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NFL: Conheça a história dos jogadores que atuaram em uma, e apenas uma, partida na liga

Chegar à NFL é o sonho de praticamente todos os jogadores de futebol americano universitário. Dos cerca de 74 mil jogadores que jogam a NCAA (liga universitária dos EUA), apenas 1,5%, em média, consegue chegar à liga profissional.

À dificuldade de chegar à NFL, soma-se uma ainda maior, que é permanecer nos rosters (elencos) das franquias.

Segundo levantamento da NFL Player Association (NFLPA), a duração média de carreira de um jogador na liga é de 3,3 anos. Em algumas posições, esta média é ainda menor. Wide Receivers permanecem 2,81 anos. Running Backs têm média de 2,57. Cornerbacks, 2,84. E Quarterbacks, 4,4.

Mas há jogadores que chegaram à NFL, treinaram e trabalharam. Mas sentiram apenas uma vez o gostinho de entrar em campo em um jogo oficial da NFL. Conheça aqui as consequências, traumas, alegrias e histórias de cinco atletas que viveram essa situação.

Tony Dye - Bengals x Browns, 17 de novembro de 2013

Tony Dye fez um touchdown em sua estreia pelo Bengals. Após um companheiro desviar um punt, a bola sobrou para ele, quicando em sua frente. Ele a agarrou e correu por 24 jardas. Sem ouvir nada. Não ouviu a torcida gritar, não ouviu os companheiros, nem os adversários. Comemorou muito. E nunca mais jogou na NFL. Até hoje, ele não sabe por quê.

Dye também jogava hóquei no colegial, mas optou pelo futebol americano e, com isso, ganhou uma bolsa de estudos na UCLA. De lá, foi draftado e mudou-se para Cincinatti.

Após o primeiro Touchdown, ele ficou famoso na cidade. Vizinho do estádio, ele posou para muitos fotos e distribuiu autógrafos, o que lhe causava estranheza. Mas durou muito pouco. Na terceira semana, ele foi realocado no practice squad. E foi sumindo.

No fim da temporada, ele assinou com o Oakland Raiders. Ficou por lá por quatro meses. Foi tentar, então, uma vaga em Nova York. Fez um teste físico no New York Giants, quando descobriu que tinha uma problema no coração. Aos 24 anos, decidiu se aposentar.

Desde a faculdade, ele só sabia jogar futebol americano. Nunca havia feito nada diferente. Não sabia fazer nada diferente. Então, um dia, foi levar seu irmão a um treino de futebol americano no colégio e recebeu convite do técnico para ser coordenador ofensivo do time. Cargo que ainda ocupa.


Martin Nance - Vikings x Rams, 31 de dezembro de 2006

Martin Nance quase jogou um Super Bowl, mas ralou muito até esse dia. Mesmo sem ser draftado, ele assinou com o Bufallo Bills, antes de ser trocado para Minessota, onde pasou a maior parte da temporada no practice squad da equipe. Na semana 16, ele foi ativado para o time principal. Na semana 17, foi avisado de que atuaria contra o St. Louis Rams, justamente o time de sua cidade-natal.

Em sua primeira jogada, sofreu um fumble, recuperado pelos colegas. No total, Nance fez quatro recepções, para 33 jardas na partida, diante de sua noiva e de seus familiares. Mas nunca mais jogou pelos Vikings. Em uma negociação por escolhas do draft, foi para Pittsburgh. Amigo de Big Ben Roethlisberger, ele assinou com os Steelers.

Nance passou a temporada 2008 no Practice Squad da equipe. Mas, em fevereiro de 2009, recebeu um aviso: provavelmente, ele seria escalado para o Super Bowl, se o titular da equipe, Hines Ward, não estivesse saudável para jogar. Ward se recuperou, Nance não jogou, e se aposentou na sequência.

Martin Nance foi para a Universidade de Michigan, arrumou um estágio em uma empresa de isotônicos, que inclusive patrocina a NFL, onde trabalha, feliz, no departamento de marketing. Mas ainda guarda com orgulho o anel de campeão que recebeu pelos Steelers.


Brandon Coutu - Patriots x Bills, 1º de janeiro de 2012

Kicker, Coutou foi draftado pelo Seattle Seahawks na sétima rodada em 2008. Naquela temporada, a equipe decidiu, de modo atípico, manter dois kickers no elenco - Olindo Mare era o outro. Coutu não foi ativado em nenhum jogo. No dia em que a equipe fazia seu jogo 17 da temporada, ele passava por uma cirurgia de quadril.

No começo do ano seguinte, o jogador foi dispensado pelo time de Seattle. Foi só dois anos e mais uma cirurgia de quadril depois que ele voltou a aparecer num roster. Passou três semanas no Seahawks, de novo, antes de ir para o Jaguars e, por fim, para o Buffalo Bills.

