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Leila Pereira, da Crefisa, admite que poderia pagar menos ao Palmeiras: 'Só patrocino pela minha paixão'

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Leila Pereira explica chance de chegar à presidência do Palmeiras: 'Se for possível, serei candidata' (5:00)

A dona da Crefisa também falou que não vê 'incompatibilidade nenhuma' ser presidente e dona da patrocinadora principal do clube (5:00)

Leila Pereira, presidente da Crefisa, patrocinadora do Palmeiras, já não esconde que tem aspirações administrativas no clube.

"Eu descobri que gosto da política do Palmeiras", disse ela ao ESPN.com.br, entre risos satisfeitos de quem se sente em casa na posição que ocupa hoje. "Descobri que aqui é o meu lugar".

Conselheira de primeiro mandato - que só precisa completar para se qualificar a ser candidata a mandatária máxima -, ela estará apta a ser presidente do clube em 2021, quando se encerra o segundo termo de Mauricio Galiotte, seu grande aliado e abridor de portas.

Num clube em que termos como "mustafistas" e "nobristas' já estão cunhados, em referências aos grupos de influência política dos dois ex-presidentes mais célebres da história alviverde recente, Leila inaugura uma terceira via: o "galiottismo".

"Meu grupo, o grupo da patrocinadora, do nosso projeto, é o grupo do presidente Galiotte", diz. "E eu digo isso porque a oposição não quer o que nós queremos: um Palmeiras vencedor, protagonista e profissional", afirma.

Com ele, a quem chama com respeito de "presidente Galiotte", Leila tem um peso cada vez maior na vida alviverde. Além de patrocinar, frequenta bastidores, participa de eventos e atende a chamados. Jura, porém, que não interfere em nenhuma decisão.

Por exemplo: a despeito de investir quase cerca de R$ 100 milhões anuais no caixa alviverde para associar as marcas de suas empresas ao clube, declara confiar integralmente em Galiotte para a negociação que pode deixar o Palmeiras, sem acordo com a Globo, fora da TV aberta no Brasileiro desta temporada.

Tal ausência deixaria de levar as marcas de Crefisa e FAM, que estampa a camisa do time, para um público potencial médio de 1,75 milhão de pessoas por partida só na Grande São Paulo, segundo dados do Ibope. Em 2018, 13 jogos do Palmeiras foram exibidos pela emissora carioca no Brasileiro.

Mas Leila Pereira reafirma: "não estou preocupada".

Confira abaixo o melhor da entrevista que Leila concedeu ao ESPN.com.br:

ESPN - É evidente que você tem uma relação muito emocional com o Palmeiras, e você chega ao clube pelo coração. Mas a relação que a Crefisa e o Palmeiras têm hoje vai além disso, certo? Financeiramente, pela exposição das marcas, também é interessante, não?
LEILA PEREIRA - Mas é obvio. Porque eu sou empresária. Mas, veja, eu também sei que eu poderia estar patrocinando o Palmeiras por um valor inferior a esse. E esse "a mais" é porque eu quero um projeto para o Palmeiras muito maior do que o clube teria com um valor menor.

ESPN - Mas essa conta fecha? A impressão que dá é que você só gasta o que gasta porque gosta do clube.
LEILA - E é isso. E eu só patrocino o Palmeiras pela minha paixão pelo Palmeiras, vou insistir 500 vezes nisso. Se eu não fosse palmeirense, eu não patrocinaria. Por que eu patrocino o clube? Para proporcionar ao Palmeiras um projeto que a gente almeja, gigante, fazer do Palmeiras um clube imbatível, organizado, profissional. É isso que queremos e estamos conseguindo. O Palmeiras é protagonista em todos os campeonatos. Nenhum jogador quer sair do Palmeiras.

