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NBA: como as equipes tentam achar a química perfeita em quadra?

As equipes da NBA tentam cada vez mais terem sucesso e se encontrarem. No entanto, um dos aspectos mais complicados e que os times ainda não acharam fórmulas perfeitas é a química.

As franquias tentam usar elementos para descobrirem se uma gente livre ou determinado jogador se encaixará na química da equipe. O primeiro mês de NBA mostrou que algumas franquias já encontraram uma química, outros ainda estão à procura e algumas têm muito trabalho a fazer.

Veja:

CASOS DE SUCESSO

Toronto Raptors Toronto Raptors

Questão de química: Kawhi Leonard se encaixará no time após um divórcio público com San Antonio?

Nova estrela, novo técnico – o que pode dar errado? Até agora, tudo ótimo.

Apesar das preocupações de trocar DeMar DeRozan, a reviravolta do que facilmente pode ser considerada a melhor sequência da história da franquia, o Toronto Raptors começou voando na temporada.

O que fez as coisas darem tão certo? Kawhi Leonard estar jogando como candidato a MVP certamente ajuda. Então, também Kyle Lowry está jogando o melhor basquete da carreira. Mas o técnico Nick Nurse merece crédito pelo trabalho que está fazendo.

Por ter o elenco montado em escalações que mudam e rotações baseadas no oponente e como eles jogam, os Raptors se tornaram um dos times mais versáteis da NBA – e têm levado vantagem da sua profundidade e atleticismo.

Com veteranos como Serge Ibaka tendo uma temporada de renascimento e jovens como Pascal Siakam jogando bem, os Raptors de repente têm um dos times mais fortes da Liga e emergem como um dos favoritos a chegarem a sua primeira final de NBA.

Milwaukee Bucks Milwaukee Bucks

Questão de química: Mike Budenholzer é a resposta para liberar o máximo potencial de Giannis Antetokounmpo?

Um mantra do novo técnico do Milwaukee Bucks, Mike Budenholzer, que mudou a mente da equipe nesta temporada: continue arremessando. Não importa quantos arremessos um jogador perde, ele é encorajado a fazer novamente. Eventualmente, ele diz, os arremessos vão cair.

Budenholzer, que foi contratado em maio, herdou muitos jogadores chaves do tempo de Jason Kidd em Milwaukee. Mas sob o comando de Budenholzer, Antetokounmpo tem a luz verde para arremessar, em adição às infiltrações.

Jogadores de rotação importantes como Ersan Ilyasova e Brook Lopez foram adicionados ao elenco dos Bucks para espaçarem a quadra. Juntos com Malcolm Brogdon e Khris Middleton, o garrafão está limpo para Antetokounmpo trabalhar seu potencial mágico sem ter muitos adversários pela frente.

O elenco se provou profundo, possibilitando os Bucks vencerem jogos contra equipes fortes como os Raptors (sem Kawhi Leonard) até mesmo quando Antetokounmpo não estivesse disponível por conta de uma concussão.

O elenco junto com o sistema de velocidade e espaçamento da quadra de Budenholzer os transformou em candidato ao título da conferência leste.

San Antonio Spurs San Antonio Spurs

Questão de química: DeRozan pode se encaixar no modelo do San Antonio Spurs?

Motivado pelo sentimento de não o quererem em Toronto enquanto estava muito bem na carreira, DeRozan chegou a San Antonio querendo combinar sua experiência e conhecimento com a renovada tutela de Gregg Popovich para maximizar seus anos restantes.

Até agora, pela forma que tudo está acontecendo para DeRozan e os Spurs, eles encontraram uma adição que pode ser um refresco para a equipe.

DeRozan anotou a 5ª maior marca de pontos nos últimos 25 anos para um jogador em uma nova franquia nas primeiras dez partidas. No mesmo período, ele já fez melhores marcas da carreira em assistências e rebotes, mesmo jogando 685 partidas em outra equipe.

Já anotou quatro double-doubles nesta temporada, o que é impressionante considerando que ele teve 17 antes de se juntar aos Spurs.

Considerado um arremessador de média distância quando adquirido, DeRozan mostrou sua habilidade de playmaker. Isso se provou benéfico para o resto do time, enquanto se manter engajado ofensivamente e distribuindo assistências será importante.

