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VAR faz sucesso na Copa do Mundo masculina, mas pode ficar fora do Mundial feminino e jogadoras reclamam

David Ramos/FIFA via Getty Images

Sucesso na Copa do Mundo da Rússia em 2018, o VAR foi um dos assuntos mais falados durante a competição. Para Gianni Infantino, presidente da Fifa, após a experiência, seria “difícil pensar na Copa do Mundo sem o árbitro de vídeo”. Mas parece que o sistema foi importantíssimo apenas no masculino, tendo em vista que o VAR ainda não está confirmado para a Copa do Mundo de Futebol Feminino na França.

Para a zagueira da seleção americana e do Utah Royals FC, Becky Sayerbrunn, se os homens tiveram na Copa do Mundo, devia ser feito o mesmo com as mulheres. Por outro lado, Sam Kerr, atacante da seleção australiana e do Perth Glory FC, disse que não gostou quando o VAR foi lançado, mas que depois do mundial masculino, acredita ser primordial:“Depois de assistir aos jogos com e sem ele, eu percebi que realmente funciona”.

Portanto, faltando seis meses para os jogos e um dia após o sorteio dos grupos, a FIFA, que criou um enorme plano para o futebol feminino, ainda não confirmou se o árbitro de vídeo estará ou não presente no mundial.

Megan Rapinoe, do Seattle Reign FC e da seleção dos Estados Unidos, reconhece a diferença entre o futebol masculino e feminino, mas manda recado a FIFA: “Não acho que cada coisa precisa ser igual. Entendo comercialmente que o jogo dos homens é muito maior e traz mais dinheiro. Mas há certas coisas que deixa claro que não se importam com a gente e nem sequer pensam em nós”.

Técnica da seleção americana, Jill Ellis afirmou que esteve em um treinamento em Zurique, quando um porta-voz da FIFA deu março como prazo final para decidir se a tecnologia de vídeo seria implementada no campeonato feminino. Ela disse que ela e seus colegas pressionaram que o VAR fosse utilizado e eles usaram como desculpa que não haveria tempo suficiente de treinar as árbitras para usarem. Nessa semana, a FIFA nomeou 27 árbitras e 48 assistentes para o torneio – todas mulheres e três, inclusive, brasileiras.

Para Ellis, a iniciativa da equipe ser 100% feminina é ótima, mas a desculpa de que mulheres não estão treinadas não é suficiente para ela: “Eu não me importo com gênero. Eu quero igualdade”. Por que não escalar homens para arbitrar se o problema for falta de treinamento?

Enquanto não está definido se será ou não utilizado o VAR para as mulheres, a tecnologia tem se expandido no jogo masculino. Só essa semana, a Uefa anunciou que implementaria o árbitro de vídeo em vários torneios, inclusive nas fases eliminatórias da Liga dos Campeões e nas finais da Liga Europa e Liga das Nações. Na Inglaterra, a Premier League aprovou ao uso a partir da próxima temporada.

As jogadoras dos Estados Unidos disseram que ficariam tristes, mas não surpresas com a probabilidade de não terem a tecnologia. Mas como todo mundo, eles só podem esperar para ver o que a FIFA decide, mas sem perder as esperanças: “Ainda estou esperançosa que façam a coisa certa de uma vez”, finalizou Sayerbrunn.