<
>

Felipe Pires, reforço do Palmeiras, foi de ajudante de serralheria à Bundesliga

Com empréstimo acertado com o Palmeiras, o atacante Felipe Augusto Rodrigues Pires, 23 anos, que pertence ao Hoffenheim, da Alemanha, vestirá a principal camisa de sua carreira. Ainda desconhecido no Brasil, ele assinou contrato na última sexta-feira.

"Estou feliz demais, é um sonho se realizando. Graças a Deus", disse ao ESPN.com.br.

Uma mudança e tanto na vida do jovem, que na adolescência ajudava seu pai em uma serralheria antes de ser jogador profissional em São Paulo.

"Era um serviço bem puxado, mas eu gostava de estar ao lado dele para ajudar na oficina. Meu pai sempre foi um trabalhador e um espelho para mim. Eu ficava por perto segurando os ferros, a escada, essas coisas", relatou.

Felipe Pires começou a jogar por equipes da região metropolitana da capital paulista antes de conseguir uma chance.

"Eu rodei em vários times como A.D. Guarulhos, Flamengo de Guarulhos e Grêmio Mauaense. Eu estava fazendo bom um Paulista sub-17 e marquei vários gols. Então, o Red Bull, Palmeiras e Corinthians vierem atrás de mim. Optei pelo Red Bull", explicou.

Após se destacar no Campeonato Paulista sub-20 e na Copa São Paulo de Futebol Júnior, ele chamou atenção de clubes europeus.

"Os olheiros do Red Bull da Europa gostaram de mim e me chamaram para faz um teste na Áustria. Fui aprovado e fiquei por lá", contou.

Ao chegar ao time austríaco, Felipe foi mandado por seis meses para o time sub-19 do RB Leipzieg, da Alemanha, que também pertence a empresa Red Bull, para ganhar experiência.

“Foi bem difícil esse começo não só pela língua, mas pela mentalidade e filosofia de jogo também. É complicado sair do Brasil com 18 anos e o país neva e tem muito frio. Jogar na neve era complicado. Tinha dia que eu nem sentia os pés quando ia treinar”, afirmou.

O jovem atacante precisou aprender a falar alemão.

“O idioma até que não foi o pior porque o clube dava muito suporte. Eles tinham paciência e me deram tempo para aprender”.

Enquanto não dominava a língua, o brasileiro pagou alguns “micos”.

“Eu estava entrando no campo quando o treinador falou: ‘Schnell’ [rápido em alemão]. Fui para o vestiário colocar o chinelo e voltei. Todo mundo começou a dar risada e não entendi nada (risos). Depois, o tradutor me explicou que era para ir rápido (risos)”, relatou.

Depois de passar o período no RB Leipzieg, ele ficou a primeira parte da temporada 2014/15 no Liefering, equipe B do Red Bull Salzburg que jogava a 3ª divisão austríaca.

No começo de 2014, ele foi efetivado para o time principal e venceu duas ligas nacionais e a Copa da Áustria.

“Foi muito especial porque fiz o gol na final da Copa quando o jogo estava difícil. Vencemos por 2 a 0”, recordou.

No fim de 2015, Felipe foi comprado pelo Hoffenheim-ALE e repassado ao Frankfurt-ALE, no qual fez 21 jogos e um gol.

Em 2017, ele foi cedido ao Austria Viena e virou titular absoluto da equipe, que terminou a Liga Austríaca na terceira posição. Em agosto, ele voltou ao Hoffenheim, mas ainda não tinha entrado em campo nesta temporada.