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Como a Portuguesa foi de time de elite a faturar menos que o Juventus da Mooca

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Há 25 anos, Dener morreu asfixiado pelo cinto de segurança do próprio carro após o veículo colidir com uma árvore na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. (6:19)

Em dezembro de 2013, o famoso "caso Héverton" levou a Portuguesa, tradicional time de São Paulo, para a Série B.

Foi o início de uma derrocada sem fim, que hoje tem um time sangrando e morrendo aos poucos, atolando em dívidas e sem qualquer perspectiva de melhora.

Segundo seu último balanço patrimonial, referente ao ano fiscal de 2018, a Lusa teve na temporada passada, cinco anos depois do rebaixamento no "tapetão", um déficit de R$ 280.937,08.

O prejuízo foi fruto de uma receita acumulada de R$ 4.497.032,99 e despesas de R$ 4.643.795,19.

Os números em lada lembram os dos últimos anos da Portuguesa na elite, antes do "caso Héverton".

Em 2013, por exemplo, o clube do Canindé teve receita de R$ 31,063 milhões - ou seja, praticamente sete vezes mais que o atual.

Já hoje em dia, a Lusa, que está na Série A2 do Campeonato Paulista e sem divisão nacional, fatura menos que o pequenino Juventus da Mooca, agremiação da zona leste de São Paulo.

Em seu último balanço, referente a 2018, o "Moleque Travesso" apresentou receita de R$ 19,555 milhões, praticamente 4,5 vezes maior que a da Portuguesa.

Além disso, o Juventus fechou a temporada com superávit de R$ 2,283 milhões, algo inimaginável hoje em dia para o rival do Canindé.

Se for levado em conta só o departamento de futebol, o time da Mooca bate novamente o do Canindé: R$ 2,070 milhões contra R$ 1.998.994.54.

No momento, a Lusa encontra-se atolada em dívidas de todo tipo, principalmente trabalhistas (passam dos R$ 55 milhões), que derrubam completamente o fluxo de caixa da equipe.

Em meados de abril, funcionários da agremiação iniciaram greve por falta de pagamento. À época, eles acusavam a diretoria de quatro meses de atraso.

Antes disso, em março, o clube foi vandalizado por torcedores após derrota para o Santo André, que tirou dos rubro-verdes a chance de brigar pelo acesso à elite do Paulistão.

Por fim, a Lusa ainda corre risco de perder o Estádio do Canindé por conta de uma dívida com empresário José Antonio Bressan, que exige o pagamento da comissão de 10% combinada pela venda do atacante Diogo ao Olympiacos-GRE, em 2008.

Em 19 de abril, foi feita uma primeira rodada do leilão de parte do terreno da Portuguesa, com lance mínimo de R$ 164 milhões, mas não apareceram compradores.

Com isso, uma segunda rodada, desta vez com lance mínimo de R$ 98 milhões, teve início - o valor era considerado baixíssimo pela localização e importância do terreno. Ela terminou em 9 de maio, mas novamente não teve interessados.

Enquanto isso, a equipe tenta o tombamento do Canindé no Compresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental) para que novos leilões sejam barrados.

Em campo, a Lusa está inativa até 23 de junho, quando estreia na Copa Paulista, competição deficitária que serve para manter em ação os clubes sem calendário nacional.

No torneio, a Portuguesa será comandada pelo ex-lateral direito Zé Maria, ídolo do clube, que mostrou saber o tamanho do desafio que lhe espera.

"Quando aceitei o desafio, sabia da situação. As pessoas falavam: ‘pô, você é louco de ir pra Portuguesa’. Mas, por amor, a gente faz algumas loucuras. Essa é uma delas, vendo a situação que vive o clube hoje: sobrevivendo, respirando por aparelhos”.