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Ex-Flamengo, César Martins quase desistiu da carreira, mas hoje é titular em surpresa do Português

Após viver um período difícil, o zagueiro César Martins está em busca de redenção. Titular do Santa Clara-POR, o ex-jogador do Flamengo é um dos destaques da equipe que subiu na última temporada e hoje ocupa a oitava posição da primeira divisão do Campeonato Português.

“Foi um momento que tive que arriscar. O momento que estava ‘por baixo’ na minha carreira e abracei essa oportunidade que vem dando certo. Os companheiros me deram muito apoio. Foi um clube que deu a mão para mim e toda a minha família. O nosso treinador me ajudou demais. Estou muito feliz e espero conseguir essa manutenção o mais rápido possível. Para depois conseguirmos a melhor colocação. É o objetivo de todos”, disse, ao ESPN.com.br.

“Vi um projeto muito bem elaborado e ambicioso de fazer uma boa equipe para se manter na Primeira Liga, o que é muito difícil. Fazia 15 anos que não jogavam a 1ª Divisão”, garantiu.

César Martins vive hoje uma situação totalmente diferente da que passou em 2017, quando jogava pelo Nacional-POR. Após a equipe da Ilha da Madeira ser rebaixada para a segunda divisão, ele foi duramente criticado pelo presidente Rui Alves.

“A verdade é que não imaginaria, por exemplo, que o pior central que conheci na Primeira Liga fosse emprestado pelo Benfica. Não me passaria pela cabeça!", afirmou o mandatário, em entrevista ao jornal Diário de Notícias, de Portugal.

A declaração fez o brasileiro pensar até mesmo em desistir da carreira.

“Foi muito difícil. É a única coisa que sei fazer, é um dom que de Deus me deu. Naquele momento pensei seriamente em parar pelas circunstâncias e por tudo que ocorreu. O presidente do Nacional falou algumas coisas depois do término do Campeonato e jogou tudo para mim. De 32 jogadores jogar a culpa em um só é meio covarde. A ajuda da minha família foi importante e nas férias pude ficar um pouco mais tranquilo. Mas pensei muito em parar de jogar bola”, relatou.

“Eu preferi deixar quieto e escutei muita gente falando. Procurei pensar em ficar tranquilo, mas isso ficava sempre batendo na minha cabeça e eu lembrava disso. Foi muito difícil recuperar a confiança e a vontade. Eu pensava: ‘Será que eu sou mesmo o pior zagueiro da Liga, sou tão ruim assim?’ As minhas férias foram muito complicadas e só fui ter vontade e coragem para procurar um novo clube depois um mês e meio. Eu aprendi muito com tudo que aconteceu e estou colhendo frutos bons”, garantiu.

O brasileiro, porém, não desistiu. Foi para o Vitória de Setúbal-POR e depois Juventude-RS antes de acertar com o Santa Clara-POR, no meio do ano passado.

O próximo desafio do zagueiro será contra o Sporting, no estádio José Alvalade, em Lisboa. O duelo válido pela 26ª rodada do Campeonato Português será nesta sexta-feira, às 17h30 (de Brasília).

Veja a entrevista de César Martins:

Como surgiu o Santa Clara-POR na sua vida? Como você avalia seu momento?
Surgiu depois de uma conversa muito proveitosa de ambas as partes. Vi um projeto muito bem elaborado e ambicioso de fazer uma boa equipe para se manter na Primeira Liga, o que é muito difícil. Fazia 15 anos que não jogavam a Primeira Liga. Eu abracei e está tudo correndo bem.

É um renascimento para sua carreira?
Foi um momento que tive que arriscar. O momento que estava ‘por baixo’ na minha carreira e abracei essa oportunidade que vem dando certo. Os companheiros me deram muito apoio. Foi um clube que deu a mão para mim e toda a minha família. O nosso treinador me ajudou demais. Estou muito feliz e espero conseguir essa manutenção o mais rápido possível. Para depois conseguirmos a melhor colocação. É o objetivo de todos.

Como foi a passagem pelo Nacional-POR?
Foi um ano que cheguei e tínhamos um equipe muito boa, mas as coisas não estavam ocorrendo muito bem dentro de campo, infelizmente. Por muitas coisas que ocorreram dentro do clube e algumas conversas que tive com o presidente e com um dos treinadores que estavam por lá. Não aceitaram muito bem. No fim da temporada ele deu aquela declaração sobre mim.