Os Spurs podem sentir falta da defesa de Leonard, mas o elemento de criação de jogadas demonstrado por DeRozan não existia com o ex-jogador da equipe.

TRABALHO EM ANDAMENTO

Los Angeles Lakers Los Angeles Lakers

Questão de química: Como Luke Walton, Magic Johnson e LeBron James podem fazer isso funcionar?

LeBron James, Magic Johnson e Luke Walton precisam aceitar a difícil verdade desta situação. Primeiro, principalmente para Magic, a química não é algo que pode ser criada pela bruta força da personalidade. Só pelo fato de que cada um dos três já venceu algo, isso não significa que eles podem recriar isso coletivamente de forma instantânea.

Walton recebeu uma ilha de brinquedos que não combinam. E LeBron está em um momento de sua carreira onde os primeiros meses da temporada têm pouco valor e não são interessantes.

A segunda verdade é que LeBron tem sucesso no meio do caos, por isso os dois normalmente estão na mesma vizinhança. Tradicionalmente ele tem conseguido elevar o jogo dos que estão ao seu redor durante o caos. Com um time mais jovem, é mais difícil. Ele provavelmente terá de mudar algumas coisas de lugar no caminho.

Parece que os Lakers tiveram sorte de usar uma estratégia inteligente – cuide dos problemas menores, os maiores vão melhorar junto. Tyson Chandler é um bom exemplo. O Los Angeles Lakers precisava de mais proteção perto da cesta e algo novo no vestiário, um veterano em quem LeBron pudesse confiar.

O próximo problema específico: Walton precisa encontrar formas consistentes de ajudar Brandon Ingram a ter sucesso. Resolva isso e terá ajuda nos problemas maiores do sistema. Os Lakers precisam parar de pensar em recriar as glórias da franquia e começar a pensar em criar condições que ajudem a vencer jogos. Faça isso e a glória virá em seguida.

Philadelphia 76ers Philadelphia 76ers

Questão de química: Como Jimmy Butler vai se integrar ao grupo de jovens estrelas?

A mistura de Jimmy Butler com Karl-Anthony Towns e Andrew Wiggins em Minnesota foi como água com óleo. Então como podemos imaginar que sua relação com Joel Embiid e Ben Simmons será diferente: primeiro porque Embiid e Simmons são dramaticamente melhores, e devem ter mais facilidade em ganhar o respeito de Butler.

O fato de que o Philadelphia 76ers já mostrou que consegue chegar longe nos playoffs também ajuda. Principalmente porque Butler nunca chegou mais longe que Embiid e Simmons nos playoffs.

Mas isso não signfica que será fácil. Na quadra, um perímetro com Butler e Simmons promete ser estranho. A combinação deles com Embiid fará com os Sixers sofram para conseguir espaço na quadra – por isso Markelle Fultz deve sair do time titular para dar lugar a JJ Redick.

Resumindo: o técnico Brett Brown terá dificuldades para fazer tudo funcionar. Há poucos trabalhos na liga que exigem mais do que este para que Philadelphia possa ter sucesso – ainda mais com temporada em andamento.

Boston Celtics Boston Celtics

Questão de química: Como Brad Stevens fará todas as peças funcionarem juntas?

O Boston Celtics entrou na temporada com a expectativa de que seria o time dominante no Leste. Mas todos sabiam que seria difícil para o treinador Brad Stevens fazer todas as peças funcionarem juntas – e o começo irregular de Boston prova que os temores eram justificáveis.

O problema existe parcialmente pelas contusões. Gordon Hayward parece estar longe de ser o All-Star que ele era antes da lesão horrível que sofreu no tornozelo e na perna logo durante a abertura da temporada passada, mas os Celtics precisam deixa-lo jogar para que ele recupere sua forma.

Kyrie Irving teve um começo de temporada instável depois de passar por cirurgias no joelho durante a offseason. O ala Jayson Tatum, em seu segundo ano, e Jaylen Brown, em seu terceiro, pioraram enquanto tentam encontrar um espaço neste novo ecossistema ofensivo.

