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Ele saiu do Flamengo para o Manchester United e virou xodó; hoje, sonha em voltar à Premier League

Há cerca de uma década, o meia Agnaldo Moraes Pinto Júnior era apenas um garoto da base do Flamengo quando foi descoberto pelo poderoso Manchester United, aos 15 anos.

"Só que eu não poderia ficar na Gávea porque seria difícil a negociação. Fui para o Desportivo Brasil [clube do interior de São Paulo que pertencia à Traffic] para poder facilitar isso", explicou ao ESPN.com.br.

Durante dois anos, o brasileiro passava períodos de duas a três semanas treinando no United.

"Quando cheguei pela primeira vez, o Cristiano Ronaldo tinha acabado de sair para o Real Madrid. Falei com o Ferguson e treinei com os reservas do primeiro time e ia fazer um coletivo com os profissionais. Depois, voltava ao Brasil porque enquanto não fosse maior de idade não poderia ficar em definitivo", explicou.

No United, Agnaldo recebeu ajuda dos gêmeos Fábio e Rafael. Uma vez, o jogador foi visto ao lado de Gladestony, Aguilar, Lucas Evangelista, Rafael Leão e Bruno Gomes - outros jovens que passavam pelo mesmo processo - nas tribunas de Old Trafford.

"Eu treinava com o Pogba no time reserva, só não podia jogar (risos). Ele é zoeira e muito gente boa. Quer ser brasileiro, é uma figuraça. Uma vez jogamos contra o Ferdinand, Rooney, Valencia e outros... Foi legal demais", contou.

Por não ter cidadania europeia, ele não realizou o sonho de ficar na Inglaterra quando completou 18 anos.

"Eles queriam que eu ficasse um período de experiência no United e jogasse pelos reservas. Por isso, fui para a Itália por dois meses para buscar a nacionalidade, mas como não consegui eu não puder voltar à Inglaterra", lamentou.

Ida para Noruega

Agnaldo foi emprestado pelo Desportivo Brasil ao Molde em 2012, que era comandado por Ole Gunnar Solskjaer, que o conhecia dos tempos de Red Devils.

"No começo eu sofri um pouco porque a cultura, a comida e os hábitos deles são diferentes. Até que o frio, que era difícil, eu estava acostumado por ter ido muito para a Inglaterra. Eu poderia ter voltado para outros times do Brasil, mas optei por ficar na Europa. E muito da minha escolha foi por causa do Solskjaer e porque sempre gostei de desafios", relatou.

Familiarizado com o calor de 40 graus do Rio de Janeiro, o brasileiro enfrentou temperaturas abaixo de zero na Noruega.

"Acabei me acostumando alguns meses depois, ainda mais porque assinei por cinco anos e não tinha mais jeito (risos). Estava em um time no qual os jogadores eram todos gente boa e me acolheram bem demais. Sempre tinham brincadeiras e isso facilitou demais. Não senti tanto o peso de estar longe do Brasil".

Como estava três meses sem jogar, Agnaldo demorou um tempo para se acostumar com o futebol local. A ótima receptividade do treinador, que o acolheu como se fossem amigos há anos, facilitou o sucesso dentro dos gramados.

"Um dia, ele me chamou para saber se eu estava gostando da Noruega, o que estava sentindo por estar distante do Brasil e perguntou se eu iria ficar mesmo no Molde, pois estava emprestado. Quando eu estava negociando minha transferência permanente, o Ole me chamou pra jantar na casa dele com toda a família, esposa, filhos, etc. Não foi nem para discutir valores, nem nada. Ele só queria que eu me sentisse em casa", disse.

"Ficamos batendo papo por horas. E esse carinho dele foi um dos pontos que pesou para que eu ficasse lá de vez. O Solskjaer sempre quis que eu me sentisse bem-vindo ao país dele desde o início, e não é qualquer treinador que faz isso. Ninguém te chama para jantar com a família toda assim, como se fosse algo natural", exaltou.

E a visita à casa da família de Solskjaer não parou por aí.

"Depois, fomos dar uma volta de barco, porque eles moravam perto do mar. Foi um dia sensacional, do começo ao fim. Acabou que nem falamos muito de futebol naquele dia, foi mais sobre a vida dele. Depois, em um outro jantar, nós conversamos sobre como seria o time, como ele queria que eu jogasse e tudo mais", recordou.

"Eu já tinha decidido que ia ficar no Molde desde nosso primeiro encontro, porque ele me fez sentir bem. Parecia que éramos amigos que se conheciam há anos. Esse esforço dele significou demais para mim, porque ele não precisava ter feito nada disso", afirmou.

'Sonho em voltar ao United'

Após a saída de Solskjaer para o Cardiff, o brasileiro perdeu espaço na equipe.

"Veio um treinador norueguês que era mais de contato e com bolas longas. Isso complicou para gente que jogava antes. Depois, fiquei um ano no Brasil no Vila Nova, mas não joguei muitas vezes", contou.

Agnaldo ainda passou mais um tempo no Molde antes de ser emprestado na última temporada ao RoPS, da Finlândia. Neste ano, ele defenderá a equipe novamente, mas ainda deseja retornar um dia ao Red Devils.

"Quero jogar bem essa temporada e depois dar um salto na carreira para um liga mais competitiva. E quem sabe um dia eu volto à Inglaterra? Não fechei esse sonho porque me identifiquei demais com o Manchester United. Nos tempos que fiquei por lá eu treinei bem demais. Sonho em voltar para lá. Estou com 25 anos e ainda dá tempo. O Paulinho com 30 anos foi ao Barcelona, ainda tem muitas coisas para acontecer na minha carreira", disse.

E mesmo depois de tantos anos, o antigo mestre não esqueceu do pupilo.

"Agnaldo era um garoto fantástico. Tivemos ele aqui no Manchester United, foi onde eu o conheci. Depois, nos reencontramos na Noruega. Eu amo a postura dos jogadores brasileiros, eles querem sempre a bola, se divertir com futebol", disse Solskjaer, à RedeTV.