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Adriano Pagode, campeão da Libertadores pelo Santos, treina na praia e quer nova chance

Sem clube desde que terminou seu contrato com o Santo André, no fim do Campeonato Paulista de 2018, Adriano Pagode tem aproveitado o tempo livre para dar mais atenção para sua família.

O volante de 31 anos, campeão da Copa Libertadores de 2011 pelo Santos, tem treinado nas praias da Baixada Santista. Além disso, joga algumas peladas com os amigos e se dedica a projetos fora das quatro linhas.

“Eu tenho aproveitado esse tempo para ficar com a família. jogo futevôlei e vendo algumas coisa que não costumava fazer e organizar a vida. Fico em casa e me dedico a projetos sociais, gosto de acompanhar os meninos da Baixada passar um pouco do que sei. Além disso, levo meus filhos na escola, busco e curto viajar também. São coisas que por causa do trabalho não consigo fazer normalmente”, disse, ao ESPN.com.br.

“Estou vendo propostas e tenho treinado em dois períodos todos os dias. De manhã faço academia e de tarde vou para praia e treino com um personal trainer amigo meu. Toda terça eu jogo um bate bola na ponta da praia com a rapaziada da comunidade que moro. A gente joga bola mais para tirar o stress, são caras que trabalham com outras coisas. Vou mantendo a forma física. Faço um pouco de cada coisa para estar apto para quando surgir uma nova chance”, afirmou.

Com a experiência em ter jogado em lugares como Goiás, Bahia, Alagoas, Rio Grande do Sul e São Paulo, Adriano aguarda fechar em breve com um novo time.

“Não procuro colocar metas. Trabalho com o que tenho no momento, Agora, estou aproveitando a família. Se vier uma proposta boa, eu vou me dedicar ao máximo”, relatou.

Começo de carreira

Adriano Bispo do Santos ganhou o apelido de Pagode, que o acompanhou por toda carreira, ainda na infância, graças a seu avô, que já é falecido.

"Quando eu nasci, ele muito fã do Zeca Pogodinho e eu era muito miúdo. Ele me achava parecido com o Zeca. Era primeiro Zeca do Pagode, depois ficou Pagodinho e por fim virou Pagode (risos). No meu bairro ninguém sabe quem é o Adriano (risos)", relatou.

O volante começou no futsal e várzea de São Vicente antes de chegar ao Santos, aos dez anos. Ele fez todas as categorias de base ao lado do atacante Júnior Moraes e do zagueiro Marcelo (Lyon).

"Eu subi ao profissional em 2007 com o professor [vanderlei] Luxemburgo que mesclava o time principal com a molecada porque nosso time jogava a Libertadores. Eu tive que operar o menisco e fui emprestado por um ano ao São Caetano, e 2009. Quando eu voltei, ganhei oportunidades com o [técnico] Adílson Batista", recordou.

Em 2011, com a chegada do treinador Muricy Ramalho a carreira de Adriano mudou de patamar. "Ele soube tirar o máximo de mim naquele momento. Consegui a confiança dele e fiz meu papel".

"Nosso ambiente era bom demais e adorávamos colocar uma música do Grupo Revelação chamada 'Tá Escrito' ["Erga essa cabeça, meté o pé e vai na fé. Manda essa tristeza embora...basta acreditar que um novo dia vai raiar, sua hora vai chegar.."] no aquecimento antes de todos os jogos. Nossa amizade foi essencial para esse sucesso. Era um ambiente muito descontraído e com brincadeiras. Ficávamos mais em concentrações do que as nossas famílias. Isso me marcou demais".

"A gente fazia um rachão do time do Neymar contra o do Edu Dracena. A gente apostava cestas básicas e era muito legal porque ninguém queria perder".

O volante elegeu o jogo conta o Cerro Porteño fora de casa como o mais complicado porque a equipe corria o risco de não chegar às oitavas de final e ainda tinha os desfalques de Elano, Neymar e Zé Love.

"Quando saímos do Brasil todos nos davam fora da competição. Aquele jogo marcou nossa arrancada. Nós fechamos como um grupo de amigos e o Ganso jogou demais", elogiou.

Título da Libertadores e fora do Mundial

Nas oitavas de final da Libertadores, o Santos eliminou o América do México depois de vencer por 1 a 0 em casa e empatar em 0 a 0 no México, com grande atuação do goleiro Rafael Cabral. A equipe alvinegra eliminou o Once Caldas-COL nas quartas e o Cerro Porteño-PAR na semifinal. Na decisão, o adversário foi o Peñarol-URU, comandado por Diego Aguirre, que tinha como principal craque Martinuccio.

"Ele foi o cara mais casca dura naquela Libertadores. O Muricy me deu a missão de marcá-lo e eu consegui ir bem. Ele estava jogando muito bem e foi complicado por ser uma final. Nosso elenco era muito jovem, mesclado com uns experientes", afirmou.

Com um empate em 0 a 0 no Estádio Centenário de Montevidéu e uma vitória por 2 a 1 no Pacaembu, a equipe alvinegra foi campeã da Libertadores, o que não ocorria desde 1963 na "Era Pelé".

"O Santos não ganhava esse título há muitos anos e a nossa recepção em Santos foi espetacular. Desde que saímos do Pacaembu até a Vila, o carinho das pessoas foi enorme. Era mais de 3h30 e a Vila estava lotada! Ver o torcedor chorando de alegria me marcou demais. Ganhar um título no meu país e perto da família é especial e levarei para o resto da minha vida", recordou.

Após o título, Adriano seguiu com o Santos atuando no Campeonato Brasileiro. Faltando pouco menos de duas semanas para o Mundial de Clubes, porém, o volante lesionou o joelho e perdeu a competição. Ele viu de casa a derrota de sua equipe na final por 4 a 0 na final para o Barcelona de Lionel Messi e Pep Guardiola.

"Torci muito pelos meus amigos que estavam lá. Tentei não pensar que poderia estar lá no Mundial. A gente fez um churrasco com a família para ver os jogos e fui apenas torcedor. Isso foi fundamental para não pensar assim. Eles fizeram um ótimo Mundial, mas não conseguiram ser campeões porque o Barcelona foi superior. Eles deram o melhor deles para conseguir".

Provável marcador de Lionel Messi naquele jogo realizado no Japão, ele era o home de confiança de Muricy Ramalho para anular os craques adversários. "Ainda não tínhamos falado da final do Mundial porque o Brasileiro era importante. Isso foi mais criado por parte da imprensa pelo estilo de jogo do Santos. Como eu sou marcador e acabou crescendo sobre essa hipótese de que eu seria o marcador do Messi".

"Eu tenho a cabeça boa em relação a ficar de fora porque futebol é isso, você pode se machucar. No começo eu senti muito por não poder viajar e estar junto com os companheiros. Me apeguei à minha família par superar isso. Ficamos muito tempo longe deles e abrimos mão de muito tempo com eles. O lado pessoal me fortaleceu", garantiu o volante.

"Eu me recuperei bem e agradeço muito ao Rafael Martini e ao departamento médico do Santos durante os meses e não me deixaram cair. Tem dias que dá uma abaixada na auto estima, mas me deram todo apoio", elogiou.

Em 2013, Adriano foi para o Grêmio a pedido de Vanderlei Luxemburgo, mas não conseguiu se firmar na equipe gaúcha. Depois, ele rodou por Vitória, Avaí, Grêmio Novorizontino, Goiás, CRB e Santo André.