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José Mourinho custou ao Manchester United a possibilidade de conquistar a Premier League

O dia mais deprimente da Premier League até agora, se você for torcedor do Manchester United, foi 6 de outubro de 2018.

Neste dia, o Newcastle de Rafa Benitez, postado para se defender de um ataque nuclear, vencia por 2 a 0 aos 10 do primeiro tempo. Se isso já era surpreendente, o que se seguiu foi ainda mais: uma virada para 3 a 2, como gols de Mata, Martial e de Alexis Sánches - um cara que, dizem as lendas, costumava fazer muitos gols.

Bom, não? Imagine, então, se em vez de Mourinho, estivesse no comando do time Ole Gunnar Solskjaer. Daria até para imaginar uma campanha como a de 1996, quando o United tirou 12 pontos de desvantagem para o Newcastle de Kevin Kegan para vencer tudo em 1995-96. Mas não. O técnico era mesmo o "not-so-special-one".

A virada do primeiro parágrafo veio na sequência de resultados desastrosos: empate em 1 a 1 contra os Wolves na Premier League, eliminação na Carabao Cup, nos pênaltis, para o Derby County de Frank Lampard, uma constrangedora derrota de 3 a 1 para o West Ham e um empate decepcionante contra o Valencia pela pela Uefa Champions League. Se o United tivesse perdido para o Newcastle naquele dia, seriam dez pontos conquistados em oito jogos, nove atrás do Manchester City.

Em Manchester, o rumor era forte de que uma derrota para o Newscastle levaria à demissão de Mourinho. Em vez disso, a vitória deu a ele uma sobrevida. Algo como uma noite agradável em um relacionamento agonizante, que te faz pensar na possibilidade de dias melhores voltarem.

Mas é claro que isso não aconteceu. Na sequência, os Red Devils perderam pontos para Crystal Palace, Southampton e Arsenal, antes da aula de futebol recebida em Anfield, na derrota por 3 a 1 para nada menos que o Liverpool. E, só então, Mourinho recebeu o bilhete azul.

Uma pena, para o United, que a demissão tenha vindo com dois meses de atraso. Solskjaer, velho conhecido da torcida, chegou ao clube e, como um desfibrilador humano, reanimou os jogadores. Os torcedores se remoem. E se Mourinho tivesse sido demitido mais cedo? Difícil imaginar que isso aconteceria com o time tendo sido vice-campeão uma temporada antes - ainda que esse segundo lugar tenha sido um dos mais desmotivadores da história, completamente sem substância.

Aquele jogo com o Newcastle era um divisor de águas, poderia ter sido a retomada para a conquista do título.

Não ria.Tá bem, ria, eu não estou falando sério. Sim, o City e o Liverpool têm times melhores. E os Spurs, com as lesões de Kane e Delle Alli estão até se virando até o momento em que, bem, darão uma de Tottenham, como sempre.

Mas veja os números do United nesta temporada novamente: Com Mourinho, 26 pontos em 17 jogos; com Solskjaer, 25 pontos em nove jogos. Não é preciso ser cientista para concluir que, se Solskjaer tivesse mantido esse ritmo desde outubro, o Manchester United poderia ter uma chance de objetivos mais honrosos - pelo menos no mesmo patamar dos Spurs - e não estariam com a corda no pescoço para tentar garantir um lugar entre os quatro que disputarão a próxima Champions League.

Tá, é verdade que o United teve um choque de realidade contra o PSG na Champions, antes de bater o Chelsea na FA Cup. Mas tem sido uma delícia assistir ao time jogar de modo agressivo e prazeroso, como um Pac-Man que tomou estimulantes. O elenco continua limitado, Alexis Sanches ainda é Alexis Sanchez, a defesa está a uma falha de Phil Jones do caos total e o Chlesea e o Arsenal ainda estão respirando no pescoço para saber quem será o quarto colocado.

Bom, é isso que resta, não é? Poderemos estar em sexto ou sétimo em maio. Sob o comando do "nem-tão-especial-assim", a barra estava tão baixa que passar por ela era quase impossível. Por outro lado, com Solskjaer, dá para sonhar. Colocando de outro modo: Ficar fora dos quatro primeiros com Mourinho seria normal. Passar por isso com Solskjaer será como um soco na cara.

O que mata é a esperança... e os pensamentos sobre como as coisas poderiam ter sido.