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Funcionários da Portuguesa iniciam greve por salários atrasados; presidente nega e explica situação

Estádio do Canindé antes de jogo entre Portuguesa e Juventus, em 2018 Gazeta Press

Os funcionários que trabalham no Canindé, sede da Portuguesa, iniciaram uma greve nesta quinta-feira em protesto pelo atraso no pagamento de salários. Alguns afirmam que estão sem receber há quatro meses, segundo apurou a reportagem.

São profissionais de diferentes setores do clube, desde limpeza, segurança, recursos humanos até marketing.

Eles já vinham cobrando uma resposta do presidente da Lusa, Alexandre Barros. Ouviram a promessa que parte da dívida seria quitada há duas semanas, mas nada mudou.

Além de salários, eles não estão recebendo nem vale transporte e nem vale refeição. A paralisação deve durar até o final de domingo.

Vale lembrar que muitos têm origem humilde, moram em bairros afastados, dependem de mais de um transporte para chegar ao Canindé e têm filhos em idade escolar.

A reportagem também apurou que não são só os funcionários atuais que estão sem receber. Ex-jogadores e treinadores também não tiveram os salários pagos, inclusive em gestões anteriores. Muitos ingressaram na Justiça recentemente, mas com pouca expectativa de resolver a situação.

Entre os que não receberam da gestão atual está Tico, habilidoso jogador revelado pela Portuguesa nos anos 90 ao lado de Dener e que trabalhou nos últimos anos como técnico da base e do profissional - a dívida refere-se a esta última passagem.

A reportagem apurou que ele decidiu não ingressar na Justiça por ser cria da casa, aguardando resposta da presidência.

A Portuguesa vive uma situação desesperadora, segundo funcionários do clube. Torcedores quebraram algumas áreas do clube em 30 de março, mesmo dia que o time foi derrotado para o Santo André e perdeu a chance de brigar pelo acesso no mata-mata da Série A2 do Campeonato Paulista.

Desde então, vidros de janelas quebradas, latas de lixo, portas de madeira, entre outros locais, estão destruídos e largados pelo clube.

O pouco que pode ser arrumado foi com esforço dos funcionários, que mesmo sem salário continuaram à trabalhar todos os dias.

Antes da eliminação na A2, o time flertou com humilhação maior. Quase caiu para a Série A3. Passou mais da metade do torneio próximo ou dentro da zona de rebaixamento. A recuperação ocorreu no final.

A reportagem contatou o presidente Alexandre Barros, que deu os seguintes esclarecimentos:

ESPN: Os funcionários da Portuguesa estão de greve por atrasos salariais de até quatro meses?
Alexandre Barros: De greve, no tenho ciência nenhuma. Tenho ciência que quando há jogos no Canindé e os funcionários trabalham nesses jogos existe um banco de horas. Eles folgam. Como hoje é véspera de feriado, foi decidido ontem dar folga aos funcionários. Por exemplo, parte administrativa, marketing, comunicação. Como já vão folgar sexta, sábado e domingo, demos folga hoje. A parte da segurança existe uma escala. Temos um número pequeno. Na secretária um funcionário foi trabalhar, mas não sentiu-se bem e foi embora. Agora relacionar isso aos salários atrasos não existe. Os salários estão atrasados, mas não são quatro meses.

ESPN: Não são quatro meses?
Alexandre Barros: Não! São dois meses, o vencimento de março e de abril.

ESPN: Funcionários ouvidos pela reportagem informaram que não receberam neste ano.
Alexandre Barros: O pagamento de janeiro foi feito. Então, não receberam fevereiro, que venceu em março, e março, que venceu em abril. Ninguém esconde isso. Quando eu assumi, a Portuguesa devia nove meses de salários.

ESPN: O senhor tem se reunido com os funcionários para prestar esclarecimentos?
Alexandre Barros: Nunca teve reunião. Eu converso com todos eles, mas para e reunir, não. Eles sabem da situação. Existia uma receita de um evento que devia ter sido paga até segunda-feira e o dinheiro não entrou [na conta da Portuguesa].

ESPN: Recebemos a informação de que jogadores que estavam na Série A2 também não receberam. Isso procede?
Alexandre Barros: Se passaram isso para você, mentiram. Os jogadores receberam o salário no dia 29 de março, véspera do jogo com o Santo André. Ficaram em dia. O pagamento deles é sempre no último dia do mês. O salário de abril será pago antes do dia 30. Me estranha essa informação, porque eles assinaram a rescisão, em acordo firmado, em que eles vão receber o que é de direito. Renovei o contrato de outros. Aí te pergunto: se estivesse devendo, eles renovariam? A Portuguesa deve dois meses de salário para os funcionários, mas não para os jogadores. Isso me criou problemas. Os funcionários me cobram porque o deles está atrasado, o que é normal. Mas vamos resolver. E hoje demos a folga de jogos para eles tirarem no feriado. Só os fiscais de patrimônio que não.

ESPN: O Canindé foi alvo de depredação no dia 30 de março e ainda está assim. Por quê?
Alexandre Barros: Vou no clube todos os dias. No dia do vandalismo e do furto, pois houve furto de materiais e camisas, eu tomei ciência. Ficou esperando-se a perícia, que foi feita na última terça-feira. Até a perícia ocorrer os departamentos de comunicação e marketing ficaram fechados. Você faz um boletim de ocorrência, um inquérito é aberto. As imagens das câmeras são cedidas. As melhorias não aconteceram porque estávamos esperando a perícia. Agora estamos fazendo orçamento para solucionar e arrumar o que foi depredado.

ESPN: Para concluir, não há greve?
Alexandre Barros: Se eles estão fazendo greve, não foi o que eles me comunicaram. Ontem, a Luciana, do marketing, me avisou que não viria porque a mãe faleceu e ela resolveria a documentação. O Tino tirou folga porque ele tinha banco de horas. A Mônica a mesma coisa. O Caio veio e foi embora porque passou mal. Outros tiraram folga. Agora se eles, entre eles, fizeram greve e não nos avisaram, não posso te dizer. Existem coincidências. Mas todos no clube sabem que é véspera de feriado com emenda e damos folgas.