Como você reagiu?
Eu preferi deixar quieto e escutei muita gente falando. Procurei pensar em ficar tranquilo, mas isso ficava sempre batendo na minha cabeça e eu lembrava disso. Foi muito difícil recuperar a confiança e a vontade. Eu pensava: ‘Será que eu sou mesmo o pior zagueiro da Liga, sou tão ruim assim?’ As minhas férias foram muito complicadas e só fui ter vontade e coragem para procurar um novo clube depois um mês e meio. Passaram duas semanas e o Vitória de Setúbal me procurou, mas cheguei fora de forma. Depois conversei com o treinador, que me ajudou muito em termos mentais. Para eu me cuidar e ter mais confiança junto com os colegas. Consegui voltar a jogar meu melhor futebol. Depois, voltei ao Brasil e não foi uma escolha boa. Por tudo que ocorreu no Juventude. Mas agora a decisão que tomei em ir ao Santa Clara foi a melhor possível. Estou ajudando o clube a permanecer na 1ª Divisão. Está sendo um ano muito bom. Eu aprendi muito com tudo que aconteceu e estou colhendo frutos bons.

Como você fez para superar isso?
É complicado porque antes da crítica que ele soltou na imprensa, eu havia estado com ele uma semana antes. Tive uma reunião com ele, que não me falou nada sobre isso. Gostaria muito que tivesse falado isso para mim antes porque poderíamos ter debatido ali mesmo e chegado a uma conclusão. Mas ele não foi honesto nessa parte, achei que fosse mais honesto nisso. Quando estava no aeroporto da Madeira para ir à Lisboa recebi uma mensagem de um dos meus empresários com a reportagem. Fiquei muito triste e pensei em voltar.

Você quase chegou a desistir da carreira. Como foi isso?
Foi muito difícil. É a única coisa que sei fazer, é um dom que Deus me deu. Naquele momento pensei seriamente em parar pelas circunstâncias e por tudo que ocorreu. O presidente do Nacional falou algumas coisas depois do término do campeonato e jogou tudo para mim. De 32 jogadores jogar a culpa em um só é meio covarde. A ajuda da minha família foi importante e nas férias pude ficar um pouco mais tranquilo. Mas pensei muito em parar de jogar bola. Nisso surgiu, o Vitória de Setúbal-POR que me deu muita confiança para voltar a jogar. Estava em uma sequência boa, mas preferi voltar ao Brasil no Juventude. Fiquei por cinco meses lá.

Você começou a carreira no Atlético Sorocaba-SP, mas foi na Ponte Preta que você despontou?
Foi muito bacana e me encaixei muito bem pela forma de jogar. Me ajudava muito e tivemos um bom grupo. A gente caiu no Brasileiro, mas fomos vice na Sul-Americana. Muito se valorizaram depois disso. Fiquei no começo do ano seguinte e saí para o Benfica.

Como surgiu o Benfica na sua vida?
Foi tudo muito rápido. Quando chegou a oferta não pensei duas vezes porque era bom para o clube e para mim. Fui muito feliz porque é um time top da Europa e de Portugal, que sempre briga para ser campeão e joga a Uefa Champions League. Espero um dia voltar.

Qual o momento mais marcante que viveu no Benfica?
Sem dúvida o momento mais especial foi o título português, o primeiro da minha carreira. E o primeiro jogo que fiz de titular na Champions League contra o Leverkusen, no qual fui o melhor jogador da partida e saí na seleção da semana. Isso para mim foi muito gratificante por tudo que trabalhei para chegar até ali.

Por que resolveu sair do Benfica e vir ao Flamengo?
Foi uma situação delicada. Não fui bem eu que quis ir. Eu queria ficar no Benfica e ter a chance de jogar. Tinha me machucado no final da temporada. Eles viram que seria melhor sair de lá para pegar experiência e aceitei porque era uma oportunidade boa para mim. Fui jogar no maior clube do Brasil, que é o Flamengo. Não foi muito daquilo que esperava que iria ser, da forma como eu gostaria. Acho que nem a diretoria também. Mas fiquei feliz de poder jogar, não apenas passei por lá. Pude jogar, viver, vestir aquela camisa e ter a pressão da torcida, sem isso o futebol não tem graça. Naquele ano foi um pouco complicado, cheguei em uma fase difícil no Flamengo, estávamos abaixo do décimo lugar no Brasileiro. Sofremos muita críticas e disseram que íamos cair, mas colocamos o Flamengo no seu devido lugar.

Quais as melhores lembranças na Gávea?
As amizades que fiz no grupo e a torcida, que é a mais bonita do mundo. Não tem como comparar com qualquer outra, não tem explicação. Vestir essa camisa é sempre especial para qualquer jogador.