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De olho no Palmeiras, Blackstar 'se esconde' no Google e tem representante polêmico, mas diz: 'Como vamos lavar dinheiro com cheque à vista?'

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Conheça a empresa que quer ser a nova parceira do Palmeiras (5:25)

Rubnei Quicoli, representante da Blackstar, falou sobre a companhia e a ideia do projeto (5:25)

A proposta, propriamente, é de conhecimento público: R$ 1,4 bilhão (US$ 300 milhões, sendo US$ 250 milhões à vista, mais US$ 50 milhões em fundo emergencial). O contrato de patrocínio é de dez anos. Quem a está fazendo, no entanto, já não é tão conhecido assim.

A intenção de patrocínio protocolada pela Blackstar International Limited junto ao Palmeiras vem causando curiosidade nos torcedores em relação à empresa com sede em Hong Kong. Quem procura por ela na Internet, entretanto, não consegue muitos resultados.

Foi preciso pesquisar muito para se chegar a um resultado que levasse a informações sobre a Blackstar. E não há nenhum resultado de busca para o site oficial de uma empresa chamada Blackstar International Limited no Google e no Bing, serviços de busca mais utilizados mundialmente.

Representante da Blackstar revela valor de proposta ao Palmeiras

"E não é para ter mesmo. A Blackstar, em si, só agrupa empresas. Essas empresas têm marcas. E essas marcas estarão na camisa do clube caso a gente chegue a um acordo", explicou ao ESPN.com.br, Rubnei Quícoli, o representante da holding no país e líder das negociações com o Palmeiras.

Segundo Quícoli, os nomes das empresas que compõem a holding ainda não podem ser revelados. Mas ele revela que há companhias do setor de agronegócio, fabricantes de avião e turbinas de pequeno porte, além de empresas do ramo de energia e bionergia.

Após pesquisar e encontrar no portal Medium uma reportagem sobre o interesse da Blackstar no Palmeiras, a ESPN encontrou, no site HKG Business, de Hong Kong, menção à criação de uma empresa Blackstar International Limited na região. A data de sua constituição é 22 de janeiro de 2018.

"Sim, somos nós. E a criamos justamente para que ficasse clara a nossa seriedade", diz Quícoli.

Mas tudo que o HKG traz é a data e o nome da empresa. Não há menção de website ou qualquer indicativo de contato. O site asiático também lista outras 13 companhias com o nome Blackstar, em países como Canadá, Noruega, Malásia e Cingapura, com atuações que vão do ramo cafeeiro ao mercado de capitais.

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SUSPEITA

Rubnei Quícoli, palmeirense declarado, encara com naturalidade a suspeita quanto à Blackstar e à sua proposta. Mas tem respostas.

"Falam que vamos lavar dinheiro. Bom, como é que vamos lavar dinheiro com um cheque à vista?", indaga o executivo. "O dinheiro que vamos investir no clube é verba de marketing, declarada para esse fim. São empresas estrangeiras", diz.

"E tem mais: nossa oferta é pagar à vista. Não há, assim, risco de haver qualquer problema com o pagamento", explica.

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O executivo também não se furta de falar sobre si mesmo, já que uma pesquisa rápida pelo nome dele remete a diversas polêmicas.

Reportagens de veículos como Veja e Jornal Nacional atestam que o empresário já foi condenado pela Justiça em duas oportunidades: por interceptação de mercadoria roubada e posse de moeda falsificada. Além de ter sido citado em um caso de ameaças a funcionários da Casa Civil do Governo Federal em 2010, durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Eu comprei um carro que passou até por inspeção e estava legalizado. Quando me entregaram, descobri que era clonado", diz ele. "Quanto à moeda falsificada, eu era dono de um posto de gasolina e o meu malote tinha sete notas de R$ 50 falsas. Foi um golpe e as duas situações já estão esclarecidas", jura.

Representante de empresa que quer parceria com Palmeiras: 'Não estamos concorrendo com a Crefisa'

Quanto ao imbróglio com o Governo Federal, Quícoli afirma ter sofrido retaliação. "Eu me recusei a participar de uma prática que havia no governo que sofreu impeachment. Preciso dizer mais alguma coisa?", indaga ele. "Se eu fosse criminoso, você acha que o governo dos EUA me permitiria fazer negócios por lá?", diz ele, que mora e opera parte do ano em Miami.

Quícoli também cita seu conhecimento sobre pessoas do clube como salvo conduto para si e para a Blackstar.

"Em 2015, eu me reuni com Paulo Nobre, Genaro Marino (candidato derrotado nas eleições palmeirenses) e o próprio Galiotte (atual presidente). Na ocasião, a ideia já era trazer a Blackstar para o clube", revela o executivo.

"Mas, diante do contrato recém-fechado com a Crefisa, decidimos, em comum acordo, esperar um momento oportuno para voltar a pensar em patrocinar o Palmeiras. Momento esse que chegou agora", diz.

"As pessoas vinculam a nossa proposta à eleição e não tem nenhum sentido. Não pensamos em patrocinar o Palmeiras por causa desse ou daquele presidente, mas pelo clube", diz.

Procurados para comentar o assunto, Alexandre Zanotta, diretor jurídico do Palmeiras, que reuniu-se com Quícoli na terça-feira, 11, declarou, por meio da assessoria de imprensa do clube, que ninguém não irá comentar o assunto por tratar-se de uma questão interna.

Já Genaro Marino, também por meio de sua assessoria de imprensa disse que a proposta recebida da Blackstar, a despeito de ter vindo pelas mãos de Quícoli, veio de uma empresa, e não da pessoa física.

"Solicitamos informações e comprovantes bancários atestando capacidade de investimento no Brasil, bem como informações do Banco Central e, somente após o recebimento, é que protocolamos a carta de intenção no clube e sujeito, no caso de vencermos a eleição, complementar os documentos com Due Delligence", disse.

"Fomos procurados pelo Sr. Rubnei, após ele tomar conhecimento, pelos jornais, da fala de Leila Pereira, de que ela sairia do Palmeiras caso ganhássemos a eleição. Por isso ele nos procurou oferecendo interesse de um multinacional em patrocinar a SEP", finaliza.

Rubnei Quícoli diz que, como palmeirense, quer muito que o clube acerte com o time pelo qual toda sua família torce. Mas afirma que Flamengo e Corinthians são mesmo alvos da companhia, caso não haja acordo com o Palmeiras.

O clube alviverde tem contrato com o Crefisa até 31 de dezembro de 2018. E é esse, também, o prazo para que o Palmeiras comunique se pretende fechar com a Blackstar.