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Brasil x República Tcheca: o gesto 'copiado' de Jairzinho e histórias desse confronto

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Tite sob pressão como jamais esteve na seleção brasileira, precisa de desempenho e resultado (2:53)

Técnico comandará o time do Brasil contra a República Tcheca nesta terça-feira, no amistoso em Praga (2:53)

O Slavia Museum, localizado ao lado do portão principal da Eden Arena – palco do amistoso desta terça-feira entre Brasil e República Tcheca – se vestiu de verde e amarelo.

Logo na entrada, fotos, vídeos e um rico acervo de objetos históricos de encontros entre tchecos e brasileiros. Em destaque no telão central, o duelo da Copa de 1970, abertura da campanha do tricampeonato.

O primeiro gol do jogo foi dos adversários: Petras marcou aos 12 minutos de jogo e celebrou fazendo o sinal da cruz, algo curioso para um jogador de um país dominado pelo regime comunista e que, invariavelmente, via a religião como algo abominável. A seleção canarinho empatara com Rivelino, aos 24, e virou no segundo tempo com Pelé. O placar se tornou goleada através de Jairzinho, o artilheiro daquele Mundial, marcando duas vezes.

Na sua primeira comemoração no estádio Jalisco, o Furacão se ajoelha e faz o sinal da cruz, repetindo o gesto de Petras. A história fala por si. Jairzinho foi o artilheiro da Copa do Mundo, e a seleção comandada por Zagallo é reverenciada como uma das maiores da história.

O que ficou de lenda é que Jairzinho imitou o tcheco. “Fake news”, como ele conta à ESPN. "Rapaz, eu não me inspirei no Petras coisa nenhuma", disse. "Nunca fui de copiar ninguém. Aliás o gesto do Petras foi diferente do meu”.

Nota: checamos as imagens, e, ao contrário do que diz o tricampeão do mundo, ambos os gestos foram com a mão direita, em movimentos bem parecidos.

Hoje com 74 anos, relembra que ficou ameaçado de jogar futebol quatro anos antes do torneio disputado no México. "Quem acompanhou minha carreira sabe que logo depois da Copa do Mundo de 1966 (Inglaterra), eu sofri uma fratura no pé esquerdo, durante um amistoso do Botafogo contra o Vasco da Gama, em Ipatinga. Quando pensei que estava curado, tive outra fratura. Fui o primeiro jogador a fazer enxerto ósseo. Fiquei ameaçado de não jogar mais futebol", contou.

Ele fez uma promessa para voltar a jogar. Quatro anos depois, ele marcou gols em todos os jogos do Brasil. Contra o Uruguai (3 a 1 na semifinal) e Itália (4 a 1 na decisão) ele mandou a bola para as redes e comemorou como fez Petras. "Esta era minha promessa: agradecer a Deus por me deixar a voltar a jogar. Foi um agradecimento. Não só disputei a Copa de 70, como fui eleito o melhor jogador do torneio", orgulha-se.

Jairzinho repetiu esta celebração em outros gols na carreira. Daí a crença de que o brasileiro copiou o tcheco.

História

O museu tem fotografias do encontro anterior em mundiais. Brasil e a então Tchecoslováquia fizeram a final da Copa de 1962, bicampeonato da seleção, no Chile. Assim como em 70, os tchecos saíram na frente, com Masopust. Amarildo, Zito e Vavá garantiram a virada e a Taça Jules Rimet erguida por Mauro no Estádio Nacional de Santiago.

A República Tcheca foi constituída após a separação da Eslováquia em 1992, em movimento pacífico conhecido como o “Divórcio de Veludo”. A seleção brasileira encontrou a seleção do novo país apenas uma vez: em 1997, na Copa das Confederações da Arábia Saudita. Vitória por 2x0 nas semifinais do torneio, com gols de Romário e Ronaldo.

O jogo ficou marcado pelo fato de todos os integrantes do elenco terem o cabelo raspado, em iniciativa liderada por Zé Roberto e que, soube-se depois, contrariou o então goleiro Rogério Ceni.

O amistoso desta noite em Praga será apenas o segundo confronto na história entre as equipes.