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Ex-Flamengo, Fluminense e Santos, Kayke rescinde no Japão e está livre no mercado: 'Escutando propostas'

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Fábio Luciano tenta ver jogo do Flamengo no Maracanã na arquibancada e é cercado por multidão de torcedores (1:59)

Ex-capitão do Fla foi ao estádio durante vitória por 3 a 1 sobre a LDU na Libertadores (1:59)

Kayke ganhou grande projeção no futebol brasileiro ao marcar 23 gols em 2015 e brigar para ser um dos artilheiros do país naquela temporada. Após se destacar no primeiro semestre daquele ano no ABC-RN, ele recebeu diversas ofertas e acabou contratado por apenas R$ 300 mil pelo Flamengo, clube no qual havia se profissionalizado e saído ainda jovem para a Europa.

A segunda passagem pela Gávea foi bastante curta. Ele fez o dobro de gols do badalado Paolo Guerrero (seis a três) e foi comprado no começo de 2016 pelo Yokohama Marinos-JAP por cerca de R$ 7,6 milhões.

"No primeiro instante não queria sair tão repentinamente do Flamengo. Não tinha um ano que tinha voltado e as coisas estavam acontecendo tão bem. Mas era um contrato que me daria uma boa estabilidade como profissional. Ia mudar minha vida e faria muita diferença", confessou, ao ESPN.com.br.

Após três anos com vínculo com a equipe japonesa - com empréstimos para Santos, Bahia e Fluminense - o atacante de 30 anos está sem time há cerca de um mês.

"Vi uma oportunidade ficar livre no mercado para negociar com qualquer clube. Para poder fazer uma escolha sensata, faz um mês que estou livre no mercado. Estou escutando bastante coisas do Brasil e de fora. Acredito que Deus tenha preparado o melhor e espero o mais breve possível anunciar o novo clube", relatou.

Veja a entrevista com Kayke:

Você foi revelado no Flamengo, mas logo cedo para Suécia, Dinamarca e Noruega. Como foi jogar em países tão diferentes do Brasil?
Aprendi muito como profissional e como pessoa. Eu era muito imaturo quando saí do Flamengo e pude aprender o que era o futebol profissional e o europeu. Ajudou no meu extracampo e fez muita diferença. Se tivesse ficado no Brasil não teria evoluído tanto. Joguei a Europa League, mas a Champions League não tive a chance.

E fora de campo?
É outra cultura. O primeiro impacto foi com temperatura e comida. Estava acostumado com o Rio de Janeiro e foi um choque muito grande. Mas tive muito suporte da família e estava com a cabeça aberta e aprendi a falar inglês. Isso ajudou demais. Mas eu cheguei a pegar menos 16 graus e não poderia sair para trinar porque o carro estava coberto de neve.

Como foi a decisão de voltar ao Brasil para jogar no Paraná?
Foi bem interessante porque encontrei o Dado Cavalcanti, que me ajudou muito. Eu ajudava na marcação, acompanhava os laterais e joguei de ponta e falso 9, tenho característica de movimentação. Foi bom jogar a Série B e tinha o Palmeiras, tinha uma visibilidade ainda maior. Fui para o Nacional-POR, mas nada deu certo. Rescindi meu contrato, uma situação chata e coloquei na cabaça de que tinha que voltar a um time grade no Brasil. Queria me firmar e jogar. Passe pelo Atlético-GO e fiz outra Série B legal, fiz gols de bicicleta, mas não subimos porque perdemos para o Santa Cruz na última rodada.

Depois, foi para o ABC-RN. Esperava que iria dar tão cedo?
Eu fui para o ABC e achei que tudo ia dar errado. Mas deus me abriu as portas e aproveitei. Foi importante demais para mim. O Roberto Fonseca foi um treinador que me abraçou muito. Ele falou que eu seria o cara do time e ia ser artilheiro. No começo eu não acreditava muito, mas depois acontecera. Ganhei todos os prêmios individuais no Estadual e fiz muitos gols. Depois Fiz 8 gols em 11 jogos na Série B e coisas acontecendo que nem entendia. Começaram a chover propostas...Veio o Santos e quase fui Emirates Club, de Dubai. Estava com as malas prontas e assinei um termo aceitando a proposta, mas deu errado. Depois de todo esse imbróglio e outros clubes vindo atrás eu fui para o Flamengo. As coisas aconteceram da forma que sonhei.

Por que sua passagem foi tão rápida pelo Flamengo?
Fui um dos maiores artilheiros o Brasil na temporada, fiz 27 gols no ano. Tive uma projeção muito grande. Foi algo que aconteceu na minha carreira para dar essa confiança era algo que sonhei. Voltar o Flamengo foi melhor ainda porque era o time que fui criado desde a infância. Tinha aquela gratidão e a vontade de retribuir tudo que tinham feito por mim com gols e grandes jogos. Marquei em Fla-Flu lotado com toda minha família e meus amigos no estádio. Acabe de destacando e fui vendido muito rápido pela minha performance. Futebol de centroavante é isso, se você vai bem é vendido. Se não vai bem, o clube não te quer mais e acaba sendo vendido também (risos). Precisamos ter uma parte mental muito forte para suportar isso e seguir fazendo o melhor. Uma hora as coisas acontecem.

E saída para o Yokohama Marinos?
No primeiro instante não queria sair tão repentinamente do Flamengo. Não tinha um ano que tinha voltado e as coisas estavam acontecendo tão bem. Mas era um contrato que me daria uma boa estabilidade como profissional. Ia mudar minha vida e faria muita diferença. Existe o coração, mas tem a parte mais racional. Eu não era uma estrela no Flamengo e não tinha um salário tão alto e o clube achou uma proposta tão boa. Eu fui comprado do ABC-RN por R$ 300 mil e vendido depois por R$ 10 milhões.

E como foi sua passagem pelo Japão?
O começo foi difícil porque eles esperavam que eu fizesse uns 50 gols. Mas futebol japonês é difícil, um futebol muito rápido de jogadores técnicos. Fiz uma temporada que não foi espetacular como foi a anterior, mas foi boa. Fiquei um pouco frustrado porque tinha escutado que o time ia brigar por títulos e não aconteceu nada disso. não brigamos por nada. Estava saindo do Flamengo e queria ser campeão, um clube com essa mentalidade vencedora. Algo que não aconteceu no Yokohama.

Depois você voltou ao Brasil emprestado para jogar a Libertadores pelo Santos. Ainda passou por Bahia e Flu. Por que não ficou nesses clubes?
Encontrei no Dorival Jr. um cara que me ajudou muito e fiz uma temporada boa. Joguei bastante e fiz alguns gols, já que o [atacante titular] Ricardo Oliveira acabou se machucando e depois tendo caxumba. No Flu cheguei para tentar ajudar no final do Brasileiro para salvar do rebaixamento. Fiquei feliz em ter contribuído para isso e o clube passa por uma dificuldade financeira. Eu ainda tinha contrato ainda com o Yokohama e isso dificultou a permanência.

Como está a sua situação hoje?
Depois de algum tempo esperando o Japão eu acabei rescindindo meu contrato de forma amigável. Aceitei pela parte financeira e vi uma oportunidade ficar livre no mercado para negociar com qualquer clube. Para poder fazer uma escolha sensata, faz um mês que estou livre no mercado. Estou escutando bastante coisas do Brasil e de fora. Acredito que Deus tenha preparado o melhor e espero o mais breve possível anunciar o novo clube.