<
>

Sampaoli quer que Santos volte no tempo: 'Futebol atual me entedia'

play
Sampaoli analisa jogo contra o Vasco e diz: 'Equipe sai com um resultado que poderia ter sido maior' (1:37)

Santos venceu por 2 a 0 na Vila Belmiro pelo jogo de ida da quarta fase da Copa do Brasil (1:37)

O técnico do Santos, Jorge Sampaoli, participou de evento na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na manhã desta segunda-feira, no Rio de Janeiro. Depois de conceder palestra, o argentino respondeu a perguntas e falou qual seu grande desejo atual.

Sampaoli quer que o Peixe “volte no tempo”. Ele assiste a jogos antigos pois o praticado hoje não empolga.

“No êxito, tudo se aceita. Na derrota, evidencia-se essa dificuldade. É importante olhar para trás. Vejo jogos do Brasil de 70, de 82, Huracán de Menotti, Argentina de Pekerman, Hungria… Futebol atual me entedia”, disse Sampaoli.

“Quero que meu time volte no tempo, mas é difícil. Muito difícil”, completou.

O comandante santista também falou da dificuldade na atual “sociedade autista”.

“Uma relação coletiva em um jogo simplista, com cada um pensando em si, é difícil para o treinador. É difícil gerar relações, porque não se há fora de campo. O mundo está autista. Todos somos zumbis e queremos ver o celular antes do café com um amigo”, concluiu.

'OBSESSÃO PELO ATAQUE'

Depois de Tite dar a sua contribuição tática, o treinador santista mostrou uma apresentação com lances de jogo e de treino do Santos, além de exemplos práticos de suas passagens por Sevilla e Chile, e demonstrações recentes de clubes europeus como Barcelona e Ajax.

Ao iniciar, ele citou o histórico holandês Johan Cruyff, em uma fala sobre o futebol além do esporte.

“O que quero transmitir é que o futebol não é só um jogo simples, mas inclusive pode ser uma maneira de viver. Quanto mais gente compreender, mais divertido será. Tanto o campo, quanto fora dele”, é o texto de Cruyff.

Sampaoli fez uma defesa do futebol ofensivo, com protagonismo, obsessão pelo ataque e a manutenção dessa cultura independentemente do adversário.

Durante a apresentação, Sampaoli admitiu a “falta de contundência do time”. Ele não citou, mas vê a falta de centroavante como principal responsável pelo time poder “sofrer ao invés de desfrutar” quando está no ataque.

Jorge Sampaoli disse que vê três zonas do jogo: alerta, conforto e definição. Defendeu que os zagueiros precisam trocar passes até eliminar o primeiro marcador do rival e passar para o meio-campo.

“Temos que eliminar a liberdade, o tempo de pensar do adversário. Adversário nos fala onde jogar, tem a ver com a cultura de cada time”, afirmou.

O comandante alvinegro deu exemplos do seu treinamento em vídeo, algo em inédito pois a comissão técnica só permite gravação do aquecimento para a imprensa.

Ele mostrou situações de jogo em campo curto, com superioridade ou inferioridade numérica, para que os atletas se sintam seguros de arriscar.

Por fim, Sampaoli deixou um texto de Arrigo Sacchi, ex-técnico italiano, sobre o futebol protagonista.

“Ainda que o futebol de protagonismo não necessariamente seja uma garantia de vitória, esse estilo mantém uma aura de elitismo. É um enfoque pró-ativo do jogo que diferencia os grandes clubes dos menores, aqueles que propõem o jogo ao adversário dos que só resistem o máximo que podem”.