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Planilhas mostram que Del Nero não estava licenciado de Conselho do Palmeiras; presidente diz que é 'erro'

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Para Gian, presença de Del Nero no Conselho prejudica a imagem do Palmeiras (3:15)

No BB Debate, o comentarista cobrou uma atitude da diretoria do clube alviverde após matéria do jornal Estado de São Paulo (3:15)

Após a notícia de que o Palmeiras pode ser rebaixado pela Fifa por mantê-lo no CD (Conselho Deliberativo) do clube, o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Marco Polo Del Nero pediu licença de seu cargo nesta sexta-feira.

A pedido foi feito depois de requisição do presidente do órgão, Seraphim Del Grande.

Segundo informou Del Grande à ESPN, Del Nero já havia entrado com um pedido de licença de oito meses em abril do ano passado, quando foi banido pela Fifa de qualquer atividade relacionada ao futebol. Em seguida, entrou com recurso na entidade máxima do futebol para tentar reverter a decisão.

No entanto, planilhas de presença das reuniões do CD obtidas pela reportagem mostram que Del Nero não estava licenciado no período de abril a dezembro de 2018.

Em reuniões realizadas em 15/10/2018 e 19/12/2018, o ex-presidente da CBF aparece com "J" e "J" em seu nome - ou seja, faltas justificadas.

O correto neste caso deveriam ser dois "L", como constam, por exemplo, no nome de outro conselheiro licenciado: Aldo Rebelo.

Questionado sobre o tema, Seraphim Del Grande disse que se trata de "um erro" nas planilhas.

"Sim, sim, foi um erro. Pode ter sido porque ele é (conselheiro) vitalício, então, na hora (de marcar a presença), se confundiram. Mas ele estava licenciado", garantiu o presidente do Conselho.

LICENCIADO POR SETE MESES

Após o pedido feito nesta sexta, Marco Polo Del Nero agora ficará afastado novamente por sete meses, até que sua questão seja resolvida.

A ação de Del Grande é reflexo direto de uma carta escrita na última quinta-feira por conselheiros do clube, que pediram esclarecimentos sobre a situação de Del Nero e sobre possíveis punições que o Verdão poderia sofrer.

Sobre uma possível exclusão de Del Nero do CD, o que faria o Palmeiras estar em conformidade com o artigo 64 do Código Disciplinar da Fifa, Seraphim salientou que está de mãos atadas, já que a entidade suíça não fez qualquer comunicado ao Palmeiras.

"Você precisa ter ao menos 50 assinaturas de conselheiros para pedir uma reunião do CD para julgar. Só que, para ter um pedido de expulsão de conselheiro, precisa ter algo concreto. Como é que você vai expulsar (Del Nero) se aqui no Brasil ele está totalmente tranquilo? Ele não tem nenhuma condenação aqui no Brasil", salientou Del Grande.

"Quando houver comunicação da Fifa com a CBF, e a CBF nos comunicar oficialmente, eu convoco o CD em matéria de urgência aí sim para penalizá-lo. Mas, enquanto não houver essa comunicação, o que eu posso fazer? Não posso fazer nada...", afirmou.

"Na hora que houver uma comunicação da CBF, aí nós vamos ter que ver isso bem claramente. Teremos que ver se ele terá que ser banido da Sociedade Esportiva Palmeiras, só de cargos ligados ao futebol... Aí tomaremos uma atitude", finalizou.

Curiosamente, o filho de Marco Polo, Marco Polo Del Nero Nero Filho, foi recentemente eleito conselheiro vitalício no Verdão, prolongando a permanência da família nos bastidores do clube.

DEL NERO E PALMEIRAS

A trajetória de Del Nero no Palmeiras teve início em 1971, quando foi nomeado diretor da Comissão de Sindicância do clube pelo qual torce. Ao longo dos anos, passou também pelo jurídico e pela diretoria de futebol antes de fazer parte do COF (Conselho de Orientação Fiscal) do Verdão.

Desde o dia 27 de abril de 2018, porém, Del Nero está impedido de qualquer atividade relacionada ao futebol. Isso porque, por decisão do Comitê de Ética da Fifa, foi considerado culpado das acusações de suborno e corrupção, conflito de interesse e desvio de conduta à frente da CBF, levando multa no valor de 1 milhão de francos suíços (cerca de R$ 3,5 milhões).

O ex-dirigente recorreu à segunda instância jurídica da Fifa para derrubar a punição.