<
>

Acusado de matar Daniel, ex-São Paulo, muda versão sobre o crime; mais um suspeito é preso

play
Com Hudson como porta voz, São Paulo presta homenagem a Daniel: 'Um menino batalhador e que estava sempre se superando' (1:20)

O meia foi encontrado morto no último sábado em São José dos Pinhais com ferimentos de faca em várias regiões (1:20)

Acusado de matar o meia Daniel, ex-São Paulo, o empresário Edison Brittes mudou a versão sobre o crime em depoimento de mais de seis horas para Polícia Civil de São José dos Pinhais, na região de Curitiba, nesta quarta-feira (07/11). Questionado sobre a forma como o jogador foi morto, ele preferiu ficar em silêncio, mas assumiu a autoria do homicídio.

O suspeito disse que ficou transtornado ao ver uma suposta tentativa de estupro contra sua esposa, Cristiana Brittes e desejava humilhar o atleta.

O empresário disse ter encontrado a porta trancada e ouviu dois gritos de socorro. Ao ir até a janela, teria visto Daniel de cueca e camiseta, em cima da esposa, quando pulou a janela e pegou o jogador pelo pescoço. Anteriormente, ele havia dito que tinha arrombado a porta.

Edison disse que outros quatro homens chegaram ao quarto e perguntaram o que havia ocorrido. Após o empresário ter relatado o fato, eles teriam começado as agressões ao atleta, que posteriormente foi levado para fora da casa e teve sua cueca arrancada.

Ele disse no depoimento que teve a ideia de colocar Daniel no porta-malas do carro e depois deixá-lo nu no meio da rua para fazê-lo passar vergonha. Após relatar essa parte, o empresário ficou em silêncio, não dando mais detalhes da forma como o jogador teria sido assassinado.

Estão presos Edison, Cristiana e a filha Allana Brittes. Além disso, Eduardo Henrique da Silva, de 19 anos, que é primo de Cristiana Brittes, foi detido nesta quarta-feira (07/11) em Foz do Iguaçu, onde mora. Ele é um dos três homens que estava no carro que levou o atleta. De acordo com informações do Jornal Nacional, os outros dois envolvidos teriam as prisões decretadas, mas ainda não tinham sido cumpridas até a noite desta quarta.

O delegado da Polícia Civil de São José dos Pinhais, Amadeu Trevisan, declarou na última terça-feira que não houve tentativa de estupro por parte de Daniel Corrêa contra Cristiana Brittes, mulher do assassino confesso do jogador do São Paulo, Edison Brittes. Ele teria sido morto após ser flagrado na cama tirando fotos da esposa do acusado.

Segundo o delegado, essa foi conclusão chegada pela polícia após ouvir novas testemunhas do caso no início desta semana. De acordo com Trevisan, nenhuma das testemunhas relatou ter ouvido os gritos de Cristiana, como foi relatado pela família Brittes, mas sim os berros do jogador enquanto era espancado.

“A versão da tentativa de estupro, nós estamos desconfigurando agora, com essas testemunhas, e bem como o arrombamento da porta também. Para nós, o Daniel simplesmente estava na cama”, declarou Amadeu. “Não houve a tentativa de estupro, mesmo porque o Daniel estava com 13,4 decigramas de álcool no sangue. Então, ele estava muito embriagado, estava muito aquém de conseguir realizar algum estupro”, avaliou.

Na última terça-feira o ouviu quatro testemunhas que estavam na festa de aniversário de Allana. A polícia revelou ainda que suspeitos de terem participado do crime por terem entrado no carro de Edison serão ouvidos durante a semana.

Edison Brittes, a esposa Cristiana e a filha Allana seguem presos de forma temporária por 30 dias. Na entrevista em que confirmou a autoria do crime, o empresário também afirma que ouviu gritos do quarto e ao abrir a porta se deparou com Daniel tentando abusar de sua esposa, fatos que foram confirmados nos depoimentos de Cristiana Brittes na última segunda-feira.

Na apuração preliminar do Instituto Médico-Legal (IML), divulgada pela Polícia Civil, Daniel foi espancado na casa da família Brittes e, depois, levado para um matagal, onde o corpo foi encontrado. A morte foi causada por ferimento por arma branca. O corpo do jogador foi velado e sepultado na última quarta-feira, em Conselheiro Lafaiate, em Minas Gerais, cidade da família do atleta.

Mineiro de Juiz de Fora, Daniel foi morto aos 24 anos. Revelado pelo Cruzeiro, o meio-campista foi contratado pelo São Paulo após se destacar no Botafogo. Também passou por Ponte Preta e Coritiba. Ele estava emprestado pelo Tricolor paulista ao São Bento, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro.