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Íbis e tabajaras: conheça os piores times da história nas quatro grandes ligas dos EUA

O Cleveland Browns está prestes a se tornar a segunda equipe na história da NFL a perder 16 jogos em uma temporada.

O Detroit Lions foi o primeiro a fazer isso, em 2008, com um um saldo de 249 pontos negativos ao longo do ano. Os Lions daquela temporada são considerados a pior equipe da história da NFL. Isso nos faz pensar, quais são os piores times que já existiram nas outras três grandes ligas americanas?

Uma homenagem ao Íbis, autodenominado pior time de futebol do mundo, e ao finado Tabajara, com sua camisa amarela e roxa sempre na memória dos fãs de "Casseta & Planeta".

Veja abaixo

MLB: 2003 Detroit Tigers

Técnico: Alan Trammell

Campanha: 43-119

Resumo da temporada: Sim, os Mets de 1962 terminaram a temporada com 40-120, mas se tratava de um time em seu primeiro ano na Liga. Esta foi uma franquia estabelecida, que gastou 10 anos se estruturando para ser historicamente horrível. Em 2002, os Tigers já havia sido pifíos e tiveram 106 derrotas, mas, de alguma forma, conseguiram ser ainda piores no ano seguinte, perdendo 13 jogos a mais e “ganhando” este posto indigesto na história do beisebol. No primeiro ano sob o comando de Trammell, o calvário da equipe começou imediatamente. Os Tigers perderam de forma consecutiva os primeiros nove jogos e registraram 1-17 após 18 partidas. Provando que o ano estava mesmo fadado ao fracasso, a franquia teve uma sequência de 1-15 em agosto, incluindo 11 derrotas consecutivas, e outra em setembro, quando venceu apenas um jogo e perdeu outros 16.

O melhor arremessador dos Tigers era Mike Maroth, que foi 9-21 e 5,73 ERA (média de corridas cedidas a cada nove entradas); ele foi o último pitcher a perder 20 jogos e o único desde 1980. O calouro Jeremy Bonderman teve 6-19 e um ERA de 5,56, enquanto Nate Cornejo foi 6-17 com um ERA de 4,67 e apenas 46 strikeouts em 194 2/3 turnos. Em nove jogos, ele conseguiu forçar um strikeout sequer a um rebatedor. Chirs Mears e Franklyn German terminaram a temporada liderando o time com cinco eliminações.

Existe um jeito de ilustrar o quão era esse time dos Tigers. Em jogos decididos por apenas uma corrida, a equipe teve 19-18 retrospecto. Mas, quando a partida terminou com cinco ou mais corridas de diferença, Detroit ganhou apenas sete jogos e perdeu 40. Os Tigers terminaram 17 jogos sem conseguir uma corrida sequer, enquanto em outras 21 cederam 10 corridas ou mais aos adversários. Eles tiveram 20 vitórias a menos do que o segundo pior time da MLB em 2003, o Tampa Bay Rays.

A equipe começou a última semana da temporada com 38-117, se aproximando do recorde dos Mets de 62. A mídia nacional começou a pressionar o time de Detroit. Eles perderam por 12 a 6 para os Royals na segunda-feira, mas venceram as duas partidas seguintes e bateram os Twins por 5 a 4 na quinta-feira, com um homerun de Shane Walker na 11ª entrada. Depois de perder na sexta-feira, os Tigers precisavam vencer os dois últimos jogos para não igualar o recorde dos Mets. Então aconteceu o “Saturday Night Miracle”. Depois de estar perdendo por 8 a 0, Detroit conseguiu virar e vencer po 9 a 8. A corrida da vitória, na verdade, ocorreu quando Warren Morris acertou uma rebatida crucial e Alex Sanchez partiu da terceira base para anotar a pontuação da vitória, concretizando a maior vitória da franquia desde 1965. Os Tigers ainda precisavem vencer no domingo. Com um homerun na sexta entrada de Craig Monroe, eles venceram por 9 a 4. O arremessador da vitória? Maroth.

