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Alemanha: Vexames da seleção são culpa de Guardiola? Pelos números, melhor culpar Thomas Müller e cia.

Na última segunda-feira, uma entrevista do ex-jogador alemão Hans Peter Briegel, na qual ele culpou o técnico Josep Guardiola pelos vexames recentes da seleção da Alemanha, repercutiu em todo o mundo.

"É culpa dele, ele nos traiu dizendo que ter 75% de posse era o suficiente para ganhar, mas não é. No futebol o resultado é muito mais importante do que o controle do jogo. Controlar a bola não é suficiente para vencer. A França deu uma clara demonstração quando foi campeã mundial ", disparou Briegel, ao jornal italiano La Repubblica.

Mas será mesmo que Pep Guardiola, hoje treinador do Manchester City, é realmente o culpado pelo rebaixamento da Alemanha na Liga das Nações, decretado na última sexta-feira? E também é o vilão da queda ainda na primeira fase da Copa do Mundo 2018, na Rússia?

Os números mostram que a realidade não é bem essa...

Segundo dados do TruMedia, banco de dados exclusivo da ESPN, a Alemanha campeã do mundo no Brasil, em 2014, apresenta estatísticas extremamente semelhantes ao time atual, que teve péssimos resultados na nova competição internacional criada pela Uefa.

Ou seja: o time que ainda tinha pouca influência do "Guardiolismo" (o técnico começou a treinar o Bayern em 2013) joga e se comporta de maneira bastante parecida com o da equipe "contaminada" pelas ideias do catalão (ele deixou os bávaros em 2016).

Na Copa 2014, o Alemanha teve 60% de posse de bola, trocou 631 passes por jogo e deu, em média, 11 finalizações por partida.

Já em 2018, somando Copa do Mundo, amistosos e Liga das Nações, a esquadra comandada por Joachim Löw teve até agora 60% de posse de bola, deu 624 passes por jogo e finalizou 11,4 vezes por partida.

Portanto, a culpa não é da posse de bola e nem dos passes, característica do tiki-taka de Guardiola, que encantou o mundo principalmente no Barcelona, entre 2008 e 2012.

Afinal, o time de 2014, que faturou o tetra no Mundial do Brasil, e o de 2018, que acumula vexames, se comportam exatamente da mesma forma: a posse de bola é idêntica, enquanto o número de passes por jogo cresceu pouquíssimo.

A grande diferença, portanto, é o aproveitamento de finalizações. Os dois times chutavam a gol praticamente com a mesma frequência, mas a equipe de 2014 colocava a bola na rede, enquanto a de 2018 não coloca.

Os números comprovam: na Copa 2014, foram 7 jogos, 18 gols (2,57 por jogo) e 48,5% de finalizações corretas.

Já em 2018, tudo piorou: em 13 partidas, foram apenas 14 gols (1,07 por jogo) e o aproveitamento de finalizações caiu pra 33,7%.

Antes de culpar Guardiola, portanto, é melhor pensar se os verdadeiros culpados não são Thomas Muller, Timo Werner, Leroy Sané, Serge Gnabry, Marco Reus, Julian Draxler, Julian Brandt e outros...