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Ex-Flamengo, Gustavo Geladeira relembra churrasco e cerveja com Luxa: 'Se não beber, não vai jogar'

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Gustavo 'Geladeira' culpa David Braz por apelido que recebeu no Flamengo (0:44)

O zagueiro atuou ao lado de Ronaldinho Gaúcho, foi comandado por Luxemburgo e ganhou o apelido que carregaria pelo resto da carreira: 'Geladeira' (0:44)

A relação entre jogadores de futebol e bebida alcoólica tem ficado cada vez mais complicada nos últimos anos. Com o patrulhamento feito por torcedores através das redes sociais, são poucos os boleiros que arriscam tomar uma cervejinha de vez em quando. Os técnicos também costumam pegar no pé, já que não pega bem com a diretoria e com os fãs ter atletas beberrões no plantel.

No Flamengo da era Vanderlei Luxemburgo, entre 2010 e 2012, porém, as coisas funcionavam de maneira muito diferente.

O zagueiro Gustavo Silva Conceição, mais conhecido como Gustavo Geladeira, viveu de perto os tempos de Luxa no comando.

"O Luxemburgo me viu jogando o Carioca pelo Boavista e me indicou para o Flamengo. É um dos caras mais fantásticos que já trabalhei na vida. Ele me ajudou demais, pois não trata a estrela diferente do desconhecido. Lembro de uma frase que ele usava muito: ‘Pau que dá em Chico, dá em Francisco’. Era um treinador que chamava a atenção do menino que começou ou da estrela do time do mesmo jeito. Eu o admiro muito mesmo e um dos maiores orgulhos que tenho é ter trabalhado com o Luxa", contou, à ESPN.

Segundo o defensor, hoje com 32 anos e novamente no Boavista após rodar por diversos clubes, o consumo de cerveja pelos jogadores não só era permitido como também incentivado por Luxemburgo.

"Uma vez teve um churrasco para o time na casa dele, uma cobertura. Estava rolando uma cervejinha, e a maioria do pessoal bebia. Estava passando a cerveja e eu só olhando. Eu tinha acabado de chegar no clube e estava doido para tomar uma, mas estava dando aquela segurada (risos)", lembrou, às gargalhadas.

"Daí o Luxa veio ver se estava faltando alguma coisa e me perguntou: 'Ô negão, você não bebe?'. Eu respondi: ‘Não, professor’. Ele respondeu: ’Se você não beber, não vai jogar no meu time!’ (risos). Daí o pessoal caiu na risada e o garçom começou a trazer cerveja pra mim. Não teve jeito, né? (risos). Bebi um pouco. Nem estava querendo, né? (risos)", brinca.

"Com o Luxa, sempre tinha churrasco para os jogadores e era muito bacana. Unia a rapaziada e rolava muita resenha", relata, saudoso.

Outra boa lembrança que Gustavo guarda do Fla é o peso e a importância da camisa do clube.

"Teve uma história que me marcou muito. Foi em Curitiba. Estava muito frio, e havia vários torcedores dormindo na porta do nosso hotel. Um deles tinha viajado mais de 600 km com filho só para ver a gente. Ele não tinha condição nem de comprar ingresso para o jogo, mas foi lá nos ver", recordou, emocionado.

"Sempre que eu podia eu acenava ou dava um tchau para eles, que ficavam muito felizes. Isso me marcou demais. O Flamengo é uma entidade muito grande. Eu adorava ter contato com os torcedores. Um abraço, uma foto ou um autógrafo são coisas que eles nunca esquecem", completou.

PARCERIA COM KAKÁ EM ORLANDO

No início de 2012, Vanderlei Luxemburgo se desentendeu com a diretoria flamenguista e acabou demitido pelo clube. Com isso, Gustavo Geladeira, que era um dos xodós do técnico, viu suas oportunidades diminuírem na Gávea.

"Assim que o Vanderlei saiu do Flamengo, eu pedi espaço. Nós fizemos uma campanha muito ruim na Libertadores e no Estadual. Daí fizeram uma reformulação no elenco. Meu empresário achou melhor ir emprestado para o Atlético-GO, que seria um lugar para ter mais sequência, e eu fui", contou.

Depois de defender o "Dragão" de Goiânia, o zagueiro foi duas vezes emprestado pelo Fla ao Boavista, e passou também pelo Ceará, em 2013. Na temporada seguinte, decidiu jogar no Vila Nova de maneira surpreendente.

"Em 2014, apostei na rescisão de contrato com o Flamengo para ir ao Vila Nova, que estava na Série B e virtualmente rebaixado para a Série C. Só que eu precisava jogar e aparecer. Fui muito criticado na época, me chamaram até de 'louco' pela situação. Mas eu preferi ir pelo Vila por ser uma grande equipe, com torcida fanática. Fiz um bom trabalho, mesmo com o rebaixamento", exaltou.

O bom futebol no Vila chamou a atenção do Orlando City, dos Estados Unidos, que o contratou em 2015.

"Cheguei junto com o Kaká. Esse é um cara sensacional! No primeiro dia, já tirou onda comigo: 'E aí, Geladeira, vamos encher isso aqui de brasileiro!’ (risos). Chegou quebrando o gelo. Isso já fez a gente ficar parceiro", relatou.

"Ele me ajudou muito nos Estados Unidos, porque eu não sabia falar nada de inglês, então ele me traduzia tudo (risos). Eu não gostava de fazer gelo, mas ele me obrigava a fazer gelo com ele sempre. A gente ficava conversando depois do treinos na resenha (risos). Como eu ia falar não para o homem?", divertiu-se.

"Morar em Orlando é bacana demais, apesar de eu ter ficado pouco tempo. O hotel que eu ficava tinha uma brasileiro que era chefe de cozinha que me ajudava muito na hora da refeição", complementou.

A sequência de sua carreira foi no Mohun Bagan, da Índia, que é um dos times mais antigos do futebol asiático. Diferentemente do Orlando City, porém, Gustavo diz não ter aproveitado tanto a passagem pelo exterior.

"Fui jogar na Índia, mas o time não era desse Superliga que criaram recentemente. A cultura lá é muito diferente da nossa. Passei muitas dificuldades, mas aprendi muito também. Quando você passa por aperto fora do seu país, aprende a valorizar mais as coisas. Infelizmente, o clube não tinha muita estrutura, então dá para dizer que foi uma experiência dolorosa", lamentou.

As últimas equipes do ex-flamenguista foram Vila Nova, Londrina e Boa Esporte. Em 2019, ele segue com contrato com o Boavista e jogará o Carioca pelo time de Saquarema. A estreia será no dia 23 de janeiro, às 19h (de Brasília), contra a Cabofriense.