O que aconteceu depois: O gerente da franquia Dave Dombrowski, que havia assumido em abril de 2002, começou a reconstrução da equipe. Ele acertou a chegada de Ivan Rodriguez e Rondell White, além da vender Carlos Guillen antes da temporada 2004. Com a segunda escolha do Draft, os Tigers selecionaram Justin Verlander (que caiu para Detroit após os Padres optarem por Matt Bush). Detroit então melhorou para um 72-90. No ano seguinte, os Tigers trouxeram Magglio Ordonez e trocaram Placido Polanco por Ugueth Urbina com Phillies, durante a temporada. O time terminou a temporada com 71-91, e Dombrowski sentiu que estava na hora de fazer uma grande movimentação. Ele demitiu Trammell e contratou Jim Leyland para a temporada 2006.

Os Tigers ainda fizeram duas grandes transações, trazendo Kenny Rogers e Todd Jones. O investimento em jovens jogadores, que havia sido ineficiente por mais de uma década, deu origem a Verlander, Curtis Granderson e Joel Zumaya, qua disputaram juntos suas primeiras temporadas completas. A franquia realizou uma das maiores surpresas da história da MLB. Em três anos, elevaram o número de vitórias a 95 e chegaram na Wolrd Series, onde foram derrotados pelos Cardinals em cinco jogos.

Aspas: "Nós não somos a pior equipe no beisebol, não importa o que digam. Vamos ter uma melhor porcentagem de vitórias do que os Mets, não igualaremos o recorde deles. Você deve comparar maçãs com maçãs, não maçãs com laranjas. ok? Eles jogaram 160 jogos e nós iremos jogar 162”, disse Carlos Pena, ex-jogador dos Tigers, depois da dramática vitória no sábado à noite.

-- David Schoenfield

NBA: 2011-12 Charlotte Bobcats

Técnico: Paul Silas

Campanha: 7-59

Resumo da temporada: Quando o locaute de 2011 da NBA terminou, experts e fãs se perguntaram qual time sofreria mais com a pausa estendida e e pré-temporada encurtada. Não demorou muito para se descobrir. Os Bobcats, que estavam saindo de uma temporada medíocre, mas não terrível, até ganharam o primeiro jogo (por um ponto), mas então perdeu incríveis 26 de seus próximos 28 jogos, os deixando com um recorde de 3-26 em meados de fevereiro.

Incrivelmente, o time conseguiu vencer quatro jogos nos próximos 30 dias – não exatamente muito a se comemorar, mas ao menos uma vasta melhora em relação às suas primeiras semanas – colocando o Charlotte com 7-36 com 23 partidas a serem jogadas. Uma única vitória nesses 23 jogos seguintes daria aos Bobcats uma porcentagem de vitórias de 12%, um pouco melhor que o 9-73 do Philadelphia 76ers de 1972-73. Mas nem isso eles conseguiram. Os Bobcats terminaram a temporada com 23 derrotas consecutivas, cimentando seu lugar na história.

Apesar de esse time de Charlotte não ser desprovido de talento, ele tinha em sua maioria ou jogadores muito novos (calouro Kemba Walker, por exemplo), ou muito velhos (Corey Maggette, em sua penúltima temporada da NBA). O mais emblemático dos Bobcats das sete vitórias era provavelmente Boris Diaw, ex-primeira escolha do Draft que estava tão fora de forma e inefetivo que acabou sentando no banco de reservas e acabou saindo na metade da temporada. Ele, então, foi contratado pelo San Antonio Spurs, onde ele acabou transformado em um agente principal na chegada à final.

A má-sorte do Charlotte se estendeu até a pré-temporada, quando acabou ficando atrás de New Orleans e perdendo Anthony Davis.

O que aconteceu depois: Depois de selecionar Michael Kidd-Gilchrist na escolha após Davis e trocar Silas por Mike Dunlap, os Bobcats começaram bem em 2012-13. Eles venceram sua primeira partida da temporada novamente, acabando com as 23 derrotas consecutivas e levou ao Charlotte só 12 jogos para igualar o mesmo número de vitórias da temporada anterior. No entanto, as coisas rapidamente “voltaram ao normal” e o time terminou com 21-61 na primeira e única temporada de Dunlap à frente da franquia. Entretanto, a temporada seguinte, a última em que o time ficou conhecido como Bobcats -, conquistou uma virada.

