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Champions League: Lyon é um dos maiores vendedores da Europa e já foi casa de brasileiros campeões

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Edmílson fica com coração dividido em duelo Lyon x Barcelona: 'Fiz parte da história dos dois' (3:31)

Ex-zagueiro foi campeão pelas duas equipes nos anos 2000 e analisa duelo válido pela Uefa Champions League (3:31)

Rival do Barcelona pela primeira partida das oitavas de final de final da Uefa Champions League, o Lyon foi o clube que dominou o futebol francês na última década e se consolidou como um dos melhores vendedores de jogadores de toda Europa.

Um feito impressionante para uma equipe que até o ano 2000 possuía apenas duas Copas da França e três títulos da 2ª Divisão.

A situação começou a mudar quando Jean-Michel Aulas, que assumiu o controle do Lyon em 1987, passou brigar pelas primeira posições da Ligue 1. O zagueiro Edmílson saiu do São Paulo para o time francês e participou desta revolução.

"Lembro que as pessoas estranharam quando eu disse que tinha chegado para ser campeão (risos). Naquela época o time lutava para ser competitivo. Logo na primeira temporada nós vencemos a Copa da Liga e quebramos um jejum [que durava desde 1973]. Lembro que a cidade parou", disse, ao ESPN.com.br.

Ao lado dos brasileiros Caçapa, Sonny Anderson e Juninho Pernambucano (maior ídolo da história do clube), ele venceu o Campeonato Francês pela primeira vez em 2002. Até 2008, a equipe teve outros nomes como Fred, Cris e Nilmar e manteve a hegemonia do Nacional com sete conquistas seguidas e boas campanhas na Uefa Champions League.

Além disso, passou a investir pesado nas categorias de base e contratando jovens promessas por preço baixo. Depois, vendia esses jogadores para grandes equipes da Europa por valores altos. Exemplos não faltam: Benzema foi comprado pelo Real Madrid, Lacazette pelo Arsenal e o goleiro Hugo Lloris se mudou para o Tottenham. Além disso, o Barcelona contratou Abidal e Umtiti.

Somente nas três últimas temporadas, o time faturou 236,45 milhões de euros (R$ 999,72 milhões). O atual elenco tem vários jogadores jovens, que estão despertando atenção como Houssem Aouar (20), Tanguy N´Dombélé (22) e Maxwel Cornet (22). Além de nomes mais conhecidos como Memphis Depay e Nabil Fékir, ambos com 25.

"É um time forte que não dá muita importância aos jogos do Campeonato Francês. Na Champions parece que é outro time. Não sei se o estilo dos jogadores do Lyon, que estão usando o time para ser um trampolim. Querem participar só de jogos importantes para aparecer e serem contratados ou querem ganhar títulos. Eu acho que só querem fazer esse trampolim e vazarem, analisou Edmílson.

Desde 2008, a equipe teve uma queda acentuada. Não venceu mais o Francês e viu o PSG dominar o futebol local.

O Lyon passou a investir em melhorias de sua estrutura. Montou um Centro de Treinamentos com excelente estrutura. Também trocou o Stade de Gerland pelo moderno Parc Olympique Lyonnais, com capacidade para 59 mil pessoas. O local foi inaugurado em 2016 (para a Euro) ao custo de 250 milhões de euros.

"O perfil do [técnico] Bruno Génésio é bem ofensivo e tem um estilo de jogo diferenciado. Ele tem muita prata da casa e não deve ficar no ano que vem no Lyon. Para o clube é muito importante participar da Champions League porque é um clube formador, time bom e com estrutura boa", analisou.

Para o duelo desta terça-feira pela Champions League, Edmílson admite que ficará "em cima do muro", já que defendeu Lyon e Barcelona.

"Às vezes quando estou lá com o Caçapa [auxiliar do Lyon] digo que o coração fica dividido. Na França eu torço para o Lyon e na Espanha para o Barcelona (risos). Tenho gratidão enorme pelos dois clubes por fui campeão e fiz parte da duas histórias".

"Vai ser um jogo muito bom, o Lyon tem um time ótimo e tem uma certa vantagem por jogar em casa. Têm jogadores jovens de talento. É o segundo ou terceiro clube que mais forma na Europa, mas o Barcelona é o favorito para passar de fase", analisou.

Trajetória de Edmílson no Lyon

Edmílson chegou ao Lyon no meio de 2000, após se destacar com a camisa do São Paulo. Não demorou muito para fazer sucesso com a camisa da equipe francesa, que o projetou para o futebol europeu.

"Minha adaptação dentro de campo não foi difícil porque entendia taticamente bem por já ter exercido várias funções. Fora de campo foi mais difícil por causa de frio, idioma e comida. Além disso, tinhha casado há pouco tempo", contou.

"Em Lyon o povo é fantástico, mas eles são um pouco mais burgueses. Para os estrangeiros são mais fechados. Teve a questão de igreja evangélica, que demorei uns seis meses para achar. Para dar certo você precisa ter renúncia, não adianta querer adaptar o país à você. É preciso entrar na cultura deles", afirmou.

De 2000 a 2004, o zagueiro venceu três vezes a Liga Francesa pelo Lyon e a Copa do Mundo de 2002 pela seleção brasileira.

"Naquela época tive ofertas de sete clubes, mas o Lyon bancou e fiz mais cinco anos de contrato. Mas quando chegou o Barcelona veio não teve jeito, fui para lá. O Real Madrid até tentou a minha contratação, mas tinha dado minha palavra. Não esqueço que a minha primeira eliminatória de Champions League foi contra o Barça. Quando joguei no Camp Nou eu pensei: 'Um dia quero jogar aqui'. E deu certo", disse Edmílson, que na Catalunha venceu duas vezes LaLiga e a Liga dos Campeões de 2006.