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Assistente alvo de racismo em Manaus identifica agressor e registra B.O

O episódio extra-campo que aconteceu na Arena da Amazônia na última quarta-feira, em que o assistente Uesclei Regison Pereira dos Santos afirma ter sido alvo de injúria racial ao ser chamado de “macaco” durante a partida entre Nacional e Princesa, pela quarta rodada do Amazonense, ganhou mais um capítulo. Após paralisar o jogo para identificar o agressor, o profissional de arbitragem registrou boletim de ocorrência.

Já na madrugada de quinta-feira, horas depois da partida, Uesclei se dirigiu ao 10º Distrito Integrado de Polícia, na Zona Centro-Oeste de Manaus, para denunciar o agressor, identificado durante a partida e que permaneceu na Arena da Copa do Mundo de 2014 até o apito final. No documento, o fato é considerado injúria consumada dolosa.

O discurso do assistente, inclusive, segue o que foi relatado ainda em súmula. Segundo Uesclei, um torcedor do Nacional o chamou de macaco já no segundo tempo, com a partida 2 a 0 para o time mandante, quando o lateral Paulinho chegou marcar o terceiro gol, mas o assistente assinalou impedimento, alegando que o atacante estava embaixo da trave e participou diretamente do lance.

“Aos 45+3 do segundo tempo, informei ao árbitro da partida, o Sr. Walter Francisco Nascimento dos Santos, que um torcedor que trajava uma camisa do Grêmio-RS, que estava na torcida do Nacional FC, o mesmo dirigiu-se a minha pessoa com as seguintes palavras: ‘Você está marcando errado, seu macaco’. Quando observei, o identifiquei, o mesmo com o dedo em riste, repetiu as mesmas palavras: ‘Tá marcando errado mesmo, seu macaco’. O jogo foi paralisado, acionamos a Polícia, porém o mesmo não foi detido, e evadiu-se do local”, escreveu na súmula.

Rapidamente, o auxiliar identificou o agressor, supostamente vestido com a camisa do Grêmio, e solicitou que a partida fosse paralisada. Homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) chegaram a conversar com o quarto árbitro, mas ninguém foi detido ou encaminhado para prestar depoimento. Segundo a Federação local, os policiais informaram que estavam atrás do bandeira e não ouviram qualquer insulto de natureza racista.