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Conheça o campeão da NFL que não jogou o Super Bowl e usou a mágica para superar um enorme trauma

Jon Dorenbos é muito querido pela torcida dos Eagles Andy Lewis/Icon Sportswire via Getty Images

Costuma-se dizer na NFL que um bom long-snapper é aquele que passa toda sua carreira sem que os torcedores saibam seu nome. Afinal, entrando em campo apenas em situações de chute para executar uma ação tão específica, ele só é lembrado quando comete algum erro.

No caso de Jon Dorenbos, a situação é bem diferente. Nesta sexta-feira e no sábado ele deve ter casa cheia em seu espetáculo de mágica no SugarHouse Casino, na Filadélfia, cidade na qual ele é um ídolo por sua trajetória no Philadelphia Eagles.

Dorenbos já não estava no elenco que venceu o New England Patriots em fevereiro, no Super Bowl LII. Na verdade ele já era um ex-jogador, aposentado pouco depois de ter sido trocado para o New Orleans Saints.

Mesmo assim ele estava em cima do caminhão na passeata de comemoração pelo título inédito, e ganhou um anel de campeão.

Como fazer para ser reconhecido, amado e respeitado por um time e toda uma torcida mesmo tendo uma função tão ingrata? Não existe apenas uma resposta, mas ela envolve sim a magia.

Sua trajetória na NFL começou em 2003, assinando um contrato de calouro não recrutado com o Buffalo Bills. E a estreia não poderia ter sido melhor: vitória por 31 a 0 sobre o New England Patriots, que viria a conquistar seu segundo título naquela temporada.

Uma lesão no ligamento do joelho em 2004 encerrou sua trajetória em Buffalo e o levou para o Tennessee Titans em 2005, sendo dispensado no final da temporada de 2006 para chegar ao Philadelphia Eagles.

Foram 11 anos no time da Pensilvânia até ser trocado – em uma operação que foi lamentada por muitos torcedores – para os Saints. Em New Orleans ele foi diagnosticado com um aneurisma da aorta e precisou passar por uma cirurgia de emergência, sendo dispensado e forçado a aposentar-se.

Mas não é sua apenas trajetória na NFL e o risco que correu com um problema cardíaco que torna a história de Jon Dorenbos em algo que mereça ser contada.

Na verdade, tudo começa mesmo no dia 2 de agosto de 1992. Ele conta que brincava com amigos no gramado próximo à sua casa quando ouviu o sino tocar. Era o sinal para voltar para sua residência.

Seu pai lhe disse que a mãe havia saído para andar com amigas, eles jogaram xadrez e ele foi dormir. Na manhã seguinte, ainda sem encontrar com a mãe, ouviu do pai que ela havia ido nadar no clube. Horas depois seu pai se entregaria à polícia por ter matado a esposa com um golpe usando um esmeril.

Após a condenação do pai a 13 anos de prisão, Jon e sua irmã Kristina ficaram na casa da família Robson até encerrarem o ano letivo e depois seguiram de Woodinville, no estado de Washington, e foram para Garden Grove, na Califórnia, para morar com uma tia.

Foi então que Jon Dorenbos conheceu a mágica através de um vizinho e passou a usar isso como uma forma de superar o trauma.

“Cartas, moedas, bolas de espuma e fogo. Do que mais você precisa? Nada. Ele me inspirou a aprender mágica. Então eu vi David Copperfield na TV e isso me inspirou a ser um mágico e artista”, disse.

Os truques caminharam junto com o futebol americano. Os colegas de Eagles contam que por diversas vezes o vestiário da equipe virou em um palco para pequenos espetáculos. Até que em 2016 os holofotes aumentaram.

Jon Dorenbos se apresentou para todo o país no programa America’s Got Talent, recebendo uma avaliação máxima de um dos jurados, Ne-Yo, e indo direto para a rodada seguinte. Ele chegou até a final, aproveitando para contar sua história, e acabou em terceiro na edição que teve Grace VanderWaal como vencedora.

O antigo dono da camisa 46 dos atuais campeões do Super Bowl tem como lema que “A vida é mágica”. E se ele diz isso, fica difícil duvidar.