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Como torcida de time belga mudou história da Copa e fez cantor ficar milionário graças ao futebol

Neste início de Copa do Mundo, um detalhe chamou a atenção: quando os times entram em campo para jogar, o sistema de som dos estádios toca um potente rock ao invés do tradicional e sinfônico hino da Fifa, que embalou as competições organizadas pela entidade máxima do futebol nos últimos anos.

Trata-se da pegajosa “Seven nation army”, do dueto americano The White Stripes, que foi lançada em 2003, mas segue muito atual – prova disso é que virou a “música tema” do Mundial de 2018, na Rússia, 15 anos depois.

A canção, que possui certamente um dos riffs mais conhecidos do planeta, entrou para o mundo do futebol de maneira curiosa, e foi ampliando seu espaço até ser escolhida pela Fifa como música da Copa.

Aconteceu na Uefa Champions League 2003/04, em uma partida entre Club Brugge, da Bélgica, e Milan, da Itália. Naquele 22 de outubro de 2003, o time belga surpreendeu e arrancou uma vitória por 1 a 0 em pleno San Siro em cima do fortíssimo time rubro-negro de Kaká, Inzaghi e cia.

Sabe-se lá por qual motivo, a torcida do Brugge comemorou o triunfo nas arquibancadas milanistas cantando o refrão da música, em imagens que rapidamente percorreram o mundo e viraram febre.

Como terminou em 3º lugar na fase de grupos, a equipe de Bélgica foi depois para a Copa da Uefa, na qual cruzou com outro time italiano, a Roma. Quando o clube da “Cidade Eterna” venceu o Brugge por 2 a 1, os fãs romanistas provocaram e comemoraram o resultado cantando a mesma canção.

Na ocasião, o capitão Francesco Totti ficou tão impressionado com a vibração da torcida e com a canção pegajosa que contou que comprou todos os CDs dos White Stripes.

Daí em diante, “Seven nation army” ganhou o mundo e virou praticamente o hino não-oficial do futebol. O ápice aconteceu na Copa do Mundo de 2006, na qual os torcedores italianos comemoram o título da Azzurra cantando essa música nas ruas de Berlim.

O próprio Jack White, autor da faixa, se emocionou.

“Eu me sinto honrado que os italianos tenham adotado a música. Nada é mais bonito do que quando uma pessoa abraça uma melodia a deixando entrar no panteão da música popular. Como compositor é algo impossível de planejar. Eu amo a ideia de que a maioria das pessoas que cantam não tem a menor ideia de onde ela veio", contou, à época.

Depois disso, a melodia se espalhou ainda mais pelo mundo do futebol, aparecendo nas arquibancadas das ligas nacionais do “Velho Continente”, da Champions League e da Eurocopa (foi a música de entrada dos times na edição de 2008 e a faixa de comemoração dos gols em 2012), e alcançou também os Estados Unidos, bombando na NFL, na NBA, na MLB e na NHL.

Os White Stripes nunca mais fizeram outra música de tanto sucesso, e encerraram a banda em 2011. No entanto, o dueto ficou para sempre na história da música e do rock, graças a “Seven Nation army”.

Em um perfil de Jack White escrito para a revista The New Yorker, o autor Alec Wilkinson descreveu o riff de guitarra da canção como o segundo mais conhecido do planeta, atrás só de “Satisfaction”, dos Rolling Stones.

E o sucesso da música, aliás, tornou Jack White um milionário, já que ele recebe uma quantia gigantesca em royalties para que “Seven nation army” seja tocada pelos estádios e arenas de todo o mundo.

Além disso, também faturou em cima de várias bandas que fizeram covers de sua criação, como Living Colour, Hard Fi, The Flaming Lips, The Pretty Reckless, Metallica e Audioslave, só para citar alguns.

Bom demais para uma canção composta praticamente por acaso.

“’Seven nation army’ nasceu durante a checagem de som que fiz no Corner Hotel, em Melbourne, na Austrália. Eu estava tocando umas coisas para Meg [White, então esposa e parceira de banda] e para um amigo chamado Ben Swank, e quando ele passou eu disse: ‘Bem, escute esse riff’. E ele disse: ‘É OK’”, lembrou Jack.

Se ele soubesse o que aquilo iria se tornar em alguns anos, certamente teria achado melhor do que apenas “OK”...