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Mundial de Clubes: Masayoshi Son, empresário japonês por trás das propostas de mudanças da Fifa

Masayoshi Son durante apresentação em fevereiro de 2019 Getty Images

Por trás das drásticas propostas de mudanças feitas por Gianni Infantino, presidente da Fifa, para o Mundial de Clubes, está o magnata japonês Masayoshi Son, fundador e CEO do conglomerado SoftBank.

Comandante de uma proposta de US$ 25 bilhões (R$ 96 bilhões) para reformular a competição, que passaria a ter 24 equipes e seria disputada a cada quatro anos, o empresário possui uma história bastante curiosa.

Nascido no Japão, ele foi para os Estados Unidos na adolescência e estudou economia e ciência da computação da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Em 1981, Masayoshi criou o SoftBank, que se transformou nas décadas seguintes em uma potência. A companhia chegou a ser listada como 39ª maior empresa de capital aberto do mundo, e a 4ª maior do Japão, atrás apenas de Toyota, Mitsubishi e NTT. Atualmente, o conglomerado tem um faturamento anual de 8,9 trilhões de ienes, nada menos do que R$ 309 milhões por ano.

No entanto, Masayoshi Son viveu dias complicados no início dos anos 2000, quando aconteceu a chamada "bolha do .com", que levou diversas companhias a entrarem em processos de venda, fusão, redução ou falência, principalmente em 2001.

Nesta época, o magnata tinha um faturamento de US$ 10 bilhões por semana, aproximadamente US$ 1,4 bilhão por dia. Quando a bolha estourou, no entanto, as ações do SoftBank despencaram 75% em dois meses, e haviam desvalorizado 93% no final de 2000.

Isso fez com que a empresa ficasse à beira de quebrar, e Masayoshi perdeu incríveis US$ 70 bilhões. Essa é até hoje a maior perda financeira que uma pessoa sofreu em toda a história. No entanto, ele conseguiu dar a volta por cima.

"De alguma forma, eu consegui sobreviver", disse, em uma entrevista de 2017 à Bloomberg.

Isso aconteceu porque o empresário usou os recursos que tinha disponível e arriscou na compra das ações da Vodafone no Japão. Deu tão certo que, nos anos seguintes, ele conseguiu recuperar o patrimônio e colocou novamente o SoftBank em posição de protagonismo.

Atualmente, ele criou um "fundo de visão de futuro" do SoftBank, e gosta de aplicar em aplicativos inovadores para smartphones e companhias que trabalham com inteligência artificial e robóticas. Em 2017, ele investiu US$ 35 bilhões (R$ 133,43 bilhões) dessa forma.

Sua obsessão com o que virá adiante, inclusive, fez com que ele deixasse pronto um plano de negócios para os próximos 300 anos da companhia.

Segundo a revista Forbes, o patrimônio atual do empresário de 61 anos é de US$ 22,8 bilhões (R$ 86,92 bilhões), o que o coloca na 43ª posição entre os maiores bilionários do mundo.

Ele também é a pessoa mais rica do Japão, e está na 55ª posição dos mais importantes do mundo organizada pela própria Forbes. Masayoshi ainda é conhecido por doar muito dinheiro para caridade, mantendo vários projetos sociais.

O projeto do magnata com a Fifa é revolucionar o Mundial de Clubes, transformando o hoje desinteressante torneio em algo grandioso. O primeiro "piloto" está sendo planejado para acontecer entre 17 de junho e 4 julho de 2021, com 24 clubes, e não mais apenas sete (um campeão por continente e o atual vencedor do campeonato do país sede).

Das 24 vagas, a Uefa (Europa) ficaria com oito, a Conmebol (América do Sul) com seis, a AFC (Ásia), CAF (África) e Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) com três cada, além de uma restante para a OFC (Oceania). Em relação à fórmula de disputa, os times seriam divididos em oito grupos e apenas o cabeça de chave avançaria ao mata-mata.

O novo formato da competição está sob estudo da Fifa, em conjunto com representantes das confederações, desde novembro. A entidade, aliás, diminuiu o números de vagas para clubes europeus a fim de agradar a Uefa, que vê o torneio como um concorrente para a Liga dos Campeões.