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Matheus Carvalho fez golaço na seleção italiana e jogou Champions League; hoje, recomeça no Náutico

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Fluminense: Matheus Carvalho fez golaço na seleção da Itália em 2014 (0:25)

O amistoso foi realizado em Volta Redonda e terminou com vitória dos italianos por 5 a3 (0:25)

Matheus Carvalho viveu o melhor e o pior do futebol em pouco menos de um ano. Para passar da Uefa Champions League ao desemprego e recomeçar no futebol, ele precisou ter muita maturidade.

O atacante revelado no Fluminense foi bicampeão do Brasileiro (2010 e 2012), passou um período emprestado para o Joinville e perdeu espaço na equipe das Laranjeiras em sua volta. Após um amistoso - do qual ele não iria participar - às vésperas da Copa do Mundo viu sua história mudar.

Foi para o Monaco, atuou com grandes astros do futebol como Bernardo Silva, Martial e Ricardo Carvalho, além de ter enfrentado a Juventus. Mas apenas seis meses depois teve seu destino mudado.

Passou por dificuldades e começou a reconstruir sua carreira. Hoje, aos 26 anos, ele joga no Náutico e deseja renascer para o futebol junto com a equipe pernambucana, que disputará a Série C do Brasileiro.

Veja o depoimento de Matheus Carvalho ao ESPN.com.br:

Sou de Niterói e comecei no futsal do Fonseca. Aos oito anos fui para o Fluminense e fiquei uns 16 anos lá. Jogava com Wellington Nem e o Fábio Braga, que hoje é meu empresário. Joguei na seleção sub-16 com Neymar e o Coutinho. Subi em definitivo aos profissionais em agosto de 2010 e fui para o banco de reservas contra o Grêmio. Estava no grupo que foi campeão brasileiro.

Tinham muitos caras bons no clube naquela época era difícil de jogar. Nos almoços e jantares via Fred Conca e Deco conversando. Gostava de aprender o máximo com eles pela experiência. Joguei várias vezes até fora da minha posição para ter um espaço, mas ajudei o time a vencer o Brasileirão de 2012.

Como estava sem espaço fui emprestado para o Joinville e tive uma sequência bacana e quase subimos par a Série A. Depois, voltei ao Fluminense e vivi o maior jogo da minha carreira, em 2014.

Ficamos muito felizes quando soubemos que íamos fazer um amistoso contra a seleção italiana antes da Copa do Mundo, em Volta Redonda. Eu não estava relacionado para o jogo, mas o Rafael Sóbis precisou viajar para o velório do Fernandão e eu acabei indo. Eu não esperava nem entrar, mas estava treinando forte por uma chance.

Graças a Deus, o técnico Cristóvão Borges me colocou e na primeira bola fiz um gol. A gente jogou no segundo tempo contra os titulares quando entrou o Balotelli e o Pirlo. Perdemos o jogo por 5 a 3. Pena que não foi no Buffon, mas foi especial de qualquer jeito. Isso resgatou minha confiança. Logo que fiz o gol eu me emocionei bastante. Isso me ajudou porque o mundo todo viu e ali pude alavancar meu nome no futebol.

Mal eu poderia imaginar que um tempo depois eu estaria jogando uma Champions League contra vários caras daquela seleção.

Pouco depois fui contratado pelo Monaco, que me acompanhava desde 2012. Fiquei sabendo que diretor Luís Campos, que é português me pediu, mas o Abel não liberou na época. Depois eu fiz um gol no Criciúma e os caras do Monaco estavam lá. Ele me disse que eu era o segundo da lista, o primeiro era o Éverton Ribeiro que tinha ido para a Arábia Saudita.

O treinador era o Leonardo Jardim, que gosta muito de brasileiros. Ele desde o começo me deixou à vontade e disse que me conhecia há muito tempo. Fiquei muito surpreso em saber disso. Cheguei por empréstimo porque o Flu não queria minha rescisão. Eu fiz contrato com o Barra da Tijuca-RJ e fui emprestado ao Monaco depois da Copa do Mundo.

Pouco depois que cheguei fui para a Inglaterra de trem para tirar o visto inglês. Passei o réveillon com a família eu falei que ia jogar a Champions. Dois meses depois isso aconteceu. Estava sem jogar no Flu e pouco tempo depois estava na Champions League! Falar isso até me emociona porque foi muito forte o que senti naquela época.

Fui relacionado para o jogo contra o Arsenal porque estava fazendo bons treinos e quando tocou o hino da Champions foi um emoção de criança. Comentava com os colegas no banco que passou um filme na cabeça de tudo que passei.

No jogo contra a Juventus eu nem esperava entrar, mas o Leonardo Jardim me colocou no fim. Quando está em um jogo assim é importante acertar o primeiro passe para "entrar no jogo". Fiz isso. Infelizmente perdemos por 1 a 0 com um gol do Arturo Vidal de pênalti. Em Monaco, foi 0 a 0 e fomos eliminados, mas entrei também.

No Campeonato Francês eu fiz alguns jogos que chamaram atenção e saíram muitas matérias em jornais. Tinham falado que quatro clubes estavam atrás de mim como o Saint-Etienne e o Napoli. Fiquei bastante alegre com isso.

No meio de 2015, um diretor do Monaco falou que estava 99% certo para eu ficar, que tinham gostado de mim e eu poderia viajar ao Brasil. Fiquei em casa resolvendo as coisas e em contato com eles direto. O tempo foi passando e surgiu a chance de ir ao Atlético-PR e estava preparado para ir lá. Meu empresário falou que eu não poderia mais viajar para a Europa porque tinha que ter pedido o documento de transferência.

O Monaco já tinha feito minha inscrição para liga do ano que vem, mas minha documentação ficou presa na França porque não tinha contrato novo. Fechou a janela e não poderia jogar na França e nem no Brasil. Ia ficar seis meses parado. Tive um auge na minha carreira e foi tudo por água abaixo.

Depois tiveram situações do Brasil para jogar pelo Avaí na Série B, mas o clubes que vieram atrás de mim tinham problemas de salários. Fui para Forlauderdale Strikers, dos Estados Unidos, mas era uma incógnita. Foi uma escolha nossa que foi muito errada. Foi uma burrada que fiz aquela época e não deveria ter feito.

Voltei depois ao Brasil para jogar no Atlético-GO no meio da temporada de 2017 e estávamos brigando pelo acesso na Série B e fiz o gol do título contra o Tupi-MG. Me reergui. Depois, fui ao Paraná e tinha um projeto muito bom e subimos para Série A. Joguei mais no primeiro semestre, mas depois perdi espaço com troca de treinadores e diretoria.

Fiquei sem clube e me preparei bastante nesse período antes de ir ao ABC. O gerente de lá me conhecia de base. Infelizmente não subimos, mas nosso time era muito bom e tive uma sequência. Me senti bem no ABC, é um clube que tem estrutura bacana e não merece estar na Série C. Hoje, estou jogando no Náutico.

Quando der a volta por cima vou lembrar de tudo que passei.