<
>

Drew Brees, dos Saints, se aproxima de recorde em uma carreira improvável

Drew Brees mede 10 cm a menos que Tom Brady, 13 cm a menos que Peyton Manning, e mesmo assim vai alcançar o topo, uma marca nunca antes conquistada.

Nesta segunda-feira, no confronto entre New Orleans Saints e Washington Redskins, que terá transmissão da ESPN e do WatchESPN às 21h15 (de Brasília), registrará um momento histórico. Com mais 201 jardas, Brees vai superar Manning, tornando-se o quarterback com mais jardas lançadas na história da liga.

O recorde é ainda mais marcante por ser de um jogador que ficou perto de encerrar sua carreira ainda no colegial. Enfrentando o fato de ser “baixinho”, Brees ainda tinha que convencer as universidades de que a cirurgia no joelho pela qual havia passado não era problema. Só Perdue e Kentucky fizeram ofertas, e ele optou pela primeira por ter uma área acadêmica melhor.

Na universidade, ele bateu recordes e foi considerado um talento para ser recrutado na metade final da primeira rodada do draft. Teve que esperar um pouco mais, mas foi o primeiro nome da segunda rodada, selecionado pelos Chargers, então em San Diego.

A trajetória na NFL começou com muito tempo no banco de reservas, entrando em campo em apenas um jogo como calouro, quando substituiu Doug Flutie, machucado, contra o rival Kansas City Chiefs.

Apesar do fumble sofrido – e recuperado – na primeira jogada, Brees passou uma ótima impressão. Seu primeiro passe para touchdown na liga foi uma conexão de 20 jardas para Freddie Jones, virando para 20 a 19 um placar que era de 19 a 0 quando ele entrou em campo. Mas uma vitória só viria na segunda temporada.

Em 2002 Brees conquistou a posição de titular e comandou vitórias em seus quatro primeiros jogos, incluindo um 21 a 14 sobre o New England Patriots, então último campeão do Super Bowl, de Tom Brady. Só que o ano com 3.284 jardas, 17 passes para TD e 16 interceptações ficou longe de ser marcante.

Na temporada seguinte, mais um contratempo na carreira. Na derrota para o Chicago Bears, na Semana 9, ele foi para o banco, perdendo a posição para Flutie, após um começo 1-7. Em sua biografia, ele descreveu o momento como o “mais desanimador que já esteve”.

Titular novamente em 2004, Brees voltou a ficar “com a corda no pescoço” na Semana 4, depois de uma vitória e duas derrotas. O técnico Marty Schottenheimer avisou que ele estava a uma campanha de perder a posição para Philip Rivers, recrutado na primeira rodada daquele ano. A resposta? Uma vitória por 38 a 17 sobre os Titans e uma temporada que terminou em 12-4, com sua primeira eleição para o Pro Bowl e o prêmio de Retorno do Ano.

Mas o caminho de Brees ainda tinha mais algumas “lombadas”. Na última semana da temporada 2005, contra os Broncos, o quarterback sofreu uma grave lesão no ombro do braço direito ao tentar recuperar um fumble. Foi o ponto final de sua trajetória em San Diego.

Apenas New Orleans Saints e Miami Dolphins se interessaram pelo jogador, mas a equipe da Flórida tinha muitas dúvidas e desistiu, deixando o caminho aberto para Luisiana, com um contrato de seis anos e US$ 60 milhões, sendo US$ 10 milhões garantidos.

“Toda a expectativa era de que ele tinha passado por uma cirurgia que encerrava sua carreira. Mas ele teve muita disciplina. Ele teve um retorno inacreditável. E ele continua jogando”, disse James Andrews, médico responsável pelo procedimento no jogador.

Brees chegou aos Saints em um ano mais do que especial. Depois de passar um ano longe de casa como consequência do furacão Katrina, o retorno ao Superdome terminou com uma campanha 10-6, e uma derrota apenas na final da NFC, para o Chicago Bears.

O camisa 9 terminou com aquela que era sua maior marca, com 4.418 jardas lançadas (superou esse número nove vezes). Mas era o que ele fazia também fora de campo que encantava o torcedor. Por suas ações ajudando as vítimas do desastre natural, acabou premiado com o troféu Walter Payton Man of the Year.

"Muito disso é sentimento ao invés de visão. As pessoas talvez não acreditem nisso, e talvez seja diferente para os jogadores mais altos - eu não sei - mas tem vezes em que eu não vejo. Eu não consigo ver isso realmente com meus olhos. Mas eu consigo sentir isso" Drew Brees

Em 2008 ele conseguiu enfrentar seu ex-time pela primeira vez, batendo os Chargers por 37 a 32 em Londres.

E foi naquela temporada em que ele se tornou o segundo jogador na história da NFL a ultrapassar as 5 mil jardas lançadas. Nada muito difícil para aquele que já conseguiu fazer isso outras quatro vezes, sendo ele o único a conseguir quebrar esta barreira mais de uma vez e deixando bem para traz, em 2011, o recorde que Dan Marino havia sustentado por 27 anos.

Mas é pouco provável que ele troque o ano de 2009 por qualquer coisa no mundo. Na primeira semana, contra o Detroit Lions, a primeira partida com seis passes para TD. Na Semana 12, vitória sobre os Patriots com 18 de 23 passes completados, 371 jardas, cinco touchdowns e... um rating perfeito de 158.3.

Depois de um começo 13-0, Brees terminou a caminhada com o primeiro de seus três recordes de percentual de passes completados (70,62%), playoffs de oito touchdowns e nenhuma interceptação, e o título do Super Bowl, sendo MVP da vitória por 31 a 17 sobre o Indianapolis Colts de Peyton Manning.

Os Saints passaram por anos complicados, mas Drew Brees ficou longe de qualquer crítica. E a idade não atrapalhou em nada o seu jogo.

No ano passado, quando voltou aos playoffs após três anos, ele terminou com o menor número de tentativas (536), jardas (4.334), touchdowns (23) e interceptações (8) em seus 12 anos na franquia, mas registrou o novo recorde de passes completados (72%), tendo ainda a melhor marca de toda a história no quesito (67,1%).

“Bem, tem uma razão para colocarem a Semana 5 na noite de segunda. Eu não acho que nenhum de nós seja bobo”, brincou o quarterback durante a pré-temporada.

Ele está certo, já que tudo foi devidamente planejado. Depois de quebrar o recorde de passes completados, chegando a 6.301 contra Atlanta, na Semana 3, é hora de conquistar mais 201 jardas para alcançar mais um recorde.

E não há palco melhor para isso do que o Monday Night Football.