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Como 'febre do VAR' no futebol mundial multiplicou lucro de empresa que já foi nanica

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A "febre do VAR", que virou um dos grandes tópicos de discussão nos últimos anos, após suas atuações elogiadas e/ou controversas no Mundial de Clubes e na Copa das Confederações de 2017, na Libertadores e na Copa do Mundo 2018, nas ligas nacionais europeias e agora no Paulistão 2019, fez uma empresa que já foi de "fundo de quintal" transformar-se em uma verdadeira potência, faturando cada vez mais.

Criada em 2001 na Inglaterra como uma microempresa pelos engenheiros de computação Paul Hawkins e David Sherry, a Hawk-Eye Innovations Ltd começou a ser usada inicialmente para tirar dúvidas em jogos de críquete através de um sofisticado, e até então inédito, sistema de vídeo e simulações por computador.

Seu sucesso fez com que o programa da Hawk-Eye entrasse para o mundo do tênis em 2004, sendo usado principalmente para tirar dúvidas se a bola foi dentro ou fora.

Nos anos seguintes, esportes como rúgbi, futebol gaélico, futebol australiano, badminton e vôlei adotaram aos poucos o sistema, que, ao menos na teoria, serviria para encerrar para sempre as polêmicas com arbitragem.

10 anos depois de ser criada, a então companhia de "fundo de quintal" dos dois engenheiros ingleses, que tinha um lucro médio anual de apenas 1,1 milhão de libras (R$ 5,61 milhões, na conversão atual) despertou o interesse do gigantesco conglomerado japonês Sony, que comprou a empresa por um valor não revelado.

A partir dessa aquisição, a gigante oriental passou a ser dona de dona a propriedade intelectual, além das tecnologias, softwares e engenharias da Hawk-Eye. Todo o estafe da empresa também foi englobado pela Sony.

A compra permitiu ao sistema passar por uma enorme expansão (atualmente, são 20 esportes, com mais de 20 mil jogos em 500 estádios localizados em mais de 90 países usando a tecnologia), chegando finalmente ao futebol nos últimos três anos.

E a análise financeira da empresa de 2016 até hoje mostra como os acordos feitos com Fifa, Uefa, Conmebol e com as ligas europeias (com Bundesliga, Serie A italiana e Premier League inglesa como clientes) fez a antiga empresa "de fundo de quintal" virar uma potência.

Entre março de 2017 e março de 2018, por exemplo, o valor da companhia cresceu 44%, indo de 22,4 milhões de libras (R$ 114,26 milhões) para 32 milhões (R$ 163,23 milhões).

Praticamente no mesmo período, a receita obtida pela Hawk-Eye no Reino Unido foi de 3,84 milhões de libras (R$ 19,59 milhões) para 9,05 milhões de libras (R$ 46,16 milhões).

Já no resto do mundo, subiu de 18,55 milhões de libras (R$ 94,62 milhões) para 23,15 milhões de libras (R$ 118,08 milhões).

Isso fez com que a companhia tivesse um lucro acumulado de 20,5 milhões (R$ 104,57 milhões) no último ano fiscal, ampliando seus investimentos em novas tecnologias e também ampliando seu número de funcionários: antes, eram 176, e agora são 224.