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Do começo tarde no futebol a 'meia mais desejado do Brasil': Zé Rafael, do Bahia, conta sua história

Um dos jogadores mais cobiçados nos últimos anos, Zé Rafael começou tarde no futebol. O meia de 25 anos do Bahia foi um dos destaques das categorias de base do Coritiba, mas enfrentou grandes dificuldades quando subiu aos profissionais e quase desistiu da bola. Somente após passar um período emprestado para clubes como Novo Hamburgo-RS e Londrina-PR foi que ele viu seu nome ganhar as manchetes pelo Brasil.

Natural de Ponta Grossa, no Paraná, Zé Rafael sonhava desde cedo com a carreira nas quatro linhas.

"Minha família não teve nenhum atleta antes de mim. Foi uma paixão que eu tinha desde criança, a bola era meu único brinquedo. Não era carrinho nem pipa, eu gostava de jogar bola na rua ou aonde eu ia. Comecei aos cinco anos, fazendo escolinha de futsal no colégio, e joguei até meus 17 anos. Eu não jogava nem na várzea", disse ao ESPN.com.br.

Em 2008, após vencer a Taça Paraná Sub-15, ele recebeu uma oferta do futsal do Joinville-SC, mas recusou. A mudança de casa viria somente dois anos depois, quando foi para o Trieste, de Curitiba.

"Eu jogava de ala no futsal e para ir para o campo é muito diferente. Demora um tempo até pegar as suas característica. No começo, foi bem difícil, mas a adaptação foi até rápida. Depois, dei sequência. Meu sonho de moleque sempre foi jogar futebol de campo, mas onde eu morava não tinha um clube profissional com categorias de base. Para quem não tem ninguém do meio, é difícil encontrar um teste. Por isso, demorou tanto (risos). Mas, ao mesmo tempo, foi na hora certa. O Trieste me deu uma base boa para seguir na carreira", agradeceu.

Depois de apenas três meses, ele foi para a base do Coritiba.

Empréstimos para se firmar

Zé Rafael foi destaque na Copa São Paulo de Futebol Júnior e na Dallas Cup, nos EUA, e subiu para os profissionais. Após um tempo de adaptção, ele estreou pelos profissionais em 2013. O meia, porém, não conseguiu se firmar na equipe principal.

"Eu acho que não estava totalmente preparado. Algumas etapas foram queimadas e pulamos muito rápido. Eu tive oportunidades quando não estava totalmente pronto para aquele momento. Tínhamos uma concorrência muito grande mesmo, ainda mais na minha posição. Eram meias de muita qualidade como Alex, Robinho, Everton Ribeiro, Lincoln e Rafinha. Eles estavam em um momento muito melhor do que o meu. Eu não tinha como jogar com tantos caras bons na minha frente", relatou.

Cedido para o Novo Hamburgo para jogar o Gaúcho de 2014, ele se destacou. "Fui emprestado para ganhar mais experiência porque até então não tinha dado certo no Coritiba. Fui muito bem e fizemos uma boa Copa do Basil. Depois eu voltei ao Coritiba, mas fiquei treinando afastado do resto do elenco porque não tinha espaço para mim", lamentou.

Por muito pouco, Zé Rafael não abandonou a carreira.

"Estava no Coritiba sem jogar e sem perspectiva nenhuma de me tornar uma realidade. Já estava desmotivado, afastado e já tinha estourado a idade na base, mas completava alguns treinos do Sub-20. Foi o momento que mais pensei em largar o futebol e buscar outras coisas, mas tive muito apoio da família e dos amigos. Tem momentos que são difíceis de superar. Tive cabeça e mantive foco, bati a poeira e levantei mais uma vez. Não poderia desistir do que sempre sonhei de maneira tão fácil".

A carreira do meia começou a mudar depois do Paranaense de 2015, quando ele foi emprestado para jogar a Série C do Brasileiro pelo Londrina.

