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Gordon Banks além da defesa de Pelé: proposta que nunca chegou do Liverpool, conspiração e perda de visão

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Encontro especial: de terno, Pelé fez gol de pênalti em Gordon Banks em evento na Inglaterra há 19 anos (1:03)

O ex-goleiro inglês morreu na madrugada desta terça-feira, aos 81 anos. (1:03)

Gordon Banks sempre soube que a defesa realizada no cabeceio de Pelé, no dia 7 de junho de 1970, seria o lance pelo qual seria relembrado por toda a eternidade. Mas o ex-goleiro, campeão da Copa do Mundo em 1966, teve muitos outros fatos para ser lembrado.

Nascido em 30 de dezembro de 1937, em Sheffield, ele precisou de apenas 23 jogos na elite inglesa pelo Chesterfield para convencer o Leicester a investir em sua contratação, custando 7 mil libras em julho de 1959.

Sua primeira chance com a camisa da seleção inglesa veio em abril de 1963, na vitória por 2 a 1 contra a Escócia, no início da preparação da equipe de Alf Ramsey para a disputa da Copa do Mundo de 1966, que aconteceria na Inglaterra.

Três anos depois a vaga no gol da seleção inglesa era indiscutível, e Banks foi titular em todos os jogos da única conquista do país em Mundiais. Foi também em 66 que ele começou uma sequência que duraria até 1971, sendo seis vezes eleito o melhor goleiro do ano pela Fifa.

Mas a festa pelo título da Copa foi sucedida por questionamentos sobre sua titularidade no Leicester, que via o surgimento de Peter Shilton e decidiu vender Banks. Foi aí que veio uma decepção para o goleiro.

“Eu esperei, mas o Liverpool nunca veio”, disse o goleiro, que ouviu de Roger Hunt o conselho para assinar com nenhuma equipe, pois o técnico Bill Shankly, dos Reds, iria atrás dele.

“Eu sentei e esperei, as semanas foram passando eu pensei que eles viriam atrás de mim. Pensava que eu valia as 50 mil libras. Estava há oito anos no Leicester e tinha jogado cinco finais de copa: duas Copas da Liga, duas Copas da Inglaterra e uma final de Copa do Mundo”, disse em entrevista à Radio 5.

“Então o diretor do Leicester chegou e disse que o Stoke estava interessado e eu deveria falar com eles. Eu tinha 28, estava no auge e o Leicester tinha me colocado à venda. Eu, honestamente, não poderia sair rápido o suficiente e jogar por um time que me quisesse. Então assinei com o Stoke”, contou.

Em 1970, dias depois da espetacular defesa, Banks seria notícia por outro motivo. Na véspera da partida contra a Alemanha Ocidental, pelas quartas de final, o goleiro foi acometido por aquilo que os mexicanos chamam de “Maldição de Montezuma”, uma diarreia acompanhada de febre e câimbras.

Depois de passar pelos primeiros testes físicos, Banks acabou tendo uma recaída e foi substituído por Peter Bonetti. O então goleiro do Chelsea demonstrou nervosismo e a Inglaterra desperdiçou uma vantagem de 2 a 0, sendo eliminada.

Apesar de nunca ter surgido algum tipo de prova, Banks foi alvo de teorias da conspiração. Ele teria sido envenenado para evitar que a Inglaterra continuasse sonhando com o bicampeonato, mas o goleiro nunca admitiu a ideia de uma sabotagem.

Em outubro de 1972, um dia depois de defender o Stoke em uma partida contra o Liverpool, sofreu um acidente de carro ao voltar para casa, e acabou perdendo parte da visão do olho direito. Aos 34 anos, no fim daquela temporada, anunciou sua prematura aposentadoria.

Banks ainda voltaria a jogar em 1977, quando defendeu o Fort Lauderdale Strikers, na liga norte-americana de futebol. Campeão da divisão, o goleiro foi eleito como o melhor do ano, sua última glória dentro dos gramados.