<
>

Conheça o 'manual' para treinar um time com LeBron James

Quando o Los Angeles Lakers começar a entrevistar candidatos para o posto de técnico principal, como lidar com LeBron James será um dos principais tópicos. Sempre é.

É uma experiência desafiadora, estressante, pública e muitas vezes embaraçosa. É também uma experiência enriquecedora, gratificante e muitas vezes maravilhosa.

Pode ser difícil abraçar essa causa. Pode ser mais difícil ainda defini-la. Essa é uma das razões pela qual os candidatos citados hoje pela mídia -- Ty Lue, Monty Williams e Juwan Howard – têm prévias experiências em treinar LeBron James. Lue e Howard na NBA, e Williams na seleção dos Estados Unidos.

Tomando como base os últimos 16 anos, aqui vai o melhor que conseguimos. O manual para treinar um time com LeBron James.

ENTENDER A ARTE DA INFLUÊNCIA SEM ENVOLVER OS DONOS DO TIME

Muitas vezes parece que os observadores de James querem classificar seus atos em termos claros e curtos. Ele trocou esse jogador. Ele conseguiu que o treinador fosse demitido. Ele assinou com esse outro cara. Deu origem ao conceito, por exemplo, de que James era o "GM" do Cleveland Cavaliers.

Ah, quantas vezes isso está tão longe da verdade. Em perfeita ironia, apesar do que o mundo assume, às vezes as equipes desejam que LeBron se manifeste sobre esse ou aquele assunto. É que frequentemente ele não está disposto a fazer solicitações clara, que podem se tornar um problema para ele e para o time. Às vezes, as equipes adorariam uma resposta de preto no branco, enquanto James geralmente opera em um mundo cinza.

James dominou a arte de influenciar decisões sem se apropriar delas. Se ele emitisse um edital rígido e rápido, a equipe saberia que ele estava totalmente disposto a apoiar e levar a culpa ou o crédito. E isso vale para quando dá certo ou não.

LeBron não quer fazer isso. Ele já colocou o dedo em muita coisa, de companheiros e técnicos até estratégias do time, do primeiro jogo da temporada até o fim dela. Ele mudou completamente franquias da NBA três vezes.

Isso não é dizer que ele não tem opinião forte, ou que nunca tenha dado sua opinião ou, até mesmo, que nunca tenha dito publicamente que quer jogar com aquele jogador. Mas nunca conte com esse tipo de atitude do camisa 23; esteja preparado para que ele tome partido, mas não espere que ele se case com essa opinião.

Estamos falando de um homem que gosta de flexibilidade e que tem grandeza suficiente para tomar decisões. Ele não está largando mão. E, francamente, por que ele deveria? Em uma liga ditada pelos jogadores, por que não podemos ter um pouco dos dois? Qualquer técnico que assuma os Lakers precisa ter isso muito claro.

SER RESPEITOSO QUANDO ENTRAR NO MESMO AMBIENTE

Isso é absolutamente vital. Apesar de ser possível conquistar o respeito de LeBron James, é muito mais difícil conquistar de uma vez do que ao longo do tempo. Se você não for respeitado por LeBron James, você não terá chance de ter sucesso.

Erik Spoelstra, técnico de James nos tempos de Miami Heat, conquistou o respeito de LBJ. Mas não foi fácil. David Blatt, que chegou em Cleveland como um dos técnicos mais respeitados da Europa, nunca conseguiu. Ambos tinham poucas ‘cartas na manga’ quando James começou a jogar para eles, e isso tornou a tarefa mais difícil do que o normal.

Foi um problema para Luke Walton também.

Enquanto isso, Ty Lue, que jogou contra LeBron James, Paul Silas, seu primeiro técnico na NBA, e um lendário cara durão que venceu vários campeonatos, conseguiram o respeito de James com mais facilidade. Isso não significa que eles não bateram cabeças – James xingou Lue e saiu do vestiário no intervalo do jogo 6 das Finais de 2016 – mas eles continuaram a se respeitar.

A primeira vez que LeBron James jogou para Mike Krzyzewski, no Team USA, foi complicado, mas eles superaram por conta do imenso respeito que James tem pela lenda de Duke. Agora, ele o considera um mentor.

TER UMA IDEIA ESTABELECIDA

Com o passar dos anos, talvez o maior elogio que LeBron James fez aos seus técnicos tenha sido que eles tinham uma boa ideia de jogo para o time. Ele tem dito isso diversas vezes após boas vitórias, sejam elas em novembro ou em junho.

Ele sempre falou sobre a importância de ter jogadores inteligentes, e o discurso se mantém quando o assunto é o técnico. Ele sabe muito sobre o jogo e conhece as tendências dos jogadores dos outros times. Se você quiser impressioná-lo, ensine algo para ele. Conte algo que ele não saiba sobre o jogo que ele conhece como ninguém.

E não estamos falando apenas de encontros pré-jogo ou sessão de filmes. Isso também se aplica para o meio da luta. Quando o time precisa de uma jogada defensiva, ou marcar uma cesta a qualquer custo, James vai querer uma jogada desenhada e bem explicada na prancheta. Ele prefere assim, em vez de ter que desenhar ele próprio.

Não precisa dar certo sempre, mas James tem que, pelo menos, acreditar na chamada.

