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Copa do Mundo: por que a jogada bizarra do Irã não deu certo

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No sufoco, Espanha vence Irã por 1 a 0; veja as melhores imagens da partida (0:59)

É a primeira vitória dos espanhóis no torneio (0:59)

Aos 48 minutos do segundo tempo, o Irã teve em uma cobrança de lateral, uma das últimas chances para buscar o empate contra a Espanha na segunda rodada da Copa do Mundo. O defensor Mohammadi pegou a bola, beijou-a, olhou para o céu, deu alguns passos para trás e se preparou para fazer uma acrobacia.

O lance que se seguiu, porém, foi bizarro. Talvez pelo cansaço, ele ficou sem o impulso necessário e abortou a manobra no meio da execução. Ele deu alguns passos para trás e pegou a bola da maneira tradicional. 20 segundos depois, o árbitro apitou o final do jogo: vitória espanhola por 1 a 0.

Mohammadi tornou-se, involuntariamente, o assunto mais comentado do jogo e objeto de todo tipo de zombaria nas redes sociais. Mas, afinal, quais os benefícios que a cambalhota poderia trazer para o lateral?

"A cambalhota é feita para liberar a bola a uma velocidade maior. No entanto, eu devo dizer que poucos jogadores são capazes pela técnica tradicional de cobrança de se aproximar perto do gol", disse Xavier Aguado, professor de biomecânica do esporte da Universidade de Castilla-La Mancha, ao jornal El País, da Espanha.

"Geralmente é feito com os braços estendidos e, provavelmente, por fadiga acabou flexionando, fazendo uma cambalhota agrupada. Assim, o raio de giro era pequeno e dificultava a colocação dos pés no chão no início da fase final, o que impedia qualquer vantagem possível dessa técnica ", explica Aguado.

Se a manobra for bem feita, a bola ganha velocidade, mas a direção, a trajetória e o ângulo de saída não são controlados. É por isso que o resultado tem alguma variabilidade. Risto Kallaste, um estoniano, tentou muitos anos antes de Mohammadi, em uma partida de qualificação para a Copa do Mundo de 1994 contra a Itália. Funcionou tão bem que ele foi aplaudido pelo público. A jogadora brasileira naturalizada norte americana Leah Lynn Fortune já acertou diversas vezes o lance.

"Quando começa a fase final do lateral, quando os dois pés já estão no chão e a bola se move para frente, ela terá mais velocidade do que se for tirada de uma posição em pé (que terá velocidade 0) ou com alguns passos em aproximação. Aquela velocidade mais alta no início da fase final é buscada pela cambalhota, com um grande raio de virada, que se tornará mais rápida no lançamento da bola", finalizou Aguado.