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Um brasileiro naturalizado
Os uruguaios estavam enfeitiçados pelo futebol: tinham sido bicampeões olímpicos de 1924 e 1928 e campeões da Copa do Mundo de 1930. Era tanta gente querendo jogar, crianças e adultos, que não havia campos suficientes. No inverno ficava pior: os campos gelavam. O jeito foi improvisar o bate-bola em espaços pequenos e recintos fechados, com luz artificial, como as quadras de basquete e os salões de baile. Assim se fez na Associação Cristã de Moços (ACM) da capital, Montevidéu. Com a necessária redução do número de jogadores, utilização de bola pesada para não escapar a todo momento dos limites da quadra e regras tiradas do futebol de campo, do basquete, do handebol, do hóquei e do pólo aquático, nasceu o futebol de salão.
Redigidas em 1933, as regras foram distribuídas para todas as ACMs da América do Sul. Na de São Paulo prosperou mais do que nas outras a modalidade para adultos, e foi essa sucursal brasileira a grande divulgadora do novo esporte. O Brasil praticamente o naturalizou e, em 1958, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que reunia rodos os esportes oficiais no país, oficializou o jogo. Três anos depois surgia, com sede no Brasil, a Federação Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA), para gerir o desenvolvimento e as competições da modalidade no mundo.
Consciente da força do futebol de salão, a poderosa Federação Internacional de Futebol Association (FIFA) planejou se apoderar do domínio mundial sobre ele, boicotando de todas as formas as atividades da FIFUSA até conseguir sua incorporação, em 1989. Fundiram-se em nível oficial as regras do futebol de salão tradicional e do futebol de cinco – modalidade que a FIFA havia criado anos antes, com bola bem mais leve entre outras características, para fazer frente aos torneios da FIFUSA. Da fusão surgiu o futsal – e o Brasil continuou a maior potência do esporte, assim como era com a bola realmente pesada.
Cinco craques
Sorage, craque de velhos tempos, ídolo do Palmeiras, altamente técnico, participou de quatro campeonatos Sul-Americanos pela Seleção Brasileira entre 1971 e 1977.
Jackson, outro dos velhos tempos, astro da Seleção entre 1979 a 1986.
Manoel Tobias, presença certa na Seleção nos anos 1990 e até 2004, é um dos melhores de todos os tempos. Considerado pela FIFA o melhor jogador do mundo em 1996 e 2000.
Falcão, uma ficha imensa de serviços prestados ao Brasil, desde 1998 e varando a primeira década do século. Eleito pela FIFA o melhor do mundo em 2004.
Fininho, outra ficha quase imbatível de serviços, convocação habitual da Seleção entre 1992 e 2005.
Curiosidades
Mesmo depois da criação do futsal, o futebol de salão tradicional – escola de craques como Rivelino e Zico – continuou sendo jogado em muitos países, no Brasil inclusive. As principais diferenças entre as duas modalidades são marcantes: 1) a bola tradicional é bem menor e mais pesada do que a do futsal e, por quicar muito menos, favorece o jogo no chão; 2) no velho futebol de salão os arremessos laterais e escanteios são cobrados com as mãos e no futsal, com os pés; 3) no primeiro não vale gol dentro da área, no futsal vale; 4) no tradicional o goleiro não pode tocar na bola fora da área, nem mesmo com os pés, enquanto no futsal ele pode trabalhar a qualquer tempo como jogador de linha.
A quadra de futsal mede 40m de comprimento por 20m de largura. A bola pesa entre 400 g e 440 g. Os jogos oficiais duram 20 min x 20 min, com intervalo de 10 min. As primeiras bolas de futebol de salão, que não se mostraram adequadas por ser leves demais, eram recheadas de serragem, crina vegetal ou cortiça.
Logo de início, a alta competitividade do jogo causou problemas disciplinares nas ACMs, e em muitas delas os adultos foram proibidos de jogar. Na ACM de São Paulo, não.
A Confederação Brasileira de Futebol de Salão conta com 27 federações estaduais filiadas – em todos os estados, mais o Distrito Federal –, congrega mais de 4.000 clubes e 310.000 atletas inscritos.
A Seleção Brasileira de Futsal adulta masculina conquistou pelo menos 50 dos mais importantes títulos internacionais: campeã mundial cinco vezes, campeã sul-americana doze vezes, tricampeã nos Jogos Pan-Americanos, pentacampeã da Taça América etc. etc. – a lista tem de ser atualizada com a maior freqüência, pois o Brasil não pára de vencer.
Assim como no futebol de campo, a exportação de talentos brasileiros deu qualidade nunca antes vista a vários países. A Espanha se beneficiou primeiro, a partir da década de 1980, com a importação de técnicos de alto nível – Zego, Belfort, Ferretti, Tachinha, Ricardo Meneses e muitos outros. Depois foram jogadores: Lenísio, Simi, Manoel Tobias, Neto, Betão, uma fila deles. O resultado disso, mais a firme condução da Liga Nacional de Futbol Sala, levaram a Espanha à conquista de campeonatos mundiais e à criação de campeonatos nacionais altamente competitivos.
Portugal e Itália são outros grandes importadores de treinadores e jogadores brasileiros. Na convocação da seleção italiana para o Mundial de 2004, 14 jogadores eram brasileiros com dupla nacionalidade.
Além de Espanha, Portugal e Itália, os países que atingiram maior destaque no futsal são Rússia, Bélgica, Ucrânia, Grécia, Eslovênia, Holanda, Japão e Austrália. O Paraguai tem muita tradição no jogo, que vem crescendo também nos Estados Unidos, principalmente entre as crianças.