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'Carrapato' de Durant, algoz de Westbrook e 'uma barata': conheça o 'baixinho' da NBA que inferniza a vida dos adversários

"Nós não morremos, nos multiplicamos. Somos como as baratas."

Em entrevista para o portal The Undefeated, Doc Rivers, técnico do LA Clippers, resolveu definir seu time desta forma. Para ele, é apenas uma brincadeira, mas que pode simbolizar um time que realmente não desiste.

Oitavo colocado na Conferência Oeste, o grupo não tem All-Stars em seu elenco. Durante a temporada, Tobias Harris, principal nome da equipe, foi trocado para o Philadelphia 76ers. Mesmo assim, eles sobreviveram à concorrência e garantiram vaga nos playoffs da NBA - liderados por Lou Williams, Montrezl Harrell e Patrick Beverley.

E contra o Golden State Warriors, no jogo 2 da série de primeira rodada, os Clippers estavam perdendo por 31 pontos com sete minutos e 30 segundos para o final do terceiro quarto. Mas eles não morreram.

Do alto de seu 1,85m de altura e com confiança de sobra, Beverley se tornou o defensor mais temido - e chato - dos Clippers. Kevin Durant sabe bem disso. No jogo 2, ele tentou apenas oito arremessos e não acertou nenhuma bola de três pontos.

Nos dois jogos da série até aqui, Durant foi marcado por Beverley em 85 posses de bola. O astro dos Warriors tentou apenas 13 arremessos e cometeu 6 erros. Isso dá uma média de 15,3 tentativas de arremessos a cada 100 posses de bola. A média de KD durante a temporada foi de 26,7.

E se você perguntar qual dos dois conseguiu terminar um jogo da série, a resposta é: nenhum.

No primeiro duelo, Beverley e Durant se desentenderam e acabaram expulsos - em uma briga que gerou algumas das melhores fotos da temporada da NBA. No segundo jogo, ambos cometeram seis faltas e tiveram de deixar a quadra.

Quando perguntado sobre como é marcar Durant, Beverley foi direto e reto: "Sou o Pat".

Durant, em entrevista antes do Jogo 3, também falou: "Quando Patrick Beverley está 'embaixo' de mim, eu definitivamente poderia arremessar por cima e pontuar. Mas eu não vou atrapalhar o jogo porque eu quero ter um "1x1" com Patrick Beverley. Eu sou Kevin Durant. Você sabe quem eu sou. Vocês sabem quem eu sou."

"Ele mordeu a isca", disse o técnico Steve Kerr, dos Warriors, sobre a expulsão de Durant no jogo 1 da série.

O ala foi expulso por duas faltas técnicas no último quarto - ambas separadas por apenas 19 segundos. O camisa 35 discutiu com Beverley, trombou e derrubou o armador dos Clippers ao tentar marcá-lo. Foi quando Durant gritou mais uma vez para Beverley, já no chão, e os dois foram expulsos pelo árbitro Ed Malloy.

"Fui empurrado, me levantei, fui expulso. Acho que os árbitros viram algo que eu não vi, mas tudo bem", comentou Beverley.

VELHOS CONHECIDOS

Este duelo nos playoffs não é o primeiro entre os dois. Em 2007, ainda no basquete universitário, Durant, com Texas, enfrentou Arkansas de Beverley. Pat teve 19 pontos, 8 rebotes e 7 assistências, mas seu time perdeu por 80 a 76 para o de Durant, que marcou 28 pontos e pegou 13 rebotes.

Um deles foi para a NBA depois de um ano no college, escolhido na 2ª posição do draft pelo Oklahoma City Thunder. O outro só foi para a liga dois anos depois, quando acabou selecionado pelo Los Angeles Lakers na 2ª rodada.

Mas enquanto Durant se tornava o cestinha de uma temporada mais novo da história da NBA, em 2010, com 21 anos, Beverley só fez sua estreia na liga em 2012-13, depois de rodar por Grécia, Ucrânia e Rússia.

Nos playoffs de 2013, com o Houston Rockets, Beverley encarou o Thunder de Durant nas finais do Oeste. Na época, a confusão foi com Russell Westbrook.

Ao tentar roubar a bola quando o armador de OKC pedia tempo, Westbrook levou uma pancada de Beverley em seu joelho direito e acabou rompendo o menisco. Era o fim do sonho do Thunder naquela temporada, um ano depois da derrota para o Miami Heat nas Finais.

Apesar de todos os duelos e da rivalidade criada, Durant demonstra total respeito ao armador dos Clippers.

"Eu amo Patrick Beverley", disse ele, para a NBC Sports Bay Area.

Mais tarde, na coletiva, Durant seguiu: "Estou jogando contra ele desde que defendia Arkansas, eu sei como é. É um garoto de Chicago, cresceu e jogou em Chicago. Esses caras têm outro tipo de determinação, é algo que gosto no Pat. Você sabe o que ele faz, torna o jogo mais físico. É assim em todos os times que joga."

"Não foi algo amigável", disse Durant, ao ser perguntado sobre a confusão que terminou em expulsão. "Mas é provocação. É algo mais emocional para ele, eu respeito."

O bate-boca não foi o único momento em que os dois protagonizaram cenas curiosas no jogo 1. Antes, no terceiro quarto, Beverley imitou Durant e tirou sarro ao jogar os braços para cima, como se imitasse o que o ala dos Warriors fez na jogada.

Pode até parecer algo diferente, mas Beverley é assim. Sempre foi e continuará sendo.

Nesta quinta-feira, ele e as "baratas" de Los Angeles voltam para casa sem pressão alguma em suas costas para o Jogo 3 contra os Warriors - afinal, o time "rico" da cidade caiu na temporada regular apesar da presença de LeBron James. Com a série empatada em 1 a 1, os Clippers sequer precisam pensar em desistir.