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'LeBron fora do caminho', 'sacrifício' e 'choque': DeMar DeRozan fala após ser trocado pelos Raptors

LOS ANGELES -- Em julho de 2016, DeMar DeRozan assinou um contrato de cinco anos e US$ 139 milhões de dólares com o Toronto Raptors.

"Eu sou Toronto", DeRozan disse na época. "Exceto pelo lugar de onde sou, represento esta cidade mais do que qualquer outra pessoa. Tenho tantas metas pela frente. Mal posso esperar para colocar a camisa de novo e começar."

Na manhã do dia 18 de julho de 2018, o San Antonio Spurs trocou sua problemática estrela Kawhi Leonard por DeRozan, quatro vezes All-Star e nascido em Compton, Califórnia.

O ex-Raptor e novo membro dos Spurs foi até a ESPN Los Angeles para falar sobre as circunstâncias da troca, como descobriu, o que a cidade e os fãs de Toronto significam para ele e sua empolgação para chegar em San Antonio.

Chris Haynes: DeMar DeRozan, novo membro do San Antonio Spurs. Como foi a última semana para você?

DeMar DeRozan: Cara, foi muito rápido. Foi um sonho, ainda... ainda parece um sonho. Mas foi difícil passar por esses altos e baixos, estou tentando me acostumar com a ideia de trocar de time.

CH: Surpreendeu muitas pessoas. Parece que te surpreendeu também. Masai Ujiri, o general manager dos Raptors, disse que houve uma falha na comunicação. Que ele conversou com você durante a Summer League e acha que o erro foi falar sobre o que você esperava do futuro do time. Do seu ponto de vista, é uma forma errada de falar sobre aquela convers

DD: Bom, não, porque em todas as nossas conversas parecia que o assunto era o futuro do time. A forma como passei a offseason foi me preparando para voltar, apoiando os jovens na Summer League, procurando maneiras de melhorar, melhorar o time, e as conversas eram sobre isso. Ter a chance de fazer algo especial, sabe?

CH: Naquela coletiva, ele (Ujiri) disse que deu uma chance para o time quando assumiu o cargo. Você acha que foi necessário este movimento da franquia, trocando você? Por que as coisas não deram certo?

DD: Quando falam "eles", é algo meio frustrante. Sabe, quem são "eles"? A culpa é minha e de Casey (treinador demitido)? Porque nós sofremos com a derrota que tivemos para Cleveland nos playoffs. Mas nós só perdemos para um time na pós-temporada - e o time foi para as Finais nos últimos anos. Com a oportunidade chegando, o nosso pensamento era de que o único cara que estava em nosso caminho foi embora (LeBron James). Agora temos uma grande oportunidade de conseguir o que não estávamos conseguindo. No final das contas, dei tudo que tinha para o time. E isso apareceu. O progresso que tivemos como um time, meu progresso individual. Quando você diz que "deu a chance" e "vai ter de fazer algo"... é besteira para mim.

CH: Como acha que foi tratado por Masai Ujiri?

DD: Acho que não fui tratado com base em tudo que sacrifiquei por nove anos, com o respeito que merecia. Só queria que me falassem que algo poderia acontecer. Era tudo que eu queria. Me avisem, porque eu sacrifiquei tudo. Me avisem. Foi tudo que pedi. Todos sabem que não sou uma pessoa exigente. Me avisem para que eu possa me preparar para meu novo capítulo, mas não fizeram isso.

CH: Você perguntou se seria trocado?

DD: Perguntei, 'Vou ser trocado? Tem algo acontecendo... a chance de ser trocado?' E a resposta, várias vezes, foi, 'Não, não há nada.'

CH: Em 2016, quando você era free agent, a maioria das pessoas pensava que você assinaria com os Lakers. Que voltaria para sua cidade natal. Estamos em Los Angeles agora, mas isso não aconteceu. Você nem se encontrou com o time. Toronto sofre para atrair os principais nomes, além de ter dificuldade para manter suas estrelas. Por que foi importante para você renovar sem olhar para qualquer outro lugar?