Steve Clifford foi contratado como substituto de Dunlap e imediatamente mudou a identidade defensiva do time, ficando em quinto como melhor marca defensiva em 2013-14. Al Jefferson, aquisição agente livre, tornou-se uma verdadeira ameaça dos Bobcats nos dois cantos da quadra, com uma média de 21,8 pontos e 10,8 rebotes por jogo, e Walker, agora em sua terceira temporada, com 17,7 pontos e 6,1 assistências por jogo. Os Bobcats terminaram com um impressionante e inesperado 43-39, mas foram varridos pelo defensor do título Miami Heat na primeira rodada dos playoffs em uma série que esteve limitado por conta de uma lesão no pé.

Os agora Hornets deram um passo atrás em 2014-15, mas retornaram aos playoffs um ano depois e conquistaram sua primeira vitória nos playoffs desde 2002, mas caíram para o Heat de novo em sete jogos.

Aspas: O dono Michael Jordan, que jogou no Chicago Bulls a quem pertence o recorde de vitórias numa temporada, resumiu a temporada de 2011-12 dos Bobcats em novembro de 2012 dizendo que a franquia “atingiu o fundo do poço”, adicionando que “eu não estou realmente feliz com a possibilidade de entrar no livro dos recordes. É muito, muito frustrante”.

-- Adam Reisinger

NFL: 2008 Detroit Lions

Técnico: Rod Marinelli

Campanha: 0-16

Resumo da temporada: Os Lions – pelo menos até hoje – são o único time 0-16 na história da NFL. Isso veio depois de uma pré-temporada 4-0, mostrando a natureza sem sentido do jogo-exibição. Sinais de uma potencial ano duro começou em 2007, no entanto, quando os Lions perderam sete dos últimos oito jogos. A grande questão de Detroit foi não poder parar ninguém. Os Lions foram os últimos na liga em defesa corrida e 27º em defesa contra o passe. Eles permitiram 32,31 pontos por jogo. Ofensivamente, eles não foram muito melhores, ranqueando em 30º no ataque (268,3 jardas por patida) e no jogo corrido (83,3 jardas por partida). Eles também marcaram apenas 16,75 pontos por jogo, 27º na lista daquele ano. Eles perderam 10 de seus 16 jogos por duplos dígitos.

Incluindo Jon Kitna, que foi colocado na reserva dos lesionados após os quatro primeiros jogos da temporada, os Lions escalaram cinco quarterbacks naquela temporada com três titulares diferentes. Nenhum deles teve uma porcentagem de passes completados acima dos 56,7% de Kitna.

Defensivamente, os Lions tiveram apenas quatro interceptações em toda a temporada e permitiram aos quarterbacks rivais completarem 68,4% dos passes contra eles. Essencialmente, Detroit tinha que jogar perto da perfeição para ganhar uma partida, e isso nunca aconteceu, ainda que tenha ficado próximo disso contra o Minnesota Vikings na semana 5 (uma derrota de 12-10 que incluiu o quarterback Dan Orlovsky correndo para a end zone e um field goal da vitória de Ryan Longwell com nove segundos restantes) e contra o Chicago Bears na semana 9, quando os Lions desperdiçaram uma vantagem de 10 pontos até o intervalo para perder por 27 a 23.

O que aconteceu depois: As mudanças começaram durante a temporada de 2008, quando o presidente/general manager da equipe, Matt Millen, foi demitido. Após a temporada, os Lion dispensaram também o técnico Rod Marinelli. Detroit os substituiu com o presidente Tom Lewand, o general manager Martin Mayhew e o técnico Jim Schwartz. Eles então pegaram o quarterback de Georgia Matthew Stafford como pick número 1 no draft de 2009.

As temporadas de 2009 e 2010 foram duras, mas os Lions chegaram aos playoffs com uma campanha 10-6 em 2011 após Stafford lançar para 5.038 jardas, 41 touchdowns e 16 interceptações. O sucesso do grupo, porém, foi efêmero. Schwartz foi demitido após duas temporadas abaixo do 50% e substituído por Jim Caldwell. Lewand e Mayhew foram dispensados no meio da temporada de 2015, e Detroit contratou o presidente Rod Wood e o general manager Bob Quinn para substituí-los.

