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Flamengo: Tia de vítima de incêndio no Ninho do Urubu tenta ajudar a identificar corpo do sobrinho

Extremamente abalada e ao mesmo tempo revoltada, Simone de Souza chegou ao hospital com uma sacola contendo exames e documentos de Jorge Eduardo, o garoto de 15 anos que morreu vítima do incêndio nos alojamentos onde estavam 26 garotos da base do Flamengo, no Ninho do Urubu, na manhã da última sexta-feira.

O motivo para estar abalada é claro. Perdeu de forma trágica o sobrinho, a quem tinha prometido aos pais que tomaria conta. A família do garoto, incluindo ele, é da cidade mineira de Além Paraíba. Ele faria 16 anos na próxima quinta.

Jorge Eduardo era volante e estava desde os 12 anos no Flamengo. Torcia pelo Fluminense, mas a possibilidade de progredir no clube rubro-negro vinha animando o menino.

Quem ajudou na vinda do garoto de Além Paraíba para o Rio de Janeiro foi o prefeito da cidade - Miguel Belmiro Júnior, de quem Jorge Eduardo é afilhado. A tia dava suporte e já estudava um jeito de tê-lo como hóspede. Ela mora no Rio de Janeiro.

“Se fosse para ele morrer em um contêiner, era melhor ele morrer na nossa comunidade”, disse.

Este é o motivo da revolta. Ela não se conforma com o que aconteceu e quer investigações para saber como foi possível o alojamento de um clube profissional se mostrar tão vulnerável.

A revolta também ocorre porque o corpo do garoto ainda está no IML Afrânio Peixoto, no Rio de Janeiro. Como foi carbonizado, não pode ser identificado pelas digitais. A tentativa de usar a arcada dentária também não funcionou.

Ela trouxe consigo um raio-x do tórax do garoto, exames de sangue e documentos, como certidão de nascimento. Tudo para poder o quanto antes liberar o corpo do sobrinho para ser sepultado em Além Paraíba.