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Por que Roberto Firmino é tão importante para o Liverpool

Para resumir, era o clássico ‘Plano B’: colocar no jogo um atacante que marcaria, nos instantes finais, o gol derradeiro da partida. Mas só era.

Era porque o Liverpool já tinha definido o confronto que terminou 6 a 1 no placar agregado contra o Porto, para se classificar para a fase semifinal da Champions League, quando Roberto Firmino cabeceou para balançar a rede aos 32 minutos do segundo tempo. O centroavante que entrou como substituto não é o clássico plano B. Ele é um jogador móvel, polivalente e que já foi considerado um ‘Falso 9’.

Firmino marcou de cabeça contra o Porto como havia feito contra o Tottenham, no mês passado, contra o Manchester City, em Janeiro, contra o Watford, em novembro, e contra o Leicester, em setembro. Na verdade, os dois únicos jogadores da Premier League que marcaram mais gols de cabeça que o brasileiro nesta temporada são Mitrovic, do Fulham, e Chris Wood, do Burnley. Ambos com mais de 1,87m.

Firmino tem 1,80m e nem é um atacante natural. Mas sua evolução para um atacante confiável e uma ameaça constante aos gols adversários o tornou em um jogador indispensável.

Essa temporada tem sido normal para Firmino; seus 16 gols em 44 jogos são respeitáveis, não espetaculares. Olhares mais atentos perceberiam, também, que ele alterna grandes e maus momentos. Sim, sabemos que ele marcou apenas um gol em 11 jogos no outono, e depois um gol em 10 jogos na primavera. Ele foi péssimo na partida contra o West Ham, na qual o Liverpool empatou por 1 a 1. Talvez seja esse o jogo que a equipe vai lamentar se o título da Premier League não vier.

De maneira notável, Jurgen Klopp sempre considerou o brasileiro como titular absoluto. Firmino perdeu apenas quatro jogos nesta temporada: dois porque Klopp sabia que ele poderia rodar o elenco sem perder pontos contra Huddersfield e Burnley. Os outros dois foram por lesão. Independentemente do número de gols marcados, o atacante tem mantido sua posição porque oferece muito mais para o time.

Firmino foi contratado pelo Liverpool para ocupar a posição de meia ofensivo, um clássico camisa 10, que também poderia quebrar o galho pelos lados do campo. Mas com Christian Benteke, Daniel Sturridge e Divock Origi não dando conta do recado, Klopp resolveu testar Firmino na posição mais avançada, e foi a tacada de mestre. O brasileiro pressiona os defensores adversários como ninguém.

Se voltarmos para o começo de Klopp no Liverpool, vamos nos deparar com um 4 a 1 para cima do Manchester City na temporada 2015-16. Naquela partida, ficou claro que Firmino tinha a inteligência e o porte físico para liderar a pressão do Liverpool.

O problema era que ele não é um artilheiro natural, mas está conseguindo, cada vez mais, ajustar seu jogo para se tornar um. Ele marcou 11 gols na primeira temporada pelo Liverpool e fez 12 na segunda. Na terceira, um salto impressionante para 27 gols. Neste ano, são 16, e ele não deve igualar a marca da última temporada, muito em função de Klopp ter usado o brasileiro como 10, enquanto Salah fazia as vezes de atacante mais avançado.

Agora que Firmino está de volta para a posição de centroavante, os gols estão voltando a sair.

Quando o Chelsea chegou em Anfield, havia especulação sobre se eles jogariam com Hazard de ‘falso 9’, ou teriam um centroavante de ofício, escalando Higuaín ou Giroud. Klopp, por sua vez, sabia que ele tinha um 9 completo.

Firmino é capaz de dar início a jogada e chegar até a área adversária em tempo de finalizar – houve um exemplo brilhante dessa capacidade na partida contra o Brighton, onde Firmino recuou e tocou para Robertson, que avançou e devolveu para o brasileiro. Não fosse a brilhante defesa de Matt Ryan, seria um belo gol.

Na mesma partida, ele pressionou o volante Yves Bissouma ao cercá-lo com James Milner e Sadio Mané. Quando Milner fez o desarme, a bola sobrou nos pés de Firmino, que serviu Salah. O resto é história. Esse lance mostrou como o brasileiro está adaptado ao sistema de Klopp e é consciente do seu dever: ajudar a pressionar e deixar companheiros na cara do gol.

Firmino fez algo parecido na vitória por 4 a 0 contra o Bournemouth, e apesar de as assistências não terem sido espetaculares, elas se ficam fáceis por conta de todo o trabalho duro que ele tem ao pressionar o defensor. Klopp acredita no poder de um atacante que pressiona, e que isso pode ser efetivo ao máximo. Firmino é quem traz esse conceito para a prática.

Em termos de finalizações, é notável a quantidade de vezes que Firmino finalizou para um gol vazio nesta temporada: para abrir o placar contra o Tottenham, para começar o que se tornaria um hat-trick contra o Arsenal, no Natal, três vezes em duas partidas contra o Burnley, e na derrota por 2 a 1 para o Manchester City.

O Liverpool só não marcou gols em três partidas nesta temporada. Uma delas foi contra o Manchester City, em um empate sem graça onde os dois times, claramente, estavam mais preocupados em não perder do que em ganhar. A outra ocasião foi nos dois empates por 0 a 0 contra o Manchester United. A terceira vez foi contra o Everton, no clássico local.

Sem Firmino, o Liverpool parece menos coeso, menos fluido e menos perigoso no campo de ataque. O caminho do Liverpool para a final da Champions League está sendo bloqueado por um Barcelona que tem Lionel Messi, que já jogou de falso 9 anteriormente em sua carreira. Se replicar o que Messi faz parece algo impossível para mortais, Firmino é diferente. Ele parece um modelo a ser seguido por jovens que querem se tornar centroavantes.