O mesmo pode ser falado sobre Al Horford, que está tendo seus piores números da carreira nas principais estatísticas. Terry Rozier também está sofrendo para se acostumar novamente à função que tinha antes das lesões de Irving: o banco de reservas,

A maioria dessas questões deve se resolver bem com o tempo. Mas, até que isso aconteça, Boston vai sofrer para aguentar o ritmo de Raptors e Bucks no topo do Leste. E se isso não acontecer em breve, talvez seja tarde demais para alcança-los.

SITUAÇÕES QUE PRECISAM SER TRABALHADAS

Minnesota Timberwolves Minnesota Timberwolves

Questão de química: Como este time seguirá em frente após a novela Butler?

Jimmy Butler reclamou até ser trocado do Minnesota Timberwolves para Philadelphia, mas o que ele fez no primeiro treino da temporada foi o momento que mais chamou atenção.

“Vocês não podem vencer sem mim”, Butler gritou para seus companheiros, para o general manager Scott Layden e para o treinador Tom Thibodeau durante o treinamento.

Foi a explosão de uma verdade escondida: Karl-Anthony Towns e Andrew Wiggins ainda não provaram que podem ser um núcleo confiável para os Timberwolves. Towns não é conhecido por ser um líder, a intensidade de Wiggins na quadra vai e vem.

Sem um líder, os Wolves precisam trabalhar coletivamente e torcer para que os novos reforços tenham um impacto imediato. Robert Covington deve ajudar a defesa que é apenas a segunda pior da liga. Dario Saric também deve se encaixar bem como um pontuador que se sente confortável jogando no perímetro e que cria espaço para Towns.

Ainda é cedo para saber se Towns conseguirá se tornar um verdadeiro jogador de franquia, mas os Timberwolves precisam que ele se torne um líder vocal e uma máquina de duplos-duplos para que possam chegar aos playoffs pelo segundo ano seguido.

Houston Rockets Houston Rockets

Questão de química: Depois de perder jogadores importantes, Melo não era a resposta – então qual é?

A química está entre os menores problemas do Houston Rockets na temporada. Não foi um fator na decisão de se livrar rapidamente de Carmelo Anthony, que foi um profissional respeitado durante seus poucos jogos com os Rockets e que era respeitado dentro do vestiário.

Carmelo é uma ex-estrela em declínio que não pode contar com seu ataque o bastante para equivaler suas fraquezas defensivas. Ele não encaixou no time. Os Rockets não querem desrespeitar um jogador 10 vezes All-Star deixando-o no banco enquanto um calouro (Gary Clark) toma seu lugar.

As questões de química de Houston são baseadas na falta de experiência dos jogadores juntos, não das personalidades. James Harden já pareceu estar frustrado por James Ennis, o substituto barato de Trevor Ariza, não estar na mesma sintonia. E não ajuda o fato de que os dois já ficaram fora de jogos com lesões musculares. Mas Houston sente falta do conhecimento de Ariza.

Washington Wizards Washington Wizards

Questão de química: Será que John Wall e Cia. Vão descobrir o que fazer?

Quem diria que perder Marcin Gortat iria atrapalhar a química do Washington Wizards? O mesmo Gortat que discutiu abertamente com John Wall enquanto a relação dos dois piorava durante a temporada passada. Acredite se quiser.

Mesmo que Gortat e Wall tivessem seus problemas, eles tinham noção de como fazer pick-and-rolls juntos. Gortat com o bloqueio para Wall, e Wall atacando a cesta para pontuar ou criar arremessos para os outros. Era o ‘pão com manteiga’ dos Wizards nas últimas cinco temporadas.

Sem isso, os jogadores começaram a ficar frustrados e a má distribuição da bola começou a criar problemas no vestiário. Em poucos dias, Wall e Bradley Beal estavam reclamando de outros jogadores por se preocuparem com estatísticas. Com mais da metade do elenco sem contrato no final da temporada, isso se tornou um problema real.

Mesmo assim, o maior dos problemas dos Wizards tem sido a defesa. A frustração no ataque atrapalhou a comunicação na defesa, que é vital para as trocas na marcação que Washington tanto gosta de fazer.

Com tudo isso dito, Beal e Wall mantiveram escondido qualquer problema que possa existir entre eles e começaram a jogar em alto nível. O número de assistências subiu, e o ataque funciona. Há sinais de progresso.