esperávamos, que os atletas negros trouxessem apenas seus talentos e não eles próprios para as Olimpíadas? O protesto negro foi apropriado porque apontou para o fato de que os negros foram convidados a representar uma nação que ainda não os representa completamente. Esperar que qualquer homem viva em um vácuo (olímpico ou não) é tão ingênuo quanto injusto”.

Assim como não houve uma reação monolítica às ações de Kaepernick entre os americanos negros de hoje, a imprensa negra ficou dividida em 1968.

No Baltimore Afro-American, Sam Lacy, editor de esportes de 64 anos, que foi fundamental na integração da Major League Baseball duas décadas antes, disse que ficou envergonhado com a saudação quase-nazista, que ele julgou "infantil e de extremo mau gosto". (Comparações com as saudações de Hitler, em Berlim, 32 anos antes, eram frequentes.

O Los Angeles Times também chamou os punhos levantados de uma "saudação semelhante à do nazismo" e, no Chicago American, o jovem repórter Brent Musburger apelidou Smith e Carlos de "stormtroopers de pele negra".

O Pittsburgh Courier, por outro lado, publicou uma foto de primeira página da cena do pódio com a legenda “NEGRO E ORGULHOSO”.

Em alguns casos, as opiniões ficaram divididas, mesmo nos próprios jornais negros.

O repórter Sentinela de Los Angeles, Booker Griffin, chamou o protesto de “um dos maiores momentos para os afro-americanos nos 400 anos de colonização deste país”, enquanto seu colega, Brad Pye Jr., escreveu que ficou deslocado em um evento esportivo.

"Todos os países e todas as pessoas têm uma infinidade de problemas. Os Jogos Olímpicos não são uma plataforma para a solução de problemas”.

Um segmento do CBS Evening News, de 24 de outubro, mostrou o quão positivamente o gesto de Smith e Carlos foi recebido por muitos negros mais jovens. Depois de ser expulso do México por oficiais olímpicos brancos e responder a perguntas de um grupo de jornalistas brancos, Carlos foi consolado pelo apoio que recebeu da comunidade negra em seu retorno para casa.

Ao lado de Stokely Carmichael e H. Rap Brown em uma coletiva de imprensa em Washington, DC, e cercado por 2.000 estudantes da Howard University, Carlos sentiu e ouviu o amor.

"A partir deste dia", proclamou Carmichael, "os negros escolherão seus próprios heróis negros".

Carlos disse à multidão o quanto o apoio deles significava para ele.

“Há tantas pessoas brancas me dizendo que eu fui tolo. Estava em pé naquela plataforma, Tommie Smith e eu estávamos lá sozinhos. Fiquei muito honrado e feliz por voltar para casa, para a comunidade negra, descobrir que todos estavam lá com a gente”.

Cinquenta anos depois, Kaepernick emergiu como o sucessor de Smith e Carlos. Tanto em seu protesto visual contra o racismo, quanto no hino nacional (embora não haja uma imagem única e icônica associada a ele), além da gama de respostas do público e da mídia às suas ações.

Agora, quase todos os membros tradicionais da mídia esportiva que interpretaram as ações de Kaepernick para o público americano são brancos, embora a população branca não hispânica nos Estados Unidos tenha caído de 84% para 64% entre os censos de 1970 e 2010.

Segundo o professor de história afro-americana e história do esporte na Grand Valley State University, Lou Moore, as mídias sociais fazem com que mais vozes negras sejam ouvidas. Ainda assim, segundo ele, nos casos tanto de Smith e Carlos, quanto de Kaepernick, os críticos pegaram o caminho mais fácil quando falam sobre estilo, ignorando a substância.

“É semelhante, no sentido de que muitas pessoas estão descaradamente e de bom grado perdendo o foco. Quando as pessoas se referem diretamente a eles, ‘estão sendo desrespeitosos’. Estão ignorando, de forma voluntária, o que [Smith, Carlos e Kaepernick] estavam falando. Todos os pessimistas querem falar sobre a bandeira ou o hino, porque não querem ter essas conversas reais sobre o racismo”.

Um estudo de maio de 2018, feito pelo estudante de pós-graduação da San Jose State, Jack Hunter, ecoa o ponto de vista de Moore.

Analisando a cobertura dos protestos da mídia por Kaepernick, e outros jogadores da NFL entre agosto de 2016 e fevereiro de 2018, Hunter descobriu que a cobertura do motivo subjacente aos protestos (brutalidade policial) foi ofuscada pela cobertura da oposição aos protestos.

Muita coisa mudou desde aqueles dias na Cidade do México. Naquela época, podia-se andar de avião sem passar pela segurança, e depois acender um cigarro a bordo. Nenhuma mulher jamais havia servido na Suprema Corte, os cintos de segurança não eram obrigatórios e o homem ainda iria andar na lua.

Mas, quando se trata de atitudes americanas em relação a atletas negros politicamente ativos, Bass analisa que ainda estamos onde estávamos em 16 de outubro de 1968.

“Literalmente, nada mudou. É exatamente a mesma história”.

Andrew Maraniss é o autor do best-seller do New York Times: “Strong Inside: Perry Wallace and the Collision of Race and Sports in the South.” Seu próximo livro, "Games of Deception", sobre o primeiro time olímpico de basquete dos EUA nas Olimpíadas de 1936, em Berlim, será publicado em 2019.