Coutou assinou para ser o kicker do Bills no último jogo da temporada, justamente contra o maior rival Patriots. Na derrota por 49 a 21, ele perdeu um field goal de 45 jardas, acertou três extra points e chutou quatro kickoffs. E nunca mais jogou na NFL.

Hoje, vice-presidente de uma imobiliária de alto padrão em Nova York, Coutou evita falar de sua antiga carreira. Triste, por acreditar que tinha talento para ir mais longe, se não tivesse se lesionado tanto.


Mark Reed - Colts x Bills, 16 de outubro de 1983

Reed já estava há três temporadas na NFL quando entrou, no último quarto de um jogo contra o Bills, no lugar de quarterback Mike Pagel, pelo então Baltimore Colts.

Ele completou seis de dez passes que tentou, para 34 jardas, e sofreu uma interceptação, que ainda lamenta, 35 anos depois, conforme revelou em entrevista para o jornal NY Times.

Único draftado da história da Universidade de Moorhead, em Minessota (Giants, em 1981), ele foi treinado por um grupo que reunia, entre outros, nada menos que Bill Bellichick e Bill Parcels.

Reed nunca mais jogou na NFL. Mudou-se, depois, para a United States Football League, uma liga secundária. Em 1984, ele abandonou o esporte e se formou em engenharia.

Hoje, há 32 anos na 3M, ele comanda cinco fábricas e sempre pendura nas paredes de seus escritórios um quadro em que figura no elenco do Colts. E, quando conta para alguém que jogou na NFL, diz, com muito orgulho, que teve um percentual de 60% de acerto nos passes.


Alex Silvestro - Patriots x Dolphins, 24 de dezembro de 2011

Silvestro estudou em Rutgers antes de ser draftado pelos Patriots. Na equipe de Tom Brady e Bill Bellichick, ele teve a chance de jogar uma única vez, contra Miami, na semana 16 de 2011.

Na vitória por 27 a 24, ele conseguiu dois tackles e quase sacou o QB Matt Moore. Sua carreira em campo em um jogo oficial resumiu-se a 11 snaps. Dos quais ele se recorda com orgulho.

No mesmo ano, de novo membro do Practice Squad, ele foi tornado ativo na semana do jogo mais importante do ano. Não entrou. Esteve perto de fazê-lo quando Rob Ninkovich errou uma jogada. Ele chegou a pegar seu capacete, mas foi mandado de volta para o banco. De onde viu a derrota por 21 a 17.

Ele foi então para o Ravens, onde ficou no Practice Squad e foi para mais um Super Bowl. Dessa vez, no entanto, ele não foi tornado ativo. O que não o impediu de celebrar a vitória sobre o San Francisco 49ers e guardar até hoje seu anel com muito orgulho.

O contrato com os Ravens se encerrou e ele jogou por uma temporada na Canadian Football League, com o Montreal Alouettes. Antes de voltar para Nova Jersey e se tornar bancário.

Silvestro não esconde seu passado e ainda torce pelos Patriots. Tem orgulho de ter passado por lá. Mas, até hoje, lamenta não ter entrado naquele Super Bowl, para qual foi inesperadamente convocado. "O que teria acontecido se eu entrasse? Eu teria ajudado o time a vencer aquele jogo?", ele ainda se pergunta. Em vão.


Tommy Sims - Patriots x Colts, 7 de setembro de 1986

Escolhido na sétimo rodada pelo Indianapolis Colts, em 1986, Sims iniciou o primeiro jogo da temporada como strong safety titular contra o New England. Ainda no primeiro tempo, ele realizou quatro tackles e, ao tentar conter o futuro Hall of Famer Andre Tippett, perdeu o fôlego - mas seguiu no jogo.

Seus familiares decidiram não viajar da Georgia para Massachussets para vê-lo estrear. Preferiram se poupar para o jogo da rodada seguinte, contra o Dolphins, em Miami.

No terceiro quarto, ao correr para a linha lateral e tentar um tackle, sua perna se prendeu na grama artificial do Sullivan Stadium. Ele havia rompido o ligamento cruzado anterior do joelho direito. E teve de passar por quatro cirurgias na sequência. Que lhe deram estabilidade, mas roubaram-lhe a agilidade.

Sims ficou mais um ano no Colts. Tentou, depois, jogar no Tampa Bay Bucaneers, sem sucesso. Sem poder jogar, entrou em depressão. Não queria nem ver os jogos na TV. Todos os seus amigos estavam jogando. Menos ele. Até que um dia, decidiu que tinha de deixar o passado para trás.

Hoje, como agente de jogadores, Sims usa muito a sua experiência para motivar seus clientes. Ajudá-los a aproveitar a carreira. Retribuir para a sociedade aquilo que a fama lhes dá.

Mais do que sofrer por ter jogado apenas uma vez na Liga, ele sofre por ter ido parar no Colts. Isso porque, antes do draft, o Washington Redskins havia lhe comunicado que tinha intenção de contratá-lo. Nunca o fez. E ganhou dois Super Bowls sem ele.