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NBA: A primeira temporada de LeBron James no Los Angeles Lakers se tornou um desastre

Talvez o Los Angeles Lakers seja a franquia com mais superastros na história da NBA. Jerry West, Kareem Abdul-Jabbar, Magic Johnson, Shaquille O'Neal, Kobe Bryant...

É provável que nenhum outro time fosse tão perfeito para LeBron James quanto os Lakers. Ao menos na teoria.

Neste momento da carreira de LeBron, com três títulos e oito Finais seguidas - além de toda a atividade no mundo dos negócios e sua influência política - o ala é uma estrela que transcende as quadras. Então, claro, os Lakers estavam prontos para fazer o que fosse necessário para deixar o camisa 23 feliz.

LeBron falou com Magic Johnson e, juntos, eles encontraram jogadores para o restante do elenco. Mas apesar de serem nomes já testados, o grupo dos Lakers sabia que teria um problema nos arremessos de longa distância e no espaçamento de quadra.

Magic disse que os Lakers não queriam ser como o Cleveland Cavaliers de LeBron. Mas, mesmo assim, o astro voltou a viver a mesma situação: ele domina a posse da bola; a diferença é que ele não tem arremessadores ao seu redor, que abrem espaço para suas infiltrações e geram oportunidades de passe.

Mas Magic estava certo. LeBron não vive a mesma situação que viveu em Cleveland. Afinal, os Lakers são o 22º time mais eficiente da liga ofensivamente graças ao elenco que eles montaram.

Apesar disso, as coisas poderiam ter funcionado se LeBron não tivesse se machucado no jogo do Natal, ficado de fora de 18 das 19 partidas seguintes e, consequentemente, perdido o ritmo que estava começando a construir com o restante do elenco. A equipe estava saudável e ganhando consistência suficiente para desenvolveu uma identidade.

Mas, claro, LeBron se machucou. E desde então, praticamente tudo tem sido um desastre.

Depois da derrota por 113 a 105 para o LA Clippers, na noite de segunda-feira, as chances dos Lakers ficarem fora dos playoffs pela sexta temporada consecutiva aumentaram ainda mais. É algo que LeBron não vive desde seu segundo ano na NBA.

Os Lakers tratam LeBron da mesma forma que iriam tratar qualquer outra superestrela que vestisse o uniforme da franquia; mas o time, os fãs e os jogadores não conheciam este camisa 23. Só sabiam daquilo que ele fez em Cleveland e Miami, lugares onde ele tinha crédito ainda maior.

Em Los Angeles, as expectativas eram simples de entender: vencer ou fracassar.

Se ele já tivesse vencido em Los Angeles - ou se tivesse abraçado a cidade quando chegou -, talvez houvesse mais compreensão. Mas este é o lado ruim de uma superestrela chegar em um time neste momento de sua carreira - e demorar para fazer a equipe começar a andar.

"Nunca tive uma temporada em que tantas lesões atrapalharam os nossos caras. Simplesmente tem sido assim", disse LeBron.

Os Lakers, em momento algum, alcançaram o sucesso esperado com LeBron. E quando os problemas chegaram, ele não conseguiu fazer nada para tentar para-los.

É difícil lembrar como o time era bom antes de LeBron lesionar sua virilha contra o Golden State Warriors naquela rodada de Natal. Quando a temporada acabar, e as análises mais sóbrias começarem a ser feitas, talvez os bons momentos possam afetar a forma como o futuro da franquia será definido.

Mas, agora, tudo parece errado. E todos parecem ter um pouco de culpa.

Houve uma fracassada tentativa de uma troca por Anthony Davis que deixou metade dos jogadores dos Lakers questionando LeBron e a direção. Foi um erro causado pelo próprio time, que ainda não conseguiu se recuperar desta 'pancada'.

As lesões tiraram Rajon Rondo e Lonzo Ball de boa parte da temporada. Problemas físicos de Tyson Chander, Brandon Ingram, Kyle Kuzma e Josh Hart também atrapalharam. E as trocas por Mike Muscala e Reggie Bullock (o arremessador tão esperado!) ainda não renderam o esperado.

Os Lakers venceram apenas seis das 18 partidas sem LeBron. Desde que ele voltou, não melhoraram muito e, agora, perderam nove dos últimos 12 jogos. LeBron ainda tenta entrar em forma depois da lesão mais séria de sua carreira, e isso tem ficado claro por suas atuações, principalmente defensivas.

Até o Natal, os Lakers tinha um rating defensivo (pontos sofridos a cada 100 posses de bola) de 104.5 com LeBron em quadra. Sem, o número disparava para 111.9.

Desde o retorno do ala, o rating com ele jogando é de 109.6 nas quatro vitórias, e de 113.1 nas oito derrotas.

A decisão de ir para Los Angeles não estava ligada apenas ao basquete. Mas o esporte ainda é o centro dos negócios de LeBron, e um fracasso não cairia bem. Este é o lado ruim de se tornar o astro no centro dos Lakers.

"É uma liga de ganhar ou perder", disse ele. "Tivemos coisas positivas. Tivemos muitas coisas negativas, claro. Mas no final das contas, estamos em uma liga que depende de resultados. E isso depende do número de vitórias que temos durante a temporada. Então temos que separar o que é bom do que é ruim e seguir em frente."

Nem todos os fracassos podem ser colocados sobre uma pessoa - seja LeBron, Magic ou o gerente Rob Pelinka. O treinador Luke Walton pode perder seu emprego. A maior parte do elenco não deve voltar na próxima temporada, já que boa parte dos contratos tem duração de um ano.

Mas já podemos esperar grandes mudanças após uma temporada tão decepcionante.