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São Paulo x Palmeiras: 5 anos após frase polêmica do 'se apequenou' de Aidar, compare números dos rivais

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Há 5 anos, Aidar, presidente do São Paulo, disse que Palmeiras 'se apequenou' (1:07)

Cartola provocou Paulo Nobre em coletiva no Morumbi, enquanto comia bananas (1:07)

Neste sábado, São Paulo e Palmeiras se enfrentam no Pacaembu, pela 11ª rodada do Campeonato Paulista. O confronto ocorre praticamente cinco anos depois de um dos mais polêmicos episódios envolvendo as equipes, e que acabou, de uma forma ou outra, sendo um divisor de águas na história recente dos clubes.

Em 29 de abril de 2014, o então presidente da equipe tricolor, Carlos Miguel Aidar, organizou uma coletiva de imprensa no estádio do Morumbi para rebater as acusações feitas por Paulo Nobre, à época mandatário dos alviverdes, por conta da contratação do atacante Alan Kardec.

Nobre acusou Aidar de ter aliciado o centroavante, que "virou a casaca" e foi para o rival de graça após não chegar a um acordo para renovar com os palestrinos.

"O que aconteceu com o Kardec não é privilégio do Palmeiras. Eles (São Paulo) foram extremamente antiéticos. Se perguntarem para outros clubes, falarão o conceito que o São Paulo tem. Já fui consultado se topava deixar de participar dos torneios de base que o São Paulo disputasse, justamente por causa dessa prática de assediar jogadores adversários”, disparou Nobre, em 28 de abril.

Na coletiva do dia seguinte, Aidar pintou e bordou. Enquanto comia bananas ao lado de seu vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, ele soltou frases fortíssimas contra o Verdão, e disse que Nobre havia protagonizado uma "manifestação patética" e "juvenil".

"(A entrevista de Paulo Nobre) Demonstra o atual tamanho da Sociedade Esportiva Palmeiras, que ano a ano se apequena com demonstrações dessa natureza", bradou.

"As declarações dele não me ofendem. O choro é livre. Todo mundo tem direito. E é um choro que tenta explicar perante sua torcida aquilo que fez o atleta (Alan Kardec) deixar o Palmeiras", acrescentou.

O tricolor também negou qualquer aliciamento.

"Agimos dentro da legislação esportiva. Time grande briga pela permanência dos seus atletas. Ontem, fizemos nossa proposta oficial ao atleta (Benfica) e vamos aguardar uma resposta", salientou.

"O São Paulo tem a imagem de organizado e isso causa ciúme aos (clubes) coirmãos. Essa imagem criou outra que é a imagem de um clube prepotente, soberano", complementou.

Depois dessa coletiva, o ano continuou complicado para o Palmeiras, que quase foi rebaixado no Campeonato Brasileiro, enquanto o São Paulo fez ótima campanha, terminando apenas atrás do campeão Cruzeiro na tabela.

No ano seguinte, porém, tudo mudou...

De 2015 em diante, o Verdão seguiu a revolução que Paulo Nobre havia iniciado, e transformou-se em uma potência financeira, aproveitando também a construção do estádio Allianz Parque, o fortalecimento de seu programa de sócio-torcedor e a chegada da Crefisa, com o maior contrato do patrocínio do Brasil.

O São Paulo, por sua vez, viu gestões desastrosas colocaram o clube em uma seca de títulos, com contratações muito duvidosas, eliminações para equipes de menor expressão em torneios mata-matas, ameaça de rebaixamento no Brasileiro e muitos protestos da torcida.

Confira como as coisas mudaram nos últimos anos:

TÍTULOS

De 2015 em diante, o Palmeiras conquistou uma Copa do Brasil (2015) e dois Campeonatos Brasileiros (2016 e 2018).

Além disso, o Verdão foi duas vezes vice do Paulista (2015 e 2018), uma vez vice do Brasileiro (2017) e chegou a uma semifinal de Libertadores (2018) e uma semi de Copa do Brasil (2018).

No mesmo período, o São Paulo não ganhou nenhum título oficial.

A única taça levantada pelos tricolores desde a polêmica frase de Aidar foi a Florida Cup 2017, torneio amistoso de pré-temporada disputado nos Estados Unidos, no qual o clube do Morumbi venceu o Corinthians.

CONFRONTOS DIRETOS

Antes da frase de Aidar, o retrospecto do Choque-Rei mostrava 104 vitórias do São Paulo, 98 triunfos do Palmeiras e mais 102 empates.

Desde então, o Verdão ganhou mais que o dobro de vezes e equilibrou a estatística, podendo inclusive empatar em número de vitórias neste sábado.

De 29 de abril de 2014 para cá, foram 9 resultados positivos palmeirenses, só 4 são-paulinos e um empate.

O clube do Palestra Itália, aliás, ganhou os últimos quatro clássicos, tendo sido derrotado pela última vez pelo rival em maio de 2017.

Vale citar também que, desde que o Allianz Parque foi construído, o estádio se transformou em um alçapão para os tricolores. O São Paulo perdeu todas as vezes na arena verde, com um placar agregado de 21 a 4.

TREINADORES

Quando Aidar disparou a polêmica frase, o técnico do Palmeiras era Gilson Kleina. Depois dele, os seguintes nomes passaram pelo Palestra Itália como treinadores contratados (Alberto Valentim atuou em algumas partidas como interino em diversos períodos):

- Ricardo Gareca
- Dorival Júnior
- Oswaldo de Oliveira
- Marcelo Oliveira (campeão da Copa do Brasil)
- Cuca (campeão do Brasileiro)
- Eduardo Baptista
- Cuca
- Roger Machado

Em 27 de julho de 2018, Luiz Felipe Scolari foi contratado. Ele foi campeão do Brasileiro e está no cargo até hoje.

Ao mesmo tempo, Muricy Ramalho era o treinador do São Paulo quando Aidar protagonizou a coletiva no Morumbi. Ele ficou no cargo até 2015, e na sequência passaram os seguintes nomes (com Milton Cruz, André Jardine e Pintado atuando como interino em várias oportunidades):

- Juan Carlos Osorio
- Doriva
- Edgardo Bauza
- Ricardo Gomes
- Rogério Ceni
- Dorival Júnior
- Diego Aguirre
- André Jardine

Atualmente, o clube vem sendo comandado interinamente por Vágner Mancini, que na verdade é coordenador-técnico, enquanto espera liberação médica de Cuca para que o paranaense assuma o cargo. É esperado que isso aconteça em abril.

FINANÇAS

De 2015 para frente, muito diferentemente da fala de Carlos Miguel Aidar, o Palmeiras apresentou crescimento constante no aspecto financeiro, chegando em 2018 à maior receita de sua história.

Além de hoje superar por muito o rival no faturamento, o Verdão também vem fechando as temporadas com bons superávits, com destaque para R$ 89,5 milhões de 2016, quando foi campeão brasileiro e vendeu Gabriel Jesus ao Manchester City.

Veja abaixo:

O São Paulo, por sua vez, cresceu muito menos no período. O faturamento de 2017, por exemplo, foi no mesmo nível do de 2016 no Palmeiras - vale ressaltar que o balanço de 2018 ainda não foi divulgado pela equipe do Morumbi.

Ademais, a equipe tricolor teve um gigantesco déficit de R$ 72,5 milhões em 2015, e registrou superávits pequenos nos últimos anos.

Veja abaixo:

Por fim, um estudo da consultoria BDO, publicado em janeiro de 2018, mostrou que, entre 2013 e 2017, o valor de marca do Verdão cresceu quatro vezes mais que o da equipe do Morumbi.