DD: No primeiro dia, quando fui draftado pelo Toronto Raptors, havia essa ideia: todo mundo vai embora, ninguém quer ficar, superestrelas, ninguém quer jogar no Canadá. Desde o primeiro dia o meu pensamento era, por estar em Toronto, que eu queria mudar a narrativa ao redor do time. Por isso me esforcei tanto. Por isso fiz tudo que poderia ter feito, para acabar com essa ideia. E o outro exemplo na minha carreira foi que eu nem me encontrei com outros times. Fechamos tudo em 30 minutos e deixamos a free agency seguir em frente. Amo aquele lugar. É a minha segunda casa.

CH: No ano da renovação, em 2016, é verdade que você pediu menos dinheiro para ajudar o time?

DD: Perguntei, 'O que posso fazer para ajudar?' Não queria colocar o time em uma situação que não poderiam contratar outros caras. Não pedi o salário máximo, queria fazer o possível para arrumar as coisas. Sempre me sacrifiquei pelo time. Deixei claro que queria ficar lá.

CH: Você conversou com Kyle Lowry?

DD: Sim, falo com Kyle todos os dias.

CH: E como essa conversa foi?

DD: Lembro que já era meia-noite em Los Angeles. Mandei várias mensagens para ele. Ele estava na Filadélfia. Era 3 da manhã, e eu estava ligando para ele até que me atendeu. Contei para ele, deu para perceber que estava dormindo. Ele falou, "O quê?" Só tentou responder. Eu falei para ele que ainda não era oficial, mas que seria pela manhã. Quando acordei, ele me mandou um texto longo. Também não estava acreditando. Mas me disse algumas coisas que ajudaram durante o dia. É meu irmão, não apenas meu colega de time, e esteve do meu lado naquele momento. Deu para ver que aquilo o afetou também, mas foi bom receber o apoio.

CH: Qual sua opinião sobre ir para San Antonio?

DD: Ainda estou em choque.

CH: Ainda?

DD: Ainda estou em choque. A segunda pessoa com quem falei naquele dia, entre meus amigos, foi Rudy Gay. Fiquei triste. Liguei para ele e falei, "Cara, acabaram de me trocar". E o Rudy perguntou, "O quê? Para quem?" Eu falei, "Para vocês". Ele começou a rir e disse, "Não quero mentir, mas meu garoto está de volta. Vai ficar tudo bem, cara. Não se preocupe". Foi bom ligar para alguém próximo de mim e que está nos Spurs também. Ele facilitou as coisas.

CH: Há mais uma transição: você jogou com Dwane Casey e agora vai jogar com Pop. Sei que vai para a seleção dos EUA, para os treinamentos, e Pop estará lá. Quais suas expectativas com ele?

DD: Sempre fui fã do Pop. Há algo nele, a forma como comanda o time, sua credibilidade. Tudo que falam sobre o Pop, temos que amar. Ter a oportunidade de jogar para um treinador lendário, é uma benção. Estive com Casey na maior parte da minha carreira. Ele me deu toda a liberdade. A primeira coisa que ele me disse quando fui trocado é que vou amar Pop.

CH: Em todas as offseasons, você trabalha em algo particular do seu jogo. Qual é o foco agora, que está passando por esta mudança?

DD: Desta vez, acho que será um inferno para muitas pessoas. Sem dúvida.

CH: Por que, DeMar?

DD: Toda a mudança faz você pensar em sua carreira, mostra onde você poderia ter sido melhor, como poderia ter melhorado, o sucesso que teve, as falhas. E você junta isso em uma bola de motivação, fome e frustração, acima de tudo que está acontecendo. Foi começar por baixo, mostrar porque sou o jogador que sou, mas desta vez, com um nível diferente de 'não me importo com nada mais'.