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Ele saiu do São Paulo para a Europa, viu Modric nascer para o futebol e marcou o 'imparável' Henry

A ótima campanha da Croácia na Copa do Mundo de 2018 pode ter sido uma surpresa para muitas pessoas, mas não para Carlos Santos. O zagueiro morou cinco anos no país do leste europeu e jogou junto (ou contra) praticamente toda a geração que se destacou na Rússia.

Em 2006, o brasileiro foi para o Dinamo de Zagreb-CRO e atuou ao lado de jogadores que fariam grande sucesso na Europa anos anos seguintes.

"Eu joguei com Modric, Mandzukic, Corluka, Kovacic, Lovren, Vida, Kramaric, Vrsaljko... Era quase uns 70% da seleção que foi vice-campeã da Copa", disse, ao ESPN.com.br.

Antes de se aventurar no "Velho Continente", porém, Carlos rodou por vários clubes no Brasil. O garoto natural de Guarulhos começou por incentivo de seu irmão na escolinha Macedo. Após passagens pela base de Santos, Juventus-SP e Corinthians, ele foi parar no São Paulo.

Na equipe do Morumbi, atuou ao lado de Hernanes, Diego Tardelli e Fábio Santos. Como não teve chances de ser efetivado na equipe principal, Carlos foi emprestado aos times profissionais do Rio Branco de Andradas-MG e do Mixto-MT antes de retornar para o Sub-20 tricolor.

"No meu último ano de juniores, eu me destaquei em uma edição da Copa Cultura. Tinham dois representantes do Dínamo de Zagreb, da Croácia, que estavam observando jogadores e se interessaram por mim. Como estava em final de contrato e o São Paulo e não tinha interesse em renovar, eu esperei terminar 2005 e aceitei a proposta deles", disse, ao ESPN.com.br.

Amigo da geração croata

Com a "geração de ouro da croácia" no Dínamo, ele faturou cinco vezes a Liga Croata e mais três Copas da Croácia. O capitão da equipe era Luka Modric, hoje no Real Madrid, eleito o melhor jogador do mundo em 2018.

"Ele tinha muita qualidade naquela época, mas hoje é bem mais jogador do que antes. Desde novo já demonstrava ter muita técnica. Era a minha primeira opção de passe, quando ficava difícil eu dava a bola nele porque sempre saía alguma coisa. Ele sempre tirava algum coelho da cartola".

Esse lado mais descontraído de Modric vinha da intensa convivência com os brasileiros. "Ele sempre me chamava de ‘Burrito’ porque sempre como eu era primeira opção de passe. Eu jogava ao lado dele e como sempre ele queria que tocasse para ele. Quando não tocava ele me chamava de Burrito (risos)”, recordou.

“No dia a dia ele era muito quieto. Ele não é aquele cara de falar muito. Era gente boa pra caramba e brincava às vezes, mas era uma pessoa mais tímida. Ele aprendeu bastante coisa em português. Na época que eu cheguei ele já sabia muitas coisas porque o [ex-atacante do Flamengo] Eduardo da Silva estava lá há uns três anos. Ele ensinou algumas palavras para ele, inclusive, claro os palavrões”, relatou.

Apesar do sucesso na Croácia, Carlos não conseguiu jogar a fase de grupos da Uefa Champions League. "A gente foi eliminado pelo Tottenham em um ano e no outro pelo Arsenal. Mesmo assim, joguei duas vezes a Europa League e foi excepcional. Fazia um tempo que a equipe jogava uma competição europeia", relatou.

Da experiência na Europa, o brasileiro guarda com carinho os duelos contra o Arsenal, em agosto de 2006. Após perder na Croácia por 3 a 0, os croatas foram derrotados por 2 a 1 em Londres, em duelo válido pelos playoffs da Champions.

"Foi uma experiência única que eu guardo na memória até hoje. Foram jogos muito bons de se disputar, com grande nível técnico e tático. Ficou marcado na minha memória porque foi o primeiro jogo internacional do Emirates Stadium. A equipe deles tinha Fabregas, Gilberto Silva e Adebayor. Eu era novo e foi maravilhoso ter essa experiência", recordou o defensor, que duelou também com Thierry Henry.

"Tive essa experiência um pouco assustadora (risos). Infelizmente foi por pouco tempo porque ele entrou faltando 15 minutos para o fim, mas mudou o jogo. Ele tinha acabado de voltar da Copa do Mundo e a França tinha eliminado o Brasil com um gol dele. Estava 1 a 0 para a gente, mas depois o Arsenal virou por 2 a 1 com uma assistência dele", contou.

"O Henry é um jogador excepcional como a gente sabe. Infelizmente não consegui conversar porque também não época não falava inglês. Não deu para trocar camisas porque não tive a oportunidade, mas lembro de cada detalhe daquele jogo porque foi um dos maiores que eu joguei na minha carreira", afirmou.

Ele ainda passou pelo Varazdin, da Croácia antes de ser emprestado ao Shandong Luneng, da China, em 2010, pelo qual venceu a Superliga Chinesa. Após uma temporada, ele voltou ao Dínamo, mas ficou por pouco tempo. Logo em seguida, defendeu o Ettifaq FC, da Arábia Saudita.

O brasileiro ainda rodou por Naft Tehran e Zob Ahan (ambos do Irã), antes de mudar-se para a Tailândia, antes de defender o Ratchaburi, da Tailândia, em 2016.

"Fiz uma boa primeira temporada e renovei meu contrato. O problema é que sofri uma lesão no ligamento cruzado do joelho esquerdo bem no começo de temporada. Rescindi meu vínculo e voltei ao Brasil para fazer um tratamento muito difícil", lamentou.

Aos 33 anos, o brasileiro ficou um ano e meio parado e agora tenta retomar a carreira.