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Uma coisa é certa: Super Bowl não terá quarterback canhoto; veja por que eles estão em extinção

Na noite da segunda-feira a conquista do título nacional de Alabama teve um personagem central. Tua Tagovailoa assumiu o posto de quarterback no segundo tempo e comandou a espetacular virada da equipe de Nick Saban.

Apesar de esperarmos decisões como esta na sequência dos playoffs da NFL e também no Super Bowl, ao menos um detalhe não vai se repetir: o braço de onde saiu o lançamento para o TD da vitória.

Isso porque a grande surpresa sobre o herói da noite ficou não apenas pelo fato dele ser um calouro, recém-saído do colegial, havaiano, mas sim por ser, principalmente, um quarterback canhoto, uma espécime em extinção.

Desde o draft de 2010, quando os canhotos Tim Tebow e Sean Canfield foram selecionados como número 1 e na sétima rodada, respectivamente, 81 quarterbacks foram recrutados e nenhum deles tinha o braço esquerdo como dominante.

Steve Young foi o grande nome da “categoria” na história da NFL, sendo o único QB canhoto no Hall da Fama do esporte, mas Michael Vick, nome mais famoso do esporte no ínicio dos anos 2000, também deu sua contribuição, apesar de não ser conhecido por seus passes, mas pelas corridas.

Mas, em 2017, Kellen Moore foi o único canhoto a iniciar a temporada como quarterback na NFL, foi cortado no meio dela e assinou para o time de treinamentos. Agora, está aposentado.

Não são poucos os motivos que tentam explicar porque não há um só canhoto jogando na posição, sendo que eles representam 10% da população mundial, e nos Estados Unidos a estatística é igual.

Para começar, alguns canhotos acabam deixando a bola oval quando ainda são crianças.

Um canhoto com braço forte o suficiente para lançar uma bola acaba sendo encorajado a ir para o beisebol, esporte que valoriza muito mais aqueles que usam o braço esquerdo, como os arremessadores Clayton Kershaw, dono do maior salário do último ano, Chris Sale e CC Sabathia.

Caso insista no sonho de jogar com a bola redonda, encontrará resistência de técnicos e recebedores.

Para os wide receivers a reclamação é a diferença que a bola toma. Isso porque no lançamento do destro, a rotação da bola ao sair da mão do quarterback é no sentido horário, enquanto o canhoto dá o efeito o contrário.

Este pequeno detalhe traz alterações na forma de receber os passes, e na trajetória da bola em passes mais longos. Em um esporte em que a sintonia é tão essencial, tudo é levado em conta. Em minoria, os canhotos acabam preteridos.

Já com os treinadores os problemas são vários. Para começar existe a formação da linha que protege o quarterback. Geralmente o jogador da esquerda, o left tackle, é responsável por proteger o lado cego, que muda quando trata-se de um canhoto. É preciso então encontrar um especialista destro, algo mais raro.

Como a maioria das pessoas é destra, o livro de jogadas costuma ser preparado totalmente para jogadores que vão lançar com o braço direito. Ter um canhoto no elenco exige que tudo seja modificado e, caso você tenha dois quarterbacks no elenco e eles lancem com braços opostos, qualquer treinamento vira uma grande confusão.

Além de tudo, há casos como o de Kyle Shanahan, técnico dos 49ers, que disse, em entrevista ao FiveThirtyEight, preferir destros simplesmete por ele também usar o braço direito e, desta forma, ser mais fácil para demonstrar algo como o trabalho de pernas e a mecânica de arremesso.

Mas não é apenas na posição de quarterback que o lado mais hábil do corpo parece fazer diferença. O técnico Bill Belichick só trabalha com punters canhotos nos Patriots. A explicação é que a espiral que a bola toma depois do chute também é diferente e, por ser mais raro encontrar quem chuta com a esquerda, é mais difícil que o retornador esteja acostumado a isso.