Como franquia, os Lions melhoraram desde 2009 e foram aos playoffs em 2011, 2014 e 2016, mas eles ainda estão no mundo da mediocridade. Detroit tem apenas uma vitória em playoffs na era Super Bowl e não ganha um título de divisão desde 1993.

Aspas: “Nós estávamos brigando na defesa para parar os times e não estávamos sendo bons o bastante no ataque para superar ninguém. Então, foi uma combinação de coisas. Alguns dos jogos foram por pouco. Cleveland entrou nessa neste ano. Eles ganharam aquele um jogo, o 15º ou 16º jogo para ganhar. Às vezes você continua jogando e fazendo o melhor que você pode, e nem isso é o bastante” – Jim Colletto, ex-coordenador ofensivo dos Lions.

-- Michael Rothstein

NHL: 1974–75 Washington Capitals

Técnicos: Jim Anderson (4-45-5), Red Sullivan (2-16-0), Milt Schmidt (2-6-0)

Campanha: 8-67-5 (21 pontos)

Resumo da temporada: Se o Vegas Golden Knights foi criado para ter sucesso na temporada de expansão da NHL em 2017, a expansão do Washington Capitals foi destinada a falhar em 1974. As regras foram duras: os 16 times da NHL poderiam proteger 15 jogadores e então puxar um jogador de cada time para o qual eles perderam alguém. Mas o grande impedimento para o novato Capitals foi uma lista de fracos talentos sem precedentes. Incluindo Washington, a NHL adicionou 10 times em um espaço de seis anos, enquanto os 14 times rivais da Associação Mundial de Hóquei também estava aspirando jogadores.

Os Capitals foram um time ruim no papel e o pior de todos os tempos no gelo. Existiram 1.506 equipes nas temporadas da NHL durante os últimos 100 anos; os Capitais coletaram 13,1% de seus pontos possíveis, o que o coloca em número 1.506 no ranking. Seus 5,58 gols cedidos por partida os coloca como a pior defesa da história da NHL (com pelo menos 60 jogos). Eles também ajudaram com isso, usando calças brancas que eram facilmente sujadas.

Mas eles tiveram um senso de humor quanto a isso, pelo menos em uma noite. Após vencer em Oakland para encerrar uma sequência de 37 partidas de derrotas fora de casa, o atacante Tommy Williams pegou uma lata de lixo do vestiário, fez alguns companheiros de time assinarem nela, e alguns Capitals voltaram ao rink em celebração, chamando de “The Stanley Can” (uma paródia à Stanley Cup, a taça de campeão).

O que aconteceu depois: os Capitais seguiram a pior temporada na história da NHL com o que é hoje a 12ª pior – 11-59-10 em 1975-76, com 20% dos pontos conquistados e 25 jogos seguidos sem uma vitória. A única coisa notável nos próximos anos foi o defensor Yvon Labre, cujo número foi aposentado após 334 partidas com a equipe.

Washington finalmente alcançou os playoffs em seu nono ano após o técnico das ligas menores Bryan Murray ser contratado apesar de ter dado a Don Cherry total controle da equipe. Os Capitals chegaram aos playoffs por sete temporadas seguidas sob o comando de Murray e 14 temporadas consecutivas no geral de 1982 a 1996.

A franquia pode ser dividida em quatro eras: seu começo patético, sua consistência nos playoffs, a loucura da troca por Jaromir Jagr e o consequente trabalho de reconstrução nos começo dos anos 2000, e o pós-locaute de 2005 na era “Rock The Red” estrelada por Alex Ovechkin. Mas os Capitals chegaram à final da Stanley Cup apenas uma vez como franquia, perdendo em 1998 para o Detroit Red Wings, então a contagem continua uma Stanley Can, zero Stanley Cups.

Aspas: “Foi uma equipe de hóquei muito assustadora, não há um monte de coisas que você lembre sobre isso como ótimo. Você olha para um monte de coisas que aconteceram, (como ceder) 13 gols para Buffalo e quatro deles por seu próprio defensor. Você poderia fazer um filme muito bom sobre isso”, disse o goalie Ron Low, via NHL.com.

-- Greg Wyshynski

Tradução de Andrei Paternostro, Antônio Strini e Leonardo Ferreira. Texto original publicado no ESPN.com