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Há 50 anos, cara ou coroa por telefone na NBA mudava a história da liga para sempre

Em 1969, o mundo vivia a onda hippie, e os Beatles estavam em seus últimos dias como conjunto, já sem fazer as exaustivas turnês e se preparando em Abbey Road para gravar o seu penúltimo álbum, enquanto Woodstock estava a alguns meses de acontecer. O último ano da década de 60 também foi marcante no basquete.

Em 19 de março de 1969, Phoenix Suns e Milwaukee Bucks apelavam para a sorte na expectativa de prosperidade futura. Mas naquela noite somente um time iria comemorar.

Ao fim da temporada 1968-69, os Suns e os Bucks disputariam num emocionante cara ou coroa quem teria a primeira escolha no Draft do mês seguinte. À época, a regra era assim, com o pior de cada conferência disputando o direito, mesmo que Phoenix (16-66) tivesse uma campanha pior que a de Milwaukee (27-55).

E como seria feito o cara ou coroa? Nada dos times estarem no mesmo lugar.

O então comissário da NBA, J.Walter Kennedy, faria o sorteio em Nova York, enquanto os outros times teriam acesso ao resultado em uma conferência pelo telefone. Com Milwaukee e Phoenix um de cada lado da linha, Kennedy jogou a moeda, com os Suns, de pior campanha, escolhendo cara.

Deu coroa.

E o Milwaukee Bucks teria em suas mãos o direito da primeira escolha do Draft da NBA de 1969.

Três dias depois do cara ou coroa, o time de UCLA ganharia o título da NCAA pelo terceiro ano consecutivo comandada por um jovem de 21 anos chamado de Lew Alcindor, já cotado para ser a primeira escolha do Draft.

Os Bucks selecionam Alcindor com a primeira escolha, enquanto os Suns pegaram o também pivô Neal Walk na sequência.

O impacto de Alcindor seria imediato e ele venceria o prêmio de calouro da temporada. Logo no ano seguinte, Milwaukee traria Oscar Robertson para fazer dupla com ele, e ambos conduziriam os Bucks ao que é até hoje o único título da sua história, em 1971.

Logo após ganhar o título com os Bucks, Alcindor se converteria ao islamismo e mudaria seu nome para Kareem Abdul-Jabbar, consolidando uma das maiores carreiras da história da NBA.

Em 20 anos na NBA, Kareem ganhou nada menos do que seis MVP’s (recorde), seis títulos e anotou 38.387 pontos, se tornando o maior cestinha da história da liga.

Quanto a Walk? Ele ficou só sete anos na NBA, com médias modestas de 12,6 pontos e 7,7 rebotes, jogando um total de 8 partidas nos playoffs na carreira.

Passando para 2019, Giannis Antetokounmpo tenta, quase meio século depois, dar o segundo título da história dos Bucks.