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Kawhi mostrou que está pronto para encarar qualquer superestrela da NBA e provou: os Raptors não são mais como antigamente

O Toronto Raptors já havia visto este filme antes.

Quando Kevin Durant acertou um arremesso de três absurdo no final do jogo para empatar o placar em 119 e forçar a prorrogação, ele apagou completamente a vantagem dos Raptors que chegou a ser de 18 pontos. Naquele momento, parecia que seria mais uma noite em que o time iria sucumbir à pressão. Algo que se tornou sinônimo da franquia, que se desmancha sob os maiores holofotes.

Mas estes Raptors não são os mesmos. Aquele velho time teria caído quando Durant levou o jogo para a prorrogação. Mas aquele time não tinha Kawhi Leonard e Danny Green.

Sim, ainda estamos em novembro. E sim, os Raptors não deveriam ter permitido que a partida chegasse a esta situação - mesmo que, no fim, tenham vencido por 131 a 128 um Golden State Warriors que não contava com Stephen Curry e Draymond Green. Mas foi um passo na direção certa de uma equipe que quer enfrentar os mesmos Warriors em junho.

A vitória levou os Raptors à campanha de 19-4, melhor da NBA. São sete vitórias seguidas. Mas o jogo também mostrou as falhas que muitos apontam como motivos para que Toronto - apesar da campanha - não seja favorito no Leste.

Kyle Lowry, um dos protagonistas de muitos fracassos no passado, sequer chutou a bola de três quando estava livre com pouco mais de três minutos restando. Ele acertou apenas quatro dos 14 arremessos que tentou. Toronto, no geral, pareceu um time que sofria para respirar enquanto tentava chegar a altitudes nunca antes alcançadas.

Mas desta vez, os Raptors contavam com dois jogadores - Leonard e Green - que já passaram por todas as situações possíveis em uma quadra de basquete. Eles já jogaram nas esperadas Finais da NBA - e saíram delas com anéis em seus dedos.

De várias formas, o San Antonio Spurs, ex-time da dupla, é tudo que os Raptors nunca foram. Por duas décadas, San Antonio foi a versão de basquete do New England Patriots - um time que, não importa quem está jogando ou o que está acontecendo, encontra formas de vencer.

Os Raptors são um time que esperava exatamente por isso. E, na noite de quinta-feira, eles começaram a ver o que acontece quando você injeta um pouco da cultura dos Spurs em suas veias.

Kawhi, claro, foi sensacional: 37 pontos, oito rebotes e três assistências. Foi sua melhor e mais completa atuação com o uniforme dos Raptors. E ele e Durant protagonizaram o grande duelo da temporada até agora.

Mas foi Green quem acertou o arremesso mais importante do jogo - uma bola de três com 2:07 restando na prorrogação que aumentou a vantagem de Toronto. No passado, teria sido difícil encontrar alguém confiável o bastante no time para assumir um arremessos como este - e convertê-lo.

Muitas vezes, nos últimos anos, os Raptors sangraram até a morte. Afinal, a cidade chegou a ganhar o apelido de "LeBronto" nos últimos playoffs depois de tanto sofrimento causado pelo domínio completo de LeBron James em jogos de pós-temporada.

Após a última temporada, o presidente dos Raptors Masai Ujiri decidiu que não aguentava mais. Ele demitiu o treinador Dwane Casey, mais vitorioso da história da franquia, e trocou DeMar DeRozan, melhor jogador que já vestiu a camisa de Toronto.

Ele decidiu que era a hora de mudança de identidade. E, mesmo com LeBron em outra conferência, é fácil entender o motivo.

Mesmo com as dificuldades no começo desta temporada, o Boston Celtics são um adversário formidável - e tem um jogador decisivo que já viveu os playoffs, Kyrie Irving. O Milwaukee Bucks tem Giannis Antetokounmpo com arremessadores ao seu redor. O Philadelphia 76ers tem o estrelado trio com Jimmy Butler, Ben Simmons e Joel Embiid - que causa inveja em toda a liga, exceto pelos Warriors.

Então não, sobreviver à conferência Leste não é uma garantia apenas pelo fato de que LeBron não está mais lá.

Só que os Raptors nunca tiveram um talento como o de Kawhi. E nos últimos anos - os melhores da história da franquia -, eles nunca tiveram um cara como Green, capaz de dar a estabilidade de um veterano quando as coisas começam a dar errado.

Toronto não pode apagar os anos de futilidade com uma vitória em novembro. Nem com uma troca em julho. Mas com a nova dupla, os Raptors não ganharam apenas um dos jogadores mais talentosos da liga e um chutador veterano reconhecido por sua defesa. Eles ganharam uma dupla que, seja qual for a situação, nunca terão medo. E se, nos próximos meses, eles conseguirem inspirar os colegas de time, os Raptors podem ter de encarar os Warriors mais uma vez quando junho chegar.