FAZER COM QUE ELE SE SINTA RESPONSÁVEL, E ESTAR PRONTO PARA QUALQUER TIPO DE REAÇÃO

As pessoas que melhor conhecem LeBron James sempre dizem a mesma coisa: ele quer ser treinado. Ele aceitará ser corrigido. Ele vai ser adaptar e tentará melhorar. Ele aceitará a culpa por erros e, de maneira genuína, prometerá um ajuste. De vez em quando.

Por razoes óbvias, com o passar dos anos, as pessoas andam nas pontas dos pés ao redor de LeBron James. Algumas pessoas parecem ter medo dele. Ele é uma estrela tão grande e pode ser vocal, o que acaba se tornando algo que intimida os que estão em volta dele.

Isso acontece porque James tem zero escrúpulos em se virar contra alguém. Se ele não gostar da chamada, ele não vai seguir. Se ele não gostar da estratégia para a partida, ele não vai seguir. Ele vai voltar direto na sua cara. E ele o fará em frente dos companheiros de time e das câmeras.

Seja bem-vindo ao excepcionalismo de ser um dos melhores e maiores jogadores da história. Ele pode fazer isso porque ele entrega. Ele pode fazer tudo, literalmente tudo isso porque seu retorno é duas vezes mais impactante.

ESTEJA PRONTO PARA UM COMPORTAMENTO PASSIVO-AGRESSIVO

LeBron James tem muitas características admiráveis: ele é um trabalhador incansável, sua disciplina é conhecida em todo o mundo, ele é um mentor cuidadoso, ele usa sua projeção e dinheiro para ajudar o próximo, ele é generoso, ele é hilário.

Mas, assim como todos nós, ele também tem falhas. Sua tendência a ser passivo-agressivo é algo que pode desafiar – e muito – seus técnicos.

O humor de James tende a ser fluido, e quando ele não está nos melhores dias, pode sobrar para o técnico. Pode ser a linguagem corporal, pode ser através da imprensa, ou das redes sociais. Acontece, e não torna apenas o trabalho difícil, mas pode ser algo que cansa a pessoa por trás do técnico.

Estar mentalmente preparado e conseguir lidar com isso – mesmo que isso signifique aprender a ignorar, ou fingir que está ignorando – pode ser importante. Isso não é raro entre jogadores da NBA. Todos eles têm alguma coisa – por menor que seja – que precisa ser olhada com cuidado. Mas nem todos os jogadores da NBA têm 50 milhões de seguidores no Instagram e o poder de ser o principal tópico do SportsCenter com um tweet.

Ser o técnico de LeBron James é entender tudo isso e não apenas aceitar, como ter sucesso. Se você conseguir, você terá diamantes, dinheiro e fama. Se não, você não ficará lá muito tempo para contar a história. E agora que ele está ficando mais velho, isso tudo é potencializado.

CATORZE MILHÕES DE DÓLARES.

Foi isso que Lou Williams e Montrezl Harrell, estrelas do LA Clippers na virada histórica do time para cima do Golden State Warriors, vão ganhar na próxima temporada. Combinados.

É por isso que os Clippers têm um dos futuros mais promissores entre todos os times da liga. Não apenas por conta do espaço no cap salarial – até porque criar espaço no cap não é difícil se você estiver disposto a perder jogos – mas por conta da qualidade dos jogadores que lá estão.

Construir um time de verdade através da free agency requere jogadores decentes com contratos decentes, e contratos de calouros, para que o time não fique sem dinheiro. Como a diretoria dos Clippers já admitiu que vai atrás de um jogador do calibre de Kawhi Leonard e Kevin Durant, eles trabalharam bastante para entrar nessa posição confortável que estão hoje.

Enquanto o rival local estava celebrando a contratação de LeBron James no ano passado, os Clippers estavam fazendo um excelente negócio ao manter Harrell. Quando ouve frenesi total por conta das trocas de 2018, eles mantiveram Lou Williams por um valor favorável. Na temporada anterior, quando Chris Paul disse que queria ir embora, a troca pelo armador acabou dando aos Clippers esses dois jogadores e a escolha que, posteriormente, foi negociada para adquirir Danilo Gallinari.

Nenhuma dessas trocas parecia impactante, mas, juntas, elas trouxeram os Clippers até essa situação vantajosa. É isso que reconstruir o time e não perder a competitividade significa. E é mais difícil de fazer do que parece. Não há dúvidas de que os Clippers precisam de uma estrela absoluta para o próximo passo ser dado.

Essa, geralmente, é a peça mais difícil de ser encontrada, mas eles estão trabalhando nisso.

Os votos para executivo do ano já foram dados. Diferentemente de outros prêmios, não é votado pela mídia, mas pelos próprios times. Cada time recebe um voto, e você não pode votar no seu próprio time. É um prêmio um pouco complicado.

Joh Horst, GM do Milwaukee Bucks, está apenas na sua segunda temporada, e Masai Ujiri, presidente do Toronto Raptors, são os favoritos para o prêmio. Ambos viram possibilidades de mudar sua franquia, técnicos e jogadores.

Ujiri fez aquela que, provavelmente, foi a troca mais corajosa do ano, quando adquiriu Kawhi Leonard. Não satisfeito, ele mudou a comissão técnica, demitindo Dwane Casey – técnico do ano em 2018 - e contratando Nick Hurse. Horst contratou Mike Budenholzer, que tem uma grande chance de ser nomeado melhor técnico da temporada. Além disso, ele potencializou Giannis Antetokounmpo.