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De Vrij vale R$ 174 milhões, colocou Miranda no banco da Inter de Milão e deixou brasileiro incomodado

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'Jogador do meu nível tem que jogar sempre', diz Miranda sobre a reserva na Inter de Milão (1:18)

Titular da seleção brasileira, atleta está sendo pouco aproveitado nesta temporada na Itália (1:18)

O zagueiro Miranda é titular absoluto da seleção brasileira, mas, na Inter de Milão, seu clube desde 2015, ele não é mais o dono da posição.

Desde a goleada por 4 a 1 sofrida para a Atalanta, em 11 de novembro, o ex-São Paulo vem sentando no banco de reservas, enquanto a dupla de zaga da equipe vem sendo formada pelo eslovaco Milan Skriniar e pelo holandês Stefan de Vrij, que ocupou a vaga de Miranda.

Na última quarta-feira, após partida contra o Tottenham, pela Champions League, o defensor brasileiro admitiu estar incomodado com a situação.

"Sendo sincero, me incomoda um pouco (ficar na reserva), mas respeito todos os meus companheiros. O importante é saber que estou bem. Se tiver que jogar 5 minutos, tenho que fazer meu melhor", disse ao repórter João Castelo-Branco, da ESPN, na zona mista.

"Estou procurando treinar bem para aproveitar as oportunidades. Todos já sabem da minha qualidade e do que posso dar para a equipe. Lógico que um jogador do meu nível tem que jogar sempre. Mas, como falei, estou aqui para ajudar e fazer meu melhor, aproveitando todo minuto que estiver em campo", completou o veterano, que jogou meros 8 minutos contra os Spurs após entrar na segunda etapa.

Miranda, agora, terá que suar para recuperar a posição, já que De Vrij, contratado de graça pela Inter da Lazio na última janela de transferências e avaliado em 40 milhões de euros (R$ 174 milhões) pelo site especializado Transfermarkt, vive grande fase.

E quem conhece bem o holandês de 26 anos garante que não será tão fácil roubar seu espaço...

'É UM MONSTRO'

O zagueiro Maurício Nascimento, ex-Palmeiras e Grêmio e atualmente no Johor, da Malásia, formou uma dupla de zaga implacável com De Vrij na Lazio na temporada 2014/15, quando o time de Roma terminou o Campeonato Italiano em 3º lugar e se classificou para a Champions.

"Montamos uma parceria muito boa. Levamos a Lazio de volta à Liga dos Campeões depois de seis temporadas de ausência, e ainda por cima terminamos à frente do Napoli, que foi nosso grande rival naquele ano", lembrou o brasileiro, em entrevista à ESPN.

O ex-palestrino é só elogios ao holandês, contratado pela Lazio depois da Copa do Mundo de 2014, na qual se destacou demais na campanha do bronze da "Laranja Mecânica".

"Ele é um excelente zagueiro, que merece hoje estar em um grande clube. É muito alto, forte e rápido. Corre muito! É um monstro! Acompanha qualquer atacante na velocidade e tem uma ótima arrancada", descreve.

"Além disso, tem excelente parte técnica e sabe sair jogando como poucos. Esse é o diferencial dele. É zagueiro tranquilo, que não se afoba de jeito nenhum. Se precisar sair driblando o atacante, ele faz sem problemas, pois não é um rebatedor", acrescenta.

Puxando na memória, Maurício inclusive lembrou uma partida decisiva em que seu "parça" brilhou.

"Fizemos muitos jogos bons juntos, mas teve um especial contra o Napoli, em que precisávamos ganhar no San Paolo para garantirmos a vaga na Champions. Abrimos 2 a 0, mas eles empataram em 2 a 2 e tiveram a chance de virar de pênalti, mas o Higuaín errou", recordou.

"Depois disso, o De Vrij tirou uma bola em cima da linha que com certeza teria sido o fim do sonho da Lazio. Em seguida, fizemos o 3 a 2 e terminamos ganhando por 4 a 2. Foi uma partidaça", exaltou.

"Antes desse jogo, ele já tinha muita moral com a torcida e com os jogadores. Depois disso, então, virou um ídolo (risos)", brinca.

FRIO E CALCULISTA

Segundo Maurício, Stefan de Vrij é uma pessoa fácil de conviver, mas extremamente focada no trabalho.

"É uma excelente pessoa e um grande amigo que fiz no futebol. Fora de campo nós estávamos sempre juntos, e isso ajudava ainda mais no nosso entrosamento. É um cara muito tranquilo, não é de sair pra noite. Cuida muito do corpo e às vezes treina até demais (risos)", conta.

"Ele chegava sempre uma hora antes da gente iniciar o trabalho e sempre se dedicava muito. É uma característica dos jogadores holandeses, que são sempre empenhados e dedicados. Na Europa, a exigência com o profissional e com as regras é muito maior", comenta.

Além disso, ele é muito concentrado dentro de campo. É aquele cara frio e calculista. Até mesmo nos treinos ele ficava bem sério, não tinha muita risada. Acho isso importante para zagueiro, porque intimida os adversários (risos)", diverte-se.

De Vrij, aliás, aprendeu muita coisa boa com os amigos brasileiros.

"Saíamos sempre para jantar eu, ele e o Felipe Anderson. Depois, íamos quase toda vez na casa do Felipe jogar um baralho. A gente gosta de jogar cacheta e ensinamos pra ele. No começo ele tinha um pouco de dificuldade, e ganhamos uns euros dele (risos). Mas depois o cara ficou bom e virou fera no carteado, começou até a ganhar da gente", relata.

"Também brincávamos muito com ele no vestiário, porque ele queria aprender os palavrões em português (risos). Aí do nado, no meio do treino ou numa conversa, ele soltava uma barbaridade com aquele sotaque bem carregado. Era muito engraçado, a gente vivia tirando onda dele", afirma.

"Além disso, ele gostou muito do Brasil quando veio ao país para jogar a Copa, e comentou muito das comidas, falou que achou deliciosas. E disse também que as mulheres brasileiras são lindas (risos)", encerra.