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Henry: os motivos da demissão do Monaco após apenas 104 dias como técnico

Thierry Henry certamente não percebeu a tempo o impacto negativo que uma decisão teria tido em sua passagem como técnico do Monaco. Mas, em 11 de dezembro de 2018, véspera do jogo de seu time contra o Borussia Dortmund na Uefa Champions League, ele foi longe demais.

Naquele dia, o francês humilhou Loic Badiashile, goleiro de 20 anos da equipe, por não ter recolhido a cadeira para baixo da mesa ao final da entrevista coletiva que deram juntos. Henry, provavelmente, só estava tentando demonstrar sua autoridade. Alguns aplaudiram, como um exemplo de respeito. Mas, nos bastidores do Monaco, a postura não caiu bem.

A avaliação foi de que aquela não era a forma que um técnico, ainda mais com um nome do tamanho do de Henry, deveria tratar um jogador – em público ou mesmo de forma privada. Badiashile teria realmente feito algo tão ruim para ser envergonhado daquela forma?

O episódio é um resumo dos 104 dias que Henry durou como técnico do Monaco, até sua demissão na última quinta-feira. O relacionamento entre ele e os jogadores no vestiário nunca funcionou, ainda que a queda não tenha a ver apenas com o poder dos atletas com a direção.

A maior parte do elenco, na verdade, não queria que Leonardo Jardim, antecessor e agora novamente sucessor de Henry, saísse. Apesar dos resultados ruins no início da temporada, com apenas uma vitória até a demissão, os atletas confiavam no técnico e o apoiavam.

Algo que, por outro lado, nunca aconteceu com Henry. Principalmente por causa da postura do francês, como ficou claro no exemplo com Badiashile. A avaliação é de que o agora treinador ainda se comporta como jogador, parece “um dos garotos”, como definiu uma fonte.

Aos 41 anos, Henry nunca havia treinador um time principal e não parecia se portar como técnico. Sua linguagem corporal, algumas de suas reações e seus métodos, talvez, entregaram que ele ainda não estava pronto para um trabalho como o que acabou assumindo.

Quando Henry chegou, o Monaco era 19º no Campeonato Francês. Depois de 12 rodadas, a posição é a mesma, com apenas duas vitórias. Ainda assim, o clube o apoiou. Ele pediu Cesc Fabregas, por exemplo, e a direção atendeu, abrindo os cofres para tirar o veterano de 31 anos do Chelsea.

Até a manhã de quinta, o trabalho de Henry ainda estava a salvo, mas ele perdeu muito da confiança da direção na partida do fim de semana anterior, goleada por 5 a 1 para o Strasbourg em casa. Mais do que pelo resultado, pesou contra ele a ofensa ao lateral Kenny Lala, flagrada pela televisão.

Henry até tentou se justificar, pedir desculpas, mas o estrago estava feito. No Monaco, a imagem do clube, assim como a do Principado, é tudo, e as ações do treinador foram muito negativas.

Veio a quinta, Henry comandou a sessão de treino, sua última, e também concedeu entrevista coletiva – que também acabaria sendo sua derradeira. O fim da linha para o técnico foi a decisão de “rebaixar” alguns dos principais jogadores do plantel e apostar em jovens “com fome”.

Com Leonardo Jardim já oficializado como novamente treinador, o Monaco tem jogo importante pela Ligue 1 neste sábado, às 17h (de Brasília), contra o Dijon, 18º colocado. Com dois pontos separando os rivais, uma vitória pode tirar o agora ex-time de Henry do penúltimo lugar.