ESPN - E, realmente, seu projeto no futebol é só o Palmeiras? Você pode vir a se tornar uma dirigente esportiva. Não pensa em levar isso, digamos, para a CBF, ajudar na evolução do futebol brasileiro?
LEILA - Não, é só o Palmeiras. Eu acho que já ajudamos muito o futebol brasileiro sendo exemplo de administração. Com esses investimentos que proporciono ao Palmeiras. Com a administração seríssima do presidente Galiotte à frente do clube, profissionalizando todas as áreas. O Palmeiras vem sendo premiado sistematicamente por práticas de gestão, dando exemplo. Eu não acredito em milagre. Você olha o que o Palmeiras era em 2014 e no que se transformou. A partir de 2015, o que aconteceu? Entrada da Crefisa, inauguração da Arena, vinda do Alexandre Mattos. Essa foi a arrancada do Palmeiras para o que nós pretendemos para o clube. E isso me estimula muito. Um Palmeiras vitorioso é bom para as minhas empresas, é bom para os nosso milhões de torcedores. É isso que lota os nossos jogos e faz vender os nossos produtos.

ESPN - O palmeirense tem um receio quanto à continuidade do seu investimento. Por que o Palmeiras não é refém da Crefisa, mas vem da empresa uma quantidade grande de recurso. Em uma mudança política, o Palmeiras corre risco de perder seu apoio?
LEILA - O Palmeiras não depende da Crefisa, tanto é que chegamos em 2015 e o Palmeiras é um clube centenário. Mas depende da nossa parceria o tamanho do projeto que você pretende para o Palmeiras. E para projeto que nós queremos para o Palmeiras, de um clube profissional, protagonista, vitorioso, a parceria é muito importante. Então, muitas pessoas da oposição dizem: 'O Palmeiras não precisa da Crefisa'. Bom, isso depende do projeto que você quer. E eu pretendo ficar no Palmeiras o resto da minha vida. Descobri que lá é meu lugar se as empresas continuarem com o sucesso, solidez e credibilidade. Somos uma empresa de 54 anos. E eu administro quase 20 empresas, todas 100% minhas e do meu marido. Enquanto estivermos com essa força, que espero que seja para sempre, estaremos ao lado do Palmeiras, porque descobrimos que lá é o nosso lugar também.

ESPN - Mas, no caso de uma outra corrente política chegar ao poder, isso é algo conversável? Ou seu projeto está atrelado apenas ao grupo do Mauricio Galiotte?
LEILA -
Por que eu digo que o meu projeto é atrelado ao presidente Galiotte? Porque o grupo da oposição não quer o que nos queremos, um Palmeiras protagonista, um palmeiras profissional. Então, nós não podemos deixar o Palmeiras dar um passo para trás. O grupo do presidente Galiotte é o grupo da patrocinadora, é o grupo da parceira, pelo qual vamos lutar para que permaneçamos no poder por muito tempo, para o bem do clube, para a modernidade do Palmeiras. Mas, é obvio, se aparecerem pessoas bem intencionadas como nós somos, eu não tenho problema nenhum de conversar, seja com quem for. E, aliás, conversar para puxar essa pessoa para ficar conosco, do nosso lado. Nós estamos sempre de portas abertas, sempre. Para qualquer pessoa que tenha esse olhar que nós temos, por um Palmeiras independente desses arranjos políticos. Tratar o Palmeiras como uma empresa que precisa ter sucesso. O lucro do Palmeiras são os títulos. Um clube fortalecido financeiramente. Pessoas que pensam dessa forma não estarão afastadas da gente. Pode ter certeza de que estarão junto conosco.

ESPN - Como a Crefisa vê a possibilidade de o Palmeiras ficar fora da Globo, caso não acerte contrato para exibição de seus jogos em TV aberta?
LEILA - Dessa negociação do Palmeiras com a Globo, quem cuida, exclusivamente, é o presidente Galiotte. E eu tenho certeza que o presidente Galiotte vai fazer o que for melhor para o Palmeiras. E, estando bom para o Palmeiras, para mim também estará ótimo.