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Jovem que fugiu de incêndio pela janela comemora 'segunda vida' e relata porta emperrada em alojamento do Flamengo

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Presidente do Flamengo diz querer resolver pendências no Ninho do Urubu no menor prazo possível (2:17)

Rodolfo Landim falou sobre a tragédia que matou dez garotos no CT do Flamengo (2:17)

O incêndio que atingiu o CT Ninho do Urubu na madrugada da última sexta-feira causou a morte de dez atletas das categorias de base do Flamengo. Mas poderia ter causado muito mais.

Um dos sobreviventes da tragédia é Pablo Ruan, atacante de apenas 16 anos que conseguiu deixar o alojamento graças à janela, já que a porta de seu quarto estava emperrada.

"Eu estava dormindo no quarto. Quando acordei, já estava com falta de ar. Estava tudo escuro, não dava para enxergar nada. Tentei abrir a porta, mas ela já tinha travado. Aí fui tentar sair pela janela. Vi que passava e me joguei pela janela", descreveu ele, em entrevista à RPC nesta segunda.

"Passei primeiro minha cabeça, depois fui passando meu corpo. Quando vi que passou tudo, me joguei para fora. Depois amarrei minha camiseta na cara e tentei puxar a grade. Chamei o segurança, e ele arrancou a grade. Ajudei a puxar os três que estão no hospital hoje" contou, referindo-se a Jhonata Ventura, Cauan Emanuel e Francisco Dyogo, que ficaram feridos e estavam no quarto ao lado.

No dormitório em que Pablo estava, porém, os garotos não deram a mesma sorte: Christian Esmério, Jorge Eduardo e Samuel Thomas, três dos jovens que morreram no incêndio. E o atacante relembrou os momentos de terror que viveu naquela madrugada.

"Estavam gritando, apavorados. Menos o Christian, que estava dormindo com fones de ouvido. Acordei com falta de ar, sem saber o que estava acontecendo", contou ele, que mostrou não ter ressentimentos do clube, garantindo que sempre foi bem tratado.

"Desde quando cheguei o Flamengo cuidou muito bem de mim. Nunca me faltou nada no clube. Foi um fato que aconteceu de temporal, caiu árvore, por isso a energia ficava indo e voltando. Quando voltou de uma vez, queimou o ar condicionado", disse.

Pablo Ruan, inclusive, garantiu que esse trauma não o fará desistir do futebol. E que a partir de agora ele não jogará apenas por si, mas também pelos amigos que perdeu.

"Por questão de segundos eu poderia ter morrido. Minha segunda vida agora. Estou muito feliz com isso. Vou continuar, não vou desistir do meu sonho. Isso poderia acontecer na casa de qualquer um. Eles poderiam ter ido para casa e acontecer lá. Foi uma tragédia que aconteceu. Não vou me abalar. Vou continuar sonhando por eles também", encerrou o garoto.