"Após perdermos a final do Estadual para o Operário-PR, a diretoria decidiu que eu não seria utilizado no Nacional. O Londrina já me conhecia desde a base e me chamou. Nós conseguimos o acesso para a Série B e fomos vice-campeões. Eu fui para a seleção do campeonato", contou.

Ao voltar ao Coritiba no ano seguinte, porém, ele não conseguiu oportunidades. No começo do Paranaense o meia pediu para voltar ao Tubarão para jogar a Série B. Com o destaque, ele chamou atenção de equipes da elite do Brasileiro.

"Foi nesssa época que as coisas começaram a dar certo na minha carreira. A cidade é boa para se morar e o clube tem uma estrutura ótima. Nós quase subimos para a Série A", relatou.

"Eu tinha mais um ano de vínculo com o Coritiba e em dezembro passei resolvendo isso. O Coritiba queria que eu renovasse o contrato para ficar, mas eu não estava satisfeito e não queria de jeito nenhum. O Bahia se interessou e me levou em definitivo", recordou.

Sucesso no Bahia

Zé Rafael chegou no começo de 2017 ao Fazendão. Logo em sua primeira temporada, ele foi vice-campeão do Baiano e faturou a Copa do Nordeste, sendo um dos destaques nas finais contra o Sport.

"Eu cheguei como um jogador desconhecido e buscando trabalhar. Comecei o ano jogando porque estava muito bem fisicamente e não saí mais do time. Tive uma sequência boa de jogos e ganhei a confiança dos companheiros. As portas se abriram de uma maneira muito rápida. A final da Copa do Nordeste vai ficar gravado na minha memória. Logo no meu primeiro ano fazer parte dessa história foi ótimo", recordou.

Como as boas atuações se mantiveram no Campeonato Brasileiro, ele passou a ser desejado por vários times como Cruzeiro, São Paulo, Corinthians e Palmeiras. A equipe alviverde acertou a prioridade de compra do meia até 2019.

"No meio para o fim o ano passado começaram a surgir as primeiras notícias de que outros clubes estavam interessados em mim. O pessoal viu meus números e partidas e acharam que eu poderia ser alguém que tinha um algo a mais. Tiveram alguns clubes, saíram várias notícias no ano passado. As coisas não aconteceram e voltei esse ano ao Bahia com a mesma cabeça", garantiu.

Em 2018, ele venceu o Campeonato Baiano e foi vice da Copa do Nordeste.

"Quero fazer um grande trabalho e ajudar o clube a fazer um ano bom e tenho conseguido. Fizemos a melhor campanha da história do clube na Copa do Brasil e na Sul-Americana. Temos caminhado bem no Brasileiro para no mínimo nos mantermos na primeira divisão. Tem sido um ano muito bom e tem tudo para terminar de uma maneira boa", disse o jogador.

Recentemente, o nome do meia, que comemora seus gols com as mãos nos olhos em homenagem ao seu filho, que gosta do desenho "Mundo Bita", voltou às manchetes.

O Palmeiras deverá exercer no fim do ano a prioridade na contratação de Zé Rafael, que tem contrato até 2020 e multa rescisória de 10 milhões de euros. Por enquanto, ele garante que não tem nada certo.

"Eu vejo como um ponto positivo e fico feliz para caramba em ver uma equipe do tamanho do Palmeiras tenha interesse em contar comigo no futuro. Eu preciso continuar trabalhando para que as coisas continuem acontecendo. A gente sabe que não é fácil. Por enquanto são só especulações, como foram no ano passado. Preciso continuar dando meu máximo no Bahia. Estou com a cabeça boa e tranquila para fazer um bom trabalho aqui. Oficialmente não tem nada", garantiu.

O próximo desafio do Bahia no Campeonato Brasileiro será contra o Atlético-MG no estádio Independência, em Belo Horizonte, neste sábado (17/11), às 21h (de Brasília).