<
>

O efeito das pancadas na milionária NFL e no futebol americano: fazer seguro para corpo dos atletas fica mais difícil

Contusões aterrorizam a temporada da NFL Getty

Na NFL uma lesão pode custar um jogo, uma vaga nos playoffs, uma temporada toda, ou até mesmo a carreira de um jogador. Invariavelmente, deixar o campo machucado custa muito dinheiro.

Um jogador que é colocado na lista dos contundidos, seja antes ou durante a temporada, segue recebendo normalmente o que está garantido em seu contrato (perde apenas os bônus por desempenho).

Desta forma, os 467 que foram reportados como lesionados até a semana 15 custaram mais de US$ 324,6 milhões ( R$ 1,06 bilhão) às 32 franquias, isso sem contar quanto foi pago ao substituto.

Um exemplo é Ryan Tannehill, que voltou a ter um problema no joelho na pré-temporada, e recebeu seus US$ 17,9 milhões (R$ 58,9 milhões), e ocupou mais de US$ 20 milhões no total que os Dolphins tinham para gastar.

Mas o problema físico também pode significar perda de dinheiro para o quarterback, que tem seu futuro sendo questionado na franquia e, ao termino deste vínculo, sabe que sua condição física será questionada por qualquer time interessado.

Por esse motivo muitos jogadores da liga, e praticamente todos os atletas universitários que são cotados a sair nas primeiras três rodadas do draft, possuem seguros que incluem “perda de valor” em caso de qualquer problema físico.

Universitários em ano de recrutamento e profissionais próximos ao fim de seus contratos pagam entre US$ 5 mil e US$ 15 mil por uma cobertura de um ano e US$ 1 milhão, previnindo que um problema mais grave acabe deixando-o com os bolsos vazios. A PFS, seguradora que também lida com artistas e outros profissionais, oferece planos que cobrem até mesmo as perdas que uma lesão causa com relação aos bônus dos contratos.

No último draft, um caso ficou famoso. O tight end Jake Butt, de Michigan, pagou US$ 25 mil para um contrato de US$ 2 milhões em caso de “perda de valor”. Se uma lesão o empurrasse para o fim da terceira rodada, ele seria indenizado.

Com uma lesão nos ligamentos do joelho, o atleta, eleito o melhor do país na posição em 2016, foi selecionado pelos Broncos apenas na quinta rodada, deveria receber US$ 543 mil, mas afirmou que “muita coisa precisava acontecer” para ele ver o dinheiro. E a briga com as seguradoras por indenizações não é um caso isolado. Marqise Lee, dos Jaguars, processou o Lloyd’s, da Inglaterra, em US$ 4,5 milhões depois de negarem a pagar pela perda de valor, quando caiu da primeira para o meio da segunda rodada do draft em 2014.

Contudo, as pancadas na cabeça e as recentes descobertas sobre os danos que as concussões podem causar dificultaram um pouco a contratação destes seguros.

A AIG, gigante da área, já comunicou que não vai cobrir por lesões na cabeça em jogadores da NFL. Tudo por que eles ainda brigam com a liga para não ter que pagar US$ 1 bilhão em casos deste tipo. Eles afirmam que a liga não foi honesta sobre este fator de risco no ato da contratação.

A seguradora também parou de trabalhar com jogadores da Pop Warner, liga de atletas entre 5 e 18 anos, mas segue patrocinando a US Football, entidade sem fin lucrativos que tenta diminuir as concussões no esporte ensinando, entre outras coisas, a melhor forma de dar um tackle.

Tais iniciativas fazem todo sentido. Uma pesquisa da Universidade de Yale concluíu que se os esportes de contato fossem sem contatos, isso evitaria, por ano, 49.600 lesões entre atletas homens na universidade, e 601.900 no esporte colegial.

A economia nestes casos seria de US$ 1,5 bilhão nas universidades e US$ 19,2 bilhões nas escolas, somando-se os gastos médicos ao tempo perdido.

Iniciativas como o U.S. Football não devem extinguir o problema, mas podem reduzir um pouco o